Rede museológica no país deve consolidada- director Nacional dos Museus

DIRETOR NACIONAL DOS MUSEUS, ZIVA DOMINGOS (FOTO: CORTESIA DE VENCESLAU MATEUS)

O director Nacional dos Museus, Ziva Domingos, afirmou, em Luanda, que a rede museológica em Angola carece de uma consolidação para melhor responder as exigências actuais.

DIRETOR NACIONAL DOS MUSEUS, ZIVA DOMINGOS (FOTO: CORTESIA DE VENCESLAU MATEUS)
DIRETOR NACIONAL DOS MUSEUS, ZIVA DOMINGOS (FOTO: CORTESIA DE VENCESLAU MATEUS)

Em entrevista à Angop sobre o estado actual dos museus, Ziva Domingos adiantou que a consolidação passa pelo trabalho de renovação, exposições e a construção de depósitos onde o acervo do país devem estar conservado.

“Segundo as normas cientificas e técnicas, o acervo que não está exposto deve ficar guardado nos depósitos, razão pela qual todos os museus que estão na fase de renovação vão ser ampliados”, explicou.

Actualmente estão a sofrer obras de restauro e ampliação os museus do Dundo e o Museu de Antropologia, que vão ter depósitos centrais.

Falando sobre a formação técnico-profissional, o responsável disse ser o maior desafio da classe pelo facto de as universidades não terem cursos direccionados para a área museológica.

“A museologia é uma ciência que os chega ao grau académico de pós-doutoramento e no nosso país ainda não temos cursos, apenas uma cadeira inserida no curso de antropologia”, reforçou.

Principais museus de Angola

Museu Nacional de Antropologia

O Museu Nacional de Antropologia localiza-se no bairro dos Coqueiros, na cidade de Luanda. Fundado em Novembro de 1976, o Museu Nacional de Antropologia foi a primeira instituição museológica criada após a independência de Angola ocorrida um ano antes.

Esta instituição de carácter científica, cultural e educativa está vocacionada para a recolha, investigação, conservação, valorização e divulgação do património cultural angolano. O Museu Nacional de Antropologia é composto por 14 salas distribuídas por dois andares que abrigam peças tradicionais, designadamente utensílios agrícolas, de caça e pesca, fundição do ferro, instrumentos musicais, jóias, peças de pano feitos de casca de árvore e fotografias dos povos khoisan. Para além do seu núcleo permanente, o museu recebe também diversas exposições temporárias.

Museu Nacional da Escravatura

O Museu Nacional da Escravatura localiza-se no Morro da Cruz, na cidade de Luanda. Dedicado à memória da escravidão, é uma destacada instituição cultural do país. Criado em 1977 pelo Instituto Nacional do Património Cultural, com o objectivo de dar a conhecer a história da escravatura em Angola, o Museu Nacional da Escravatura tem a sua sede na Capela da Casa Grande, templo do século XVII, onde os escravos eram baptizados antes de embarcar nos navios negreiros que os levavam para o continente americano.

O museu reúne e expõe centenas de peças utilizadas no tráfico dos escravos. Está instalado na antiga propriedade do Capitão de Granadeiros D. Álvaro de Carvalho Matoso, Cavaleiro da ordem de Cristo.

Museu Nacional de História Natural

O Museu Nacional de História Natural de Angola localiza-se no Largo do Kinaxixe, na cidade de Luanda. Criado em 1938, como Museu de Angola e instalado na Fortaleza de São Miguel de Luanda, contava inicialmente com secções de etnografia, história, zoologia, botânica, geologia, economia e arte. Anexos ao museu, foram criados uma biblioteca e o arquivo histórico colonial.

Mudado em 1956 para o edifício actual, construído de raiz para albergar o museu, apresenta hoje um amplo acervo de espécies representativas da rica e variada fauna angolana. O edifício tem três andares e alberga amplos salões onde estão exemplares empalhados de mamíferos, peixes, cetáceos, insectos, répteis e aves.

Os espaços estão decorados e ambientados de forma a tentar reproduzir o habitat das espécies. O espólio do museu inclui, também, vastas e ricas colecções de moluscos, de borboletas e de conchas, muitas do tempo em que eram usadas como moeda na costa ocidental africana.

Museu Nacional de História Militar

A Fortaleza de São Miguel de Luanda, com ordem militar, localiza-se no antigo monte de São Paulo, actualmente denominado Morro da Fortaleza, nas proximidades da ponte da Ilha de Luanda. Foi a primeira fortificação a ser erguida em Luanda, no século XVI, durante o governo de Paulo Dias de Novais, primeiramente construída em taipa e adobe, substituídos em 1638 por barro, taipa e adobes.

No século XX, com a extinção do Depósito de Degredados, por Portaria de 8 de Setembro de 1939, a fortaleza foi classificada como Monumento Nacional por Decreto Provincial de 2 de Dezembro do mesmo ano. Nela, veio a instalar-se, no ano seguinte, o Museu de Angola, criado pela portaria n.º 6. Após a independência, em 1979 as dependências da fortaleza passaram a albergar o Museu das Forças Armadas.

Considerado como um dos principais patrimónios edificados da capital e do país, em 1995 sofreu intervenções de conservação no exterior do edifício, encontrando-se bem conservado. De propriedade do Estado, está afectado ao Ministério da Defesa e ao Ministério da Cultura.

Museu Nacional de Arqueologia

Localiza-se na cidade de Benguela e tem um acervo de cerca de 9.150 peças. O edifício funciona numa obra do Século XVII / XVIII, onde os escravos eram armazenados temporariamente, até serem exportados para a América em navios negreiros.

Depois do fim do tráfico de escravos, o edifício passou a pertencer à Alfândega de Angola. Em 1976, foi neste edifício criado o Museu Nacional de Arqueologia para, inicialmente, para conservar os objectos arqueológicos existentes.

Actualmente, o Museu Nacional de Arqueologia controla 47 estações arqueológicas e 8.118 objectos que revelam o passado da humanidade a milhões de anos.

Museu de Etnografia do Lobito

Possui mais de 1.500 peças; 50 das quais representam peças da cultura Lunda-Cókwe. Em 1966, um grupo de portugueses amantes de artes e da cultura angolana, pertencentes à ex-Câmara Municipal do Concelho do Lobito, deliberou por unanimidade a compra de um prédio pertencente ao Banco de Angola pelo preço de 500 mil escudos, a pagar por duas prestações iguais, destinado à instalação do Museu do Lobito. A 28 de Outubro de 1969, deu-se o lançamento do primeiro pilar para a construção do museu.

A 11 Novembro 1978, reabre ao público com a devolução de todo património cultural sob sua guarda. Desde então, o museu continua com as suas actividades, recebendo peças etnológicas de várias partes do país.

Museu Regional da Huíla

O Museu Regional da Huíla conta com total de mil e cem peças etnográficas e mais 300 artefactos diversos. O Museu Regional da Huíla é um edifício adaptado, que apresenta limitações de espaço e conservação do acervo. A divulgação dos costumes e tradições dos habitantes do sul de Angola é a principal aposta da direcção do museu.

Museu Regional da Huíla tem, actualmente, cerca de 2 mil peças etnográficas, das quais 300 em exposição. Também possui peças deixadas por portugueses que colonizaram o sul do país.

Museu Regional do Dundo

O Museu do Dundo, localizado na capital da Lunda Norte, foi criado em 1936 pela então denominada Companhia de Diamantes de Angola (Diamang). Foi a primeira instituição do género criada em Angola. Em 1942 adopta a designação de Museu Etnológico.

Em 1946 inicia a edição desta colecção, tendo contado com a especial participação de José Redinha (curador do Museu – etnólogo e estudioso dos povos de Angola) e com a participação de inúmeros autores nacionais e estrangeiros.

O Museu Regional do Dundo ressurgiu modernizado a fundo, em Agosto de 2014, após um período de encerramento para reabilitação e renovação. O Museu reabriu as portas com visíveis melhoramentos no seu edifício central, mas também nas estruturas externas, com salas de exposição melhor apetrechadas, novas vitrinas para melhor aconchego e exibição das peças arqueológicas – um cenário que proporciona aos visitantes maior à vontade nas consultas ao seu acervo.

E há muito a consultar no Museu do Dundo que, se antes já estava situado entre “os maiores e melhor apetrechados de Angola e de África a Sul do Sahara”, reforçou essa condição, organizado em áreas de etnografia, história natural, arqueologia e paleontologia. Possui 14 salas de exposições (12 permanentes, uma temporária e outra de folclore), com uma colecção de cerca de 10 mil peças, 818 das quais estão expostas a tempo inteiro.

As diferentes áreas do museu descrevem a vida quotidiana, cultural e a organização político-social dos povos Lunda/Cokwe, com uma biblioteca com cerca de 35 mil livros ligados, sobretudo, à etnografia, arqueologia, filosofia, biologia e história natural. Uma sala multimédia está preparada para projecção de filmes, fornecendo as mais variadas informações sobre os habitantes do Leste de Angola, a qual se junta um laboratório de biologia.

Mundialmente conhecido pelo seu acervo em arte Lunda/cokwe, possui documentação composta por centenas de relatórios dos diferentes serviços da Companhia de Diamantes de Angola (Diamang), cobrindo detalhadamente cerca de meio século da ocupação colonial da área. O acervo compreende ainda milhares de fotografias e outra documentação relativa à vida cultural das populações do Leste de Angola.

A grande atracção do museu é a célebre máscara Mwana Pwo (Jovem Mulher), em exibição na sala reservada às Artes e Actividades Lúdicas, onde existe ainda uma grande variedade de outras máscaras lúdicas, máscaras de dança Mukixi, instrumentos musicais tradicionais, cintos de dança femininos, jogos e esculturas em madeira, como estatuetas, representando bailarinos ou mulheres repousando.

O Museu do Dundo foi fundado na época colonial pelo antropólogo cabo-verdiano Augusto Mesquitela Lima, neto do governador de Cabo Verde em 1913, Bernardo Mesquitela. Este museu é um importante centro da exploração de investigação na África Central, nas áreas da arqueologia e etnografia, sendo mundialmente conhecido pelo seu acervo em Arte Cokwe.

Museu Regional de Cabinda

Um museu muito interessante para quem quer saber a história do povo cabinda. Tem 3 salas que descrevem as tradições pre-coloniais, o tempo colonial, tradição de feitiço e uma sala separada com objectos de uso diário.

Actualmente no museu estão representados acervos que simbolizam o poder tradicional, objectos de uso doméstico, bem como representações de aspectos etnográficos, antropológicos, bem como da história da região.

Museu Regional do Huambo

O Museu Regional do Huambo foi criado em 1948 pela Câmara Municipal de Nova Lisboa, com o objectivo de recolher dados de carácter etno-museológicos e conhecimentos de usos e costumes da região do planalto central, incluindo as províncias do Bié, Benguela, Cuanza Sul e Cuando Cubango.

Museu dos Reis do Congo

O edifício principal, que alberga o Museu dos Reis do Congo, foi no passado uma residência real construída em 1903, até a última sucessão do trono ocorrida na década de 60.

Após a independência nacional, a residência tornou-se como Museu do Reino do Congo. O recinto permaneceu encerrado anos depois devido ao conflito armado, tendo reaberto de forma definitiva em 2007, após beneficiar de obras de restauro e ampliação, passando desta feita a designar-se Museu dos Reis do Congo. (portalangop.co.ao)

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