Quota dos 35% no investimento estrangeiro é “racional e aceitável”

(EXPANSAO)
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Vice-presidente de um dos grandes grupos chineses que operam em Angola acredita ser “necessária” a imposição de uma quota para angolanos ao abrigo da nova Lei do Investimento Privado.

Grupo China Zhong Tai Senda vai investir nas pescas e procura oportunidades na agricultura e infra-estruturas.

A obrigatoriedade do estabelecimento de parcerias com sócios angolanos “não é uma limitação” para a atracção de investimento chinês em Angola, garante o director-geral do grupo China Zhong Tai Senda.

m entrevista ao Expansão, Chen Youjun defende que, numa altura em que os dois países estreitam relações, os empresários estrangeiros devem ter uma “atitude racional” e “responsável”.

A imposição de um mínimo de 35% de participação angolana em projectos ao abrigo na nova Lei do Investimento Privado (LIP) “é uma política aceitável e responsável nesta fase” de diversificação que a economia angolana atravessa, defende o gestor.

“Iremos obviamente respeitar essa quota e procurar consensos com parceiros angolanos”, acrescenta o dirigente do grupo, que iniciou actividade em Angola em 2009, na construção e promoção imobiliária, mas está hoje presente também na saúde, comércio e transportes – e de olhos postos noutras áreas, como as infra-estruturas, as pescas e a agricultura. “Esta imposição [dos 35%] é necessária, serve para regulamentar a actividade dos investidores e é um bom objectivo”, sublinha Chen Youjun.

“E o que é bom para o Estado é bom para os investidores”, defende o também vice-presidente do grupo chinês, que terminou já a primeira fase do condomínio de luxo Bela Vista, no Benfica, Luanda. Este projecto é composto por cerca de 40 vivendas unifamiliares, quatro edifícios e dois blocos comerciais em espaço de open space, estando os chineses a dar início ao desenvolvimento de mais serviços e infra-estruturas.

Investimento de 30 milhões USD em Benguela

Desde que veio para Angola, o grupo privado China Zhong Tai Senda – de origem chinesa, mas com negócios também em Macau, Singapura e Hong Kong – já investiu o equivalente a cerca de 200 milhões USD no País. Até ao final do ano, revela o director-geral, o grupo espera receber duas embarcações oriundas da China para dar início a um projecto pesqueiro, igualmente com um parceiro angolano, que inclui a construção de uma fábrica em Benguela. Este projecto, diz o gestor, implica um investimento de cerca de 30 milhões USD.

Chen Youjun garante que os investimentos têm sido feitos com recurso a capitais próprios e que o grupo os reinveste no País. “Somos responsáveis e não podemos crescer sozinhos”, assinala o gestor, aludindo à necessidade de se reinvestir o lucro no crescimento dos negócios em Angola e de se ter parceiros locais.

“Queremos criar raízes em Angola e em África, respondendo também ao desafio lançado pelo governo chinês aos empresários locais”, diz o responsável. O vice-presidente do grupo China Zhong Tai Senda garante também que tem procurado criar emprego angolano nos projectos. Na construção, afirma, empregam cerca de 700 pessoas, das quais perto de 330 são angolanas, e na área administrativa têm 70 colaboradores, dos quais 20 são nacionais. “Queremos recrutar mais nacionais”, diz o director-geral, sublinhando que há “benefício mútuo” quando se põe chineses e angolanos a trabalharem lado a lado.

Para além de Angola, o grupo poderá analisar oportunidades de investimento em países como a Namíbia ou os Congos, mas, para já, é no País em que está focado – ao que não é alheia a visita recente do Presidente angolano à China, “reforçando a parceria de 30 anos entre os dois países”. Primeiro Angola, depois Namíbia e Congos “Angola oferece neste momento melhores oportunidades de investimento e é o primeiro passo do nosso plano estratégico para o continente africano”, explica o gestor.

“A diversificação da economia traz oportunidades”, afirma, sublinhando que a inflação, os problemas cambiais e a desvalorização do kwanza, podendo “criar preocupação aos empresários”, devem ser vistas como fazendo parte de um “desafio” que dará frutos no futuro. Para além do projecto das pescas, o grupo vai apostar em breve na expansão de uma clínica.

“Apenas atendemos chineses, devido à limitação da língua, mas vamos alargar a actividade a outras nacionalidades”, diz o vice-presidente do grupo, que na área do imobiliário está ainda envolvido em mais dois projectos em Angola, o Baía de Belas e o Hawai Praia.

“Queremos trazer mais coisas boas da China para Angola”, afirma Chen Youjun, que garante haver “grande espaço e bom ambiente” para o investimento estrangeiro, nomeadamente chinês, no País. (expansao.co.ao)

por Ricardo David Lopes

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