Queda do preço do petróleo leva Partex a cortar investimento para menos de metade

(Foto: D.R.)
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As últimas contas, de 2013, mostram uma queda dos lucros de 100 milhões de dólares para 12,9 milhões.

Como empresa petrolífera, a Partex está também a sofrer de forma expressiva o impacto negativo da baixa dos preços do petróleo que se iniciou em Junho do ano passado. De acordo o presidente da empresa, cujo accionista é Gulbenkian, a primeira medida tomada pela companhia foi rever a política de investimentos para 2015. “Tínhamos cerca de 102 milhões de dólares [93 milhões de euros] para investir, e já cortámos mais de 30%. Vamos chegar aos 70 milhões de dólares. Cortámos em vários projectos”, explica.

O mais afectado foi o investimento da petrolífera no Cazaquistão, e, com o adiamento do poço para prospecção no Algarve, também o mercado português contribui para a poupança. Houve ainda, explica o gestor “uma redução grande do investimento no Médio Oriente”. “Há uma óptica nova, no sentido de olhar para toda a estrutura de custos”, sublinha.

A nível interno, a empresa, que conta com cerca de 80 funcionários, está a apostar também na redução de despesas, da ordem dos 2,5 milhões de dólares, seja através da renegociação de contratos com fornecedores, seja ao nível das deslocações.

Ao mesmo tempo, a conjuntura de baixa de preços surge numa altura em que a empresa já foi mais lucrativa. As últimas contas disponíveis são as de 2013 (as do ano passado ainda estão a ser auditadas) e mostram uma queda expressiva dos lucros. Em 2012, o resultado líquido da Partex foi de 100 milhões de dólares, mas esse valor caiu para apenas 12,9 milhões de dólares em 2013.

Mesmo em 2009, com os reflexos da crise financeira, o resultado líquido não ficou abaixo dos 40 milhões de dólares (fixou-se nos 45,8 milhões). As receitas, no entanto, subiram entre 2012 e 2013, chegando aos 1750 milhões de dólares. E os lucros operacionais passaram dos 97,8 para 73,2 milhões no período em análise. Entre os factores que explicam a queda dos lucros está um encaixe extraordinário em 2012, e um aumento das perdas por imparidades. Neste último caso, o Brasil tem demonstrado um desempenho pouco positivo, com a empresa a ter de fazer a digestão financeira de apostas falhadas (poços secos).

Questionado sobre o mercado brasileiro, António Costa Silva refere que “o investimento no Brasil é o que tem dado menos retorno”. “Quando cheguei à Partex em 2003 todos estes investimentos do Brasil já estavam decididos mas infelizmente não preencheram as expectativas que a companhia tinha”, acrescenta o gestor. Nos últimos quinze anos, a Partex aplicou cerca de 220 milhões de dólares em projectos de exploração (para assegurar novas reservas e acautelar o futuro além dos projectos maduros, em produção).

A principal fatia, com cerca de 59%, foi para o Brasil, seguindo-se Angola, Portugal e Argélia (a empresa está ainda, além do Cazaquistão, em Omã e Abu Dhabi). Mas, se foram direccionados cerca de cerca de 132 milhões de dólares para o Brasil, hoje os activos da Partex, diz o gestor, “valem 18 a 19 milhões”. Mesmo assim, garante, este é um mercado onde a empresa se vai manter, numa lógica de longo prazo.

No que toca ao mercado português, mostra esperança de poder um dia começar a produzir. “Temos a hipótese de perfurar o poço no Algarve, talvez ainda no próximo ano, e, na bacia de Peniche, está a ocorrer uma campanha sísmica tridimensional. Estamos a verificar as possibilidades que existem”, adianta.

Neste momento, a Partex (que contribui com cerca de um terço das receitas da Fundação Calouste Gulbenkian) está a preparar uma reestruturação ao nível da holding, que passa por tirar a sede fiscal da empresa do Panamá e passá-la para a Holanda. Sobre novas oportunidades no mercado que surgem devido à baixa preços, refere que “a empresa está sempre atenta” , mas, recorda, “a Partex é uma empresa pequena e é muito peculiar, porque só tem um accionista”. “Nunca embarcamos em aventuras”, sublinha António Costa Silva. (publico.pt)

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