PT, estudantes e centrais sindicais pró-Dilma saem às ruas nesta quinta-feira

(AFP 2015/ Yuri Cortez)
(AFP 2015/ Yuri Cortez)
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O PT e outras instituições estão organizando para esta quinta-feira, 20, manifestações em todo o Brasil de apoio à Presidenta Dilma Rousseff, ao seu Governo e ao próprio Partido dos Trabalhadores.

Sobre este movimento, que se segue às manifestações de domingo, 16, contra a presidente, o Professor João Cláudio Pitillo, pesquisador da UERJ – Universidade Estadual do Rio de Janeiro, falou com exclusividade à Sputnik Brasil.

Sputnik: A quinta-feira promete manifestações em todo o Brasil. Como o senhor está vendo este movimento e estas organizações solidárias ao PT e à permanência de Dilma Rousseff no Governo?

João Cláudio Pitillo: Manifestações sempre são bem-vindas. Elas são o estrato maior de uma democracia. O local do povo é na rua, ainda mais quando algo o incomoda, algo o aflige, a rua é o melhor caminho. Sobre a solidariedade à Presidenta Dilma, essa manifestação do dia 20 é uma miríade de forças. O único consenso dessas forças é que elas estão reagindo às articulações golpistas, da direita, dos setores mais atrasados. Essa história de intervenção militar constitucional, isso não existe, é uma falácia. E isso é um consenso. Agora existem setores muito mais à esquerda do que o PT, que estarão na rua no dia 20 e que discutem e criticam esta Agenda Brasil que a Presidenta Dilma está organizando com seus ministros e que é uma agenda em prol dos empresários, em prol do capital. E também criticam fervorosamente este ajuste fiscal porque é colocar de novo nas costas dos mais pobres um problema que é conjuntural, que foi uma conjuntura em que a Presidenta Dilma não resolveu os problemas estruturais. Então, o dia 20 vai ser interessante para repudiar o golpismo, mas ele também vai mandar um recado para o PT, para que o PT faça um governo popular, um governo muito mais classista do que ele tem feito desde 2002.

S: O site oficial do PT – Partido dos Trabalhadores informa que a agenda de atos previstos para ocorrer em todo o Brasil nesta quinta-feira, 20, foi unificada e divulgada pela União dos Estudantes do Brasil (UNE), a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e o Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST). São cerca de 15 entidades signatárias das manifestações que prometem tomar as ruas do país com seus militantes e, ainda de acordo com a declaração oficial, “em defesa dos direitos sociais, da liberdade, da democracia, contra a ofensiva da direita e por saídas populares para a crise”. E, segundo a presidente da UNE, Carina Vitral, a passeata da quinta-feira será um contraponto às manifestações de domingo, 16. Ainda nas palavras de Carina Vitral esta passeata rejeita a possibilidade de impeachment da Presidenta Dilma Rousseff por respeitar a democracia e a vontade popular e por entender que não existem indícios de corrupção, nem acusação formal contra a presidente. Qual

a sua opinião sobre estes argumentos?

JCP: Sobre o impeachment, a representante da UNE está corretíssima. Não há nenhum indício de que a Presidenta Dilma seja uma pessoa corrupta, ou tenha favorecido, ou tenha se locupletado de algum rastro de corrupção. E eu nem acredito que a direita mais articulada esteja pensando no impeachment da presidente. Eu acredito que isso é um jogo de palavras, é um slogan, é uma tentativa de acuá-la, de intimidá-la, porém, para a direita, o inimigo a ser batido é o ex-Presidente Lula, que é presidenciável para o próximo pleito eleitoral. E uma pessoa que saiu da Presidência com um índice altíssimo de aprovação. Então, eu acho que a direita já percebeu que a Presidenta Dilma já passou. O que há, agora, é uma tentativa de salvar essa economia ilusória que o PT e o neoliberalismo trouxeram nos últimos anos. Mas a presidente dificilmente vai cair. O problema agora é o Presidente Lula. A ideia é bater no Presidente Lula. A ideia é, se possível, até levar o Presidente Lula a uma situação de cárcere, no intuito de desmoralizá-lo. Sobre todas essas organizações que assinam esses documentos e estarão na rua, eu volto a dizer que não há um consenso sobre o governo do PT entre elas. Há solidariedade contra o golpismo, e isso é muito interessante. Nós temos visto forças fascistas se articulando no país, viúvas da ditadura, a elite brasileira como um todo muito ignorante, com frases raivosas, e há um anticomunismo muito celerado nessa gente, e obviamente reverbera em cima do PT, que é o grande inimigo a ser batido, e você tem o oportunismo eleitoreiro de figuras como Fernando Henrique Cardoso, Aécio Neves, Geraldo Alckmin, Eduardo Cunha, que pegam uma carona nesse movimento. Mas eu não acredito em impeachment da Presidenta Dilma. Acho interessante esses movimentos estarem na rua, acredito que o papel desses movimentos é pressionar o PT pela esquerda para uma saída popular – isso, sem dúvida – e pressionar essa direita raivosa para que ela seja espectadora do povo, e que o povo realmente faça história nesse país, porque nós temos um histórico de decisões políticas neste país sendo tomadas ao arrepio do povo, e de forma palaciana, de cima para baixo. (sputniknews.com)

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