Prossegue interrogatório de activistas em Angola

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Os Serviços de Investigação Criminal de Angola continuam a ouvir os membros do Movimento Revolucionário que estariam, segundo as autoridades, a preparar um golpe de Estado. Três dos ativistas presos serão ouvidos hoje.

Os ativistas Luaty Beirão, Nito Alves e Domingos da Cruz, foram transferidos esta terça-feira (11.08) da cadeia de Calomboloca para uma esquadra da capital angolana, Luanda, onde serão ouvidos na quarta-feira (12.08) pelos inspetores do Serviços de Investigação Criminal (SIC).

Os três ativistas fazem parte do grupo acusado de planear um golpe de Estado em Angola. A ativista Rosa Conde, do Movimento Revolucionário de Angola, foi ouvida ontem, segunda-feira (10.8).

Nomes do regime

Entretanto, no seio da sociedade angolana questiona-se se depois de ter interrogado na semana passada, o ex-secretário geral do partido extra-parlamentar Bloco Democrático, Filomeno Vieira Lopes, a Procuradoria-Geral da República (PRG) terá coragem para chamar figuras ligadas ao partido no poder e ao regime do presidente José Eduardo dos Santos, cujos nomes aparecem na suposta lista de criação de um Governo de Salvação Nacional em caso de crise política em Angola.

São os casos do ministro da Defesa e ex-secretário-geral do MPLA, João Lourenço, e do antigo governador de Luanda, Aníbal Rocha, cujos nomes constam da referida lista.

Em entrevista à DW África, o jurista Albano Pedro disse que, se o Procurador Geral da República convocou o “Dr .Filomeno Vieira Lopes com fundamento nesta lista, então tem de chamar todos.”

Contudo, o jurista assegura que tendo em conta o comportamento da justiça angolana, duvida que as figuras ligadas ao MPLA incluídas numa eventual lista de um governo de Salvação Nacional venham ser convidadas a depor na PGR.

Falta de imparcialidade

“Os órgãos de justiça atuam com falta de sentido de imparcialidade. Nós estamos habituados a isso, basta olhar para as questões das manifestações: proíbem-se certas manifestações, devidamente solicitadas, mas autorizam-se outras, eventualmente não solicitadas. Claro que estamos num país em que, efetivamente, nem sempre os órgãos da administração do Estado e da justiça seguem a lei à risca.”

A referida lista,que a Procuradoria Geral da República alega ser matéria de prova contra os ativistas detidos, foi colocada nas redes socias por Albano Pedro. Por isso, ele diz que a acusação contra os ativistas é um ato meramente político.

“A denominação do Governo de Salvação Nacional fui eu mesmo quem lançou, nas redes sociais, abrindo o debate. É claro que terei iniciado com alguns nomes e a lista foi sendo composta pelos internautas – foi uma composição feita com a interação de vários internautas. Eu penso que o Ministério Público está com sérias dificuldades de atestar a idoneidade dos meios de prova. Por isso mesmo vai estendendo agora a lista de indivíduos e está a fazer depoimentos para ver se daí pesca algum elemento que ajude a dar credibilidade ao chamado meio de prova.” (dw.de)

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