Parlamento grego aprova terceiro resgate

(REUTERS)
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O parlamento grego votou favoravelmente o memorando de entendimento que vai acompanhar o terceiro resgate ao país. No entanto, cresceu o número de votos “não” entre os deputados do Syriza. Alexis Tsipras vai pedir voto de confiança depois de 20 de Agosto.

O parlamento grego aprovou esta sexta-feira, 14 de Agosto, as medidas de austeridade e de reforma contidas no memorando de entendimento que acompanhará o terceiro resgate ao país. A votação, que teve lugar esta manhã, resultou em 222 votos favoráveis, 64 votos contra e 11 abstenções.

Dos 222 votos favoráveis, apenas 118 foram de deputados que suportam a coligação de governo – um número inferior aos 120 votos que o governo precisaria para sobreviver a uma moção de censura no parlamento.

O primeiro-ministro Alexis Tsipras enfrentou uma oposição crescente por parte dos deputados do seu partido. Dos 149 parlamentares do Syriza, 44 votaram contra ou abstiveram-se (o antigo ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, foi um dos que votou “não), um número superior ao das votações anteriores.

Recorde-se que na votação do primeiro conjunto de medidas acordadas com os credores, Alexis Tsipras viu 39 deputados do Syriza votar contra ou abster-se, enquanto no segundo pacote – que abriu caminho à alteração do código civil e à transposição da directiva europeia sobre a resolução dos bancos – o número de opositores registou uma queda para 36. O ex-ministro das Finanças, Yanis Varoufakis, foi um dos deputados que alterou o seu voto na segunda votação.

Perante mais uma rebelião dos membros do seu partido, Alexis Tsipras decidiu pedir um voto de confiança depois do dia 20 de Agosto, altura em que o país já terá recebido um cheque dos credores internacionais e pago os 3,2 mil milhões de euros ao BCE.

Isto porque, apesar de o memorando de entendimento ter sido aprovado pelo parlamento, restam dúvidas sobre se o primeiro-ministro grego terá condições políticas para implementar as medidas que significam pisa todas as “linhas vermelhas” do programa eleitoral do Syriza.

Ontem mesmo, Panagiotis Lafazanis, ex-ministro da Energia da Grécia, anunciou a fundação de um novo movimento contra o resgate financeiro ao país, que poderá representar o início de uma possível cisão com o Syriza.

Esta tarde, os ministros das Finanças da Zona Euro vão estar reunidos, em Bruxelas, para decidir se aprovam o terceiro resgate à Grécia ou se será preferível o país receber outro empréstimo-ponte, menor e de curto prazo.

Terceiro resgate ao país é uma escolha “forçada” do governo

A votação no parlamento grego decorreu depois de uma madrugada de aceso debate, que ficou marcado pelo confronto entre a presidente do parlamento, Zoé Konstandopulu, e alguns membros do governo.

Já nas primeiras horas da manhã, o primeiro-ministro Alexis Tsipras definiu o acordo para o terceiro resgate do país como uma “escolha forçada” do governo, tomada depois de “esgotar todas as vias de negociação”.

Tsipras explicou que teve de escolher entre um programa de ajuda com o euro ou o dracma como moeda nacional.

“Perante um ultimato para a saída temporária da Grécia da Zona Euro, tomámos a responsabilidade perante o povo grego de nos mantermos vivos e continuarmos a luta em vez do suicídio (a saída do euro)”, afirmou o primeiro-ministro.

Tsipras garantiu que não se arrepende de ter tomado essa decisão e, embora tenha reconhecido que a ajuda externa não é uma vitória, salientou que constitui a melhor opção que o país tinha num momento de asfixia financeira. (jornaldenegocios.pt)

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