PAIGC ameaça com eleições antecipadas na Guiné-Bissau

José Mário Vaz (VOA)
José Mário Vaz (VOA)
José Mário Vaz (VOA)

O PAIGC, partido no poder a Guiné-Bissau avisou neste sábado, 8, o Presidente da República que caso não retome o diálogo com as restantes figuras do Estado, nomeadamente o primeiro-ministro, poderá retirar a confiança política a José Mário Vaz.

Este caminho, segundo disse o porta-voz do partido João Bernardo Vieira, assumiria contornos de “uma luta directa, política e judicial pela sua destituição”.

Vieira vai mais longe e alerta que esta crise pode conduzir à necessidade de convocação de eleições antecipadas presidenciais e legislativas.

Na reunião de emergência do seu bureau realizada na sexta-feira, 7, cujos detalhes foram divulgados hoje, o PAICG manifestou o seu apoio ao seu presidente do partido e primeiro-ministro Domingos Simões Pereira e criticou veementemente ” as repetidas atitudes” do Presidente da República “de desrespeito pelos símbolos nacionais e da República e pelas datas históricas”.

José Mário Vaz é responsabilizado pelo seu próprio partido pelas consequências que  advenham “do eventual bloqueio institucional decorrente.

Recorde-se que, na quinta-feira, o primeiro-ministro Domingos Simões Pereira acusou o Presidente da República de provocar instabilidade no país e prometeu recorrer a todos os mecanismos legais para impedir a destituição do seu Governo.

No mesmo dia, o Parlamento aprovou uma moção de confiança ao Governo, colocando o Presidente da República numa situação difícil.

Ainda na quinta-feira, 6, o Movimento da Sociedade Civil organizou uma vigília junto do Palácio da República garantir o seu apoio ao Executivo de Domingos Simões Pereira.

Na sexta-feira, centenas de guineenses saíram às ruas a manifestar também o seu suporte ao Governo.

Por seu lado, a Presidência da República emitiu um comunicado em que diz que José Mário Vaz abstém-se, por ora, a comentar as declarações do primeiro-ministro.

“A Presidência da República tomou conhecimento, com surpresa e estupefacção, da comunicação do senhor primeiro-ministro à nação, difundida ontem pelos órgãos da comunicação social, numa altura em que sua Excelência o Senhor Presidente da República procede a uma auscultação normal aos actores sociopolíticos sobre a actual situação política do país”, lê-se no comunicado.

Para a Chefia do Estado, “teor da referida comunicação, descortês, calunioso e ofensivo para com o Chefe de Estado, mais do que demonstrar a existência de uma grave crise política, vem agravar ainda mais o já por si frágil clima de relacionamento entre os dois órgãos de soberania”.

O Presidente da República convocou ontem o Conselho de Estado mas interrompeu o encontro para se encontrar, em Dakar, com os presidentes do Senegal e da Guiné-Conacri, mandatados pela Cedeao para tentar mediar a crise actual.

Aguarda-se a qualquer momento uma comunicação de José Mário Vaz. (voa.com)

 

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