Obama adverte que negativa do Congresso a acordo com Irão pode significar guerra

(Foto de Jim Watson/AFP)
(Foto de Jim Watson/AFP)
(Foto de Jim Watson/AFP)

O presidente americano, Barack Obama, advertiu nesta quarta-feira que uma negativa do Congresso ao acordo nuclear com o Irão significaria uma guerra no Oriente Médio e exortou os legisladores a aprová-lo em nome da tradição diplomática americana.

“Um repúdio ao acordo no Congresso deixaria uma única opção a toda a administração americana realmente decidida a impedir que o Irão desenvolva uma arma nuclear: outra guerra no Oriente Médio. Não o digo por ser provocador. É um fato”, disse Obama em discurso, em Washington, no qual defendeu o acordo alcançado entre Teerão e as grandes potências, em 14 de Julho.

O Congresso americano votará antes de 17 de Setembro uma resolução de desaprovação do acordo nuclear. Se a iniciativa for aprovada, Obama a vetaria, e para superar este veto, os legisladores teriam que dispor de dois terços dos votos nas duas câmaras do Congresso, um número que os republicanos dificilmente alcançariam, pois a maioria dos democratas a princípio se manteria fiel ao presidente.

Os republicanos denunciaram a retórica de Obama e o que consideram uma falsa dicotomia entre a guerra e a paz. A alternativa a um mau acordo, afirmam, é um acordo melhor, que não só submeta o Irão a inspecções e limite seu enriquecimento de urânio, mas que desmonte integralmente seu programa nuclear.

Os senadores John McCain e o pré-candidato presidencial, Lindsey Graham, acusaram Obama de usar argumentos fáceis de ser refutados.

“Ninguém acredita que a força militar possa ou deva resolver todos os problemas”, disseram em comunicado conjunto.

Mas para garantir que pelo menos um terço dos membros do Congresso estarão do seu lado, Obama defendeu o carácter histórico e pacífico do acordo. Para fortalecer seu discurso, o presidente falou do mesmo local onde seu antecessor, John F. Kennedy, proferiu, em 1963, em plena Guerra Fria, um discurso militante a favor do fim dos testes nucleares.

“Muitas das pessoas que foram a favor da guerra no Iraque agora estão se colocando contra o acordo nuclear com o Irão”, disse o presidente, exigindo dos legisladores optar, ao contrário, pela tradição americana de uma diplomacia forte.

“Perderemos algo mais precioso. A credibilidade dos Estados Unidos como líder da diplomacia. A credibilidade dos Estados Unidos como âncora do sistema internacional”, acrescentou.

Obama critica Israel

O debate sobre o acordo alcançado em Viena entre o Irão e o grupo 5+1 (Estados Unidos, Rússia, França, China, Reino Unido e Alemanha) esfriou consideravelmente as relações entre os Estados Unidos e Israel.

O governo do premiê israelita, Benjamin Netanyahu, condena o acordo, pois considera que não submete o Irão a condições estritas que impeçam que o país desenvolva uma arma nuclear, a qual poderia, eventualmente, usar contra Israel.

Em seu discurso, Obama disse que Israel foi o único país que se expressou publicamente contra o acordo e assegurou que, caso Teerão não respeite o acordado, será sancionado.

“Todas as nações do mundo que se expressaram publicamente, excepto o governo israelita, manifestaram seu apoio” ao acordo, disse Obama. O discurso foi traduzido ao hebraico e retransmitido pela rádio pública israelita. Se o Irão fizer trapaça com o tema nuclear, “poderemos pegá-los e o faremos”, acrescentou o presidente.

O acordo estabelece que Teerão nunca vai desenvolver a bomba atómica, em troca de uma suspensão progressiva das sanções internacionais que sufocam sua economia.

Finalmente, Obama admitiu que o Irão poderá usar recursos provenientes da flexibilização das sanções para financiar “organizações terroristas”, mas argumentou que isto é preferível a que desenvolva armas nucleares.

“Qualquer benefício que o Irão possa obter com a flexibilização das sanções empalidece em comparação com o perigo que pode representar com uma arma nuclear”, afirmou.

Mas, para o presidente americano, a maior parte do dinheiro será usado pelas autoridades iranianas para melhorar a situação da população, que sofreu muitos anos com a asfixia económica causada pelas sanções internacionais.

Até “um regime tão agressivo como o Irão não pode ignorar as esperanças” suscitadas entre a população, concluiu. (afp.com)

 

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA