O guerrilheiro anticoligação que veio do Twitter

(D.R)

Usa humor, números do INE e a sigla PAF para desenhar “cartazes” que enfureceram coligação. Amador e sem ligação a partidos, achou o primeiro outdoor do PS “muito mau” e decidiu entrar na guerra

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Começou há 21 dias, a 30 de julho. A imagem é de um sem-abrigo sentado, cabeça baixa, com o carrinho de supermercado em que transporta os pertences ao lado, junto a um cartaz com a imagem de Passos Coelho e o slogan “Portugal Pode Mais”. No dia seguinte, aprimorava-se a mensagem: a foto de um avião a levantar rumo ao poente, com os dizeres “500 000 emigrantes numa só legislatura” e “Portugal Pode Mais”. Em cima, o símbolo da coligação Portugal à Frente e dos dois partidos que a compõem, PSD e CDS. Um cartaz, portanto. Seguiram-se, até ontem, mais 33 intervenções, entre cartazes e vídeos: a última é um outdoor com o rosto da ministra das Finanças, máscara de gelo e olhar azul fantasmagórico e a frase “Winter is coming. Again (O inverno vem aí. Outra vez)” -, alusão à série Guerra dos Tronos e aos mortos vivos que vêm do gelo para dizimar os humanos.

As publicações, efetuadas no Twitter através da conta @varguizm, identificada com rosto e apelido (Vargas), tiveram sucesso imediato: foram difundidas por dezenas de pessoas, cujas publicações por sua vez têm sido difundidas por outros utilizadores, no processo de multiplicação típico da rede – o retweet -, e criaram uma tendência. Neste momento existe já um “gerador de cartazes” online para que qualquer um possa criar o seu (saiba como na caixa ao lado). E chegaram rapidamente às televisões. A 8 de agosto, a SIC reproduzia várias, sem mencionar a autoria dos cartazes, e interpelava as campanhas da coligação e do PS sobre o assunto (ver texto na página ao lado).

Luís Vargas, o autor desta campanha de um homem só (na verdade, quase só: o amigo e ex-colega da yDreams Vasco Mendonça, criativo da agência de publicidade Escritório, ajuda com sugestões e opiniões), tem 37 anos, nasceu em Lisboa, é designer industrial com um mestrado em Engineering Design pelo Instituto Superior Técnico e criou em fevereiro, com duas outras pessoas, uma agência de comunicação, a Fisherman. Onde a sua função, diga-se, nada tem que ver com o tipo de produto que coloca no Twitter: “Faço design industrial, web design e programação. Quem trabalha na outra parte são os meus dois sócios, pelo que não, não estou a fazer isto como promoção da agência.” (dn.pt)

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