O drama dos refugiados: “O Brasil mantém suas fronteiras abertas para estas pessoas”

(AFP 2015/ THONY BELIZAIRE)
(AFP 2015/ THONY BELIZAIRE)
(AFP 2015/ THONY BELIZAIRE)

O ACNUR – Alto Comissariado da Organização das Nações Unidas para os Refugiados considera o Brasil um dos mais importantes países para o acolhimento e recepção deste tipo de migrantes. Uma das parceiras do Comissariado é a organização Caritas, cuja coordenadora no Rio, Aline Thuller, falou à Sputnik Brasil.

Atualmente, os sírios são os que predominam entre os refugiados no Brasil, fugindo da guerra civil instalada na Síria em março de 2011 e sem qualquer perspectiva ainda de resolução. Em segundo lugar, aparecem africanos de vários países, e, ocupando lugar de destaque (embora não sejam tecnicamente considerados refugiados), estão os haitianos.

Existem no Brasil, atualmente, 8,4 mil refugiados legalizados. No Conare – Comitê Nacional para os Refugiados, órgão do Ministério da Justiça, há ainda 12,6 mil solicitações de refúgio.

O ACNUR, que tem escritório em Brasília, trabalha com várias entidades de apoio aos refugiados, como as instituições Caritas, ligadas às Arquidioceses do Rio de Janeiro e de São Paulo.

Em entrevista exclusiva para a Sputnik Brasil, a assistente social Aline Thuller, coordenadora da Caritas-Rio, explicou como funciona a instituição e de que forma ela atua para que os refugiados obtenham documentos, empregos, moradia e auxílio financeiro para se manterem na cidade.

Sputnik: A questão dos refugiados na Europa, no mundo, no Brasil, está na ordem do dia. Na Europa o fenômeno se acentua com um número cada vez maior de refugiados, em sua maioria vindos da África e do Oriente Médio. E no Brasil a situação também é muito intensa, com o Brasil recebendo refugiados de vários países, como, por exemplo, Síria e Haiti. Como a Caritas-Rio trabalha com os refugiados?

Aline Thuller: Trabalha atendendo refugiados desde 1976, especialmente em três frentes de ação, que são: o acolhimento, o primeiro momento da chegada destas pessoas à instituição; a proteção legal, ou seja, garantir, em primeiro lugar, que eles não sejam devolvidos ao país de origem, que possam acessar o processo legal para solicitação de refúgio e acessar também toda a documentação a que eles têm direito; e, em terceiro lugar, trabalhamos com a integração local, que é tentar garantir estratégias para que eles possam reconstruir a vida no Brasil, encaminhando para saúde, educação, assistência, trabalho, capacitação profissional e outras.

S: A senhora vê possibilidade de comparar a situação dos refugiados no Brasil com os da Europa?

AT: Comparando em números, nós temos números muito menores do que a Europa, até porque historicamente a Europa recebe refugiados há muito mais tempo que o Brasil. Temos também a diferença de como eles chegam ao país. No caso do Brasil, a maioria vem de avião, diferente da Europa, na qual vemos hoje muitos chegando de navio, arriscando suas vidas. No Brasil, felizmente, não vivemos este drama, temos alguns que chegam de navio, mas a grande maioria chega de avião. Temos outro diferencial, que é a recepção: hoje sabemos que os países da Europa estão fechando suas fronteiras, e felizmente o Brasil mantém suas fronteiras abertas para a entrada dessas pessoas. Todos eles chegam ao Brasil e têm o direito, garantido pela lei, a solicitar o refúgio e acessar a documentação e todos os direitos que o solicitante de refúgio tenha. Por mais que o drama seja o mesmo e a razão da saída seja a mesma, os sírios que saem e vão para a Europa fogem pela mesma razão que os sírios que chegam ao Brasil. Viveram o mesmo drama e os mesmos problemas, mas, felizmente, os que chegam aqui ainda conseguem encontrar uma fronteira aberta e uma possibilidade de se documentar e de recomeçar a vida no Brasil. Os refugiados no Brasil têm encontrado muita solidariedade dos brasileiros, uma receptividade e apoio da população do Brasil. (sputniknews.com)

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