Nigéria marcha pela libertação das meninas raptadas pelo Boko Haram

(AFP)
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Há 500 dias, 276 estudantes foram sequestradas pelo Boko Haram na Nigéria. O destino da maioria continua incerto, apesar da pressão sobre o Governo e as promessas do Presidente. Uma marcha de apoio aconteceu hoje.

Esta quinta-feira (27.08), os familiares das estudantes assinalaram o sequestro numa grande marcha em Abuja, organizada pelo movimento “Bring Back Our Girls” (em português: “Tragam de volta as nossas meninas”).

500 dias depois, o grupo de ativistas nigerianos continua a pedir o mesmo – a libertação de 219 meninas sequestradas pelo grupo radical Boko Haram, na localidade de Chibok.

Aisha Yesufo é a porta-voz do movimento: “Estamos cansados de vir para aqui todos os dias, de fazer exigências, não havendo ainda quaisquer sinais das meninas. É muito deprimente, mas não podemos perder a esperança de que as vamos encontrar. Vamos continuar a lutar. Ao mesmo tempo, custa ver que o mundo segue o seu caminho, pronto para esquecer estas 219 almas.”

O exército nigeriano diz que sabe onde estão as raparigas. Mas os militares consideram que uma operação de resgate poderia pôr as vidas das estudantes em perigo.

Desconfiança em relação ao Governo

O novo Presidente da Nigéria prometeu acabar com a insurgência do Boko Haram. Segundo Muhammadu Buhari, a guerra contra o grupo radical só poderia ser vencida se as meninas fossem libertadas. Mas, nas ruas de Abuja, a capital nigeriana, há quem duvide do empenho do Governo nigeriano para encontrar as estudantes, 500 dias depois.

Um cidadão diz o seguinte: “ainda é difícil julgar se o Governo atual está funcionar ou não. Não sei se estas meninas ainda estão vivas.”

Outro está desconfiado, afirmando que “ninguém é sincero. Se houvesse sinceridade, estas meninas já teriam sido libertadas.”

Apelos da ONU

Uma jovem também está cética, mas dá um voto de confiança ao novo Presidente: “Não acredito em tudo o que leio nos jornais, mas acredito que o Presidente Buhari pode fazer alguma coisa, se quiser. Deixem-no ajudar-nos.”

A ex-ministra da Educação, Obi Ezekwesili, líder da campanha “Bring Back Our Girls”, diz que é preciso fazer mais para encontrar as raparigas nigerianas: “Se houvesse esforços concertados para o resgate e objetivos claros, estas meninas já estariam em casa.”

Esta semana, de visita à Nigéria, o secretário-geral das Nações Unidas afirmou que os raptos levados a cabo pelo Boko Haram são “intoleráveis”. Ban Ki-moon renovou o apelo à libertação das meninas, 500 dias depois de elas serem sequestradas. (dw.de)

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