Museus são fundamentais na transmissão de conhecimentos sobre as comunidades angolanas – Director Nacional dos Museus

Ziva Domingos, Director Nacional dos Museus (Foto: D.R.)
Ziva Domingos, Director Nacional dos Museus (Foto: D.R.)
Ziva Domingos, Director Nacional dos Museus
(Foto: Angop)

O Director Nacional dos Museus, Ziva Domingos, destacou, em entrevista à Angop, o facto de os museus serem os principais guardiões da memória colectiva e da identidade cultural dos povos, transformando-se em escolas de transmissão de conhecimentos sobre os hábitos e costumes das comunidades.

Angop: Director que avaliação se pode fazer do estado actual dos museus angolanos?

Ziva Domingos (ZD) – São 40 anos de muita luta, 40 anos de muitos desafios. Aliás, se olharmos um pouco a historiografia dos museus de Angola veremos que estamos também a completar 40 anos. Os museus começaram a surgir, basicamente, depois da independência, isto em 1976, com o Museu Nacional de Antropologia. Foi neste ano que começamos a ter uma rede mais consistente dos Museus de Angola. Digamos que houve muita evolução, olhando para trás, porque, a partir da legislação, da Lei do Património, desenvolver o Estatuto Geral dos Museus, factor que permitiu com que os museus fossem reconhecidos e ganhassem um estatuto próprio.

Com as bases criadas, os museus têm respondido aos desafios da sociedade. Não digo que já atingimos o ideal, mas diria que estamos a caminhar para que se tornem, de facto, em instituições capazes de contribuir na afirmação e desenvolvimento de Angola.

Angop: Sabe-se que, no âmbito das acções do Executivo de construção e reconstrução de infra-estruturas culturais, existe um plano para a recuperação e reforço do acervo museológico. Do diagnóstico feito, qual é, nesta altura, a maior necessidade dos museus angolanos?

ZD – A maior necessidade passa, naturalmente, pela capacitação dos técnicos. Estamos num ramo das ciências humanas e sociais e nem sempre recebe a atenção devida em termos de formação de quadros. E concorre a isto o facto de a juventude não se rever muito nesta área do saber, fazendo com que os nossos museus tenham e vivam actualmente com dificuldades de especialistas. Ao longo dos anos trabalhamos com os técnicos, aliás, devo reconhecer e agradecer pelo empenho e dedicação dos mesmos para que os museus tenham a imagem que têm hoje, com algumas capacidades limitadas em termos de conhecimentos nas áreas de museologia, museografia, gestão do património, havendo, portanto, uma necessidade de continuarmos a capacitar os quadros como forma de dotarmos as instituições de pessoal com nível superior de formação e conhecimentos teóricos e práticos.

Apesar de haver um movimento de jovens que estão a sair da Faculdade de Ciências Sociais da Universidade Agostinho Neto, as instituições museológicas ainda carecem de técnicos especializados muito bem dotados para atender as necessidades que se impõem. Mas continuamos a motivar os jovens e procurar formas de capacitar os que temos à disposição. Fizemos um levantamento que levou os ministérios da Cultura e do Ensino Superior a trabalharem conjuntamente para dar resposta às necessidades dos museus, com a atribuição de bolsas de estudos para os nossos profissionais.

Angop: Em relação às infra-estruturas, nesta altura estão a ser edificados Depósitos Centrais nos museus do Dundo e de Antropologia. Como ficará a questão do acondicionamento de peças nos demais museus?

ZD – Além destes dois projectos, temos também o do Museu de História Natural, que vai entrar numa fase de renovação. Há um estudo feito e com o trabalho já na fase inicial em relação à requalificação do edifício passaremos a parte técnica e científica, que é a renovação da própria exposição e dos depósitos e laboratórios. Tudo está a ser feito para que em 2016 o projecto seja executado e, desta forma, termos uma instituição à altura das necessidades do público.

Relativamente ao Museu Regional da Huíla, o Governo local já manifestou a intenção de trabalhar com o Ministério da Cultura no sentido de se edificar uma nova infra-estrutura museológica. No mesmo caminho está o Museu Nacional de Arqueologia (Benguela), um processo que já se arrasta há muitos anos. Há empresas que manifestaram o interesse em trabalhar connosco para a renovação da instituição. Mas mesmo nas actuais condições tem promovido algum trabalho de pesquisa e escavações arqueológicas.

Angop: Em função do processo de escavação arqueológica que está a ser submetida à cidade de Mbanza Congo, antiga capital do Reino do Congo e actual capital da província do Zaire, no âmbito do processo de inscrição na lista do património cultural mundial, qual será o futuro do Museu dos Reis do Congo?

ZD – O Museu dos Reis do Congo deverá ser repensado. Se queremos inclui-lo no quadro da dinâmica do património mundial, há todo um trabalho de reflexão a ser feito. Foram feitas escavações arqueológicas e com resultados bastante satisfatórios e cujo acervo será colocado no referido museu. A estrutura actual não tem e nem terá capacidade para receber o acervo todo, razão pela qual se deverá pensar na construção de uma outra infra-estrutura que poderá surgir com outra denominação. O Museu dos Reis do Congo em termos biográficos é limitado. Portanto, deveremos pensar em algo com uma outra dimensão.

Angop: Como instituições guardiães da história, hábitos e costumes dos povos, estão dotados, quer em termos de acervo museológico quer de pessoal, para atender o público?

ZD – Estão. Falta-nos apenas procurar formas de divulgarmos cada vez mais o que temos em termos de riqueza do acervo museológico, razão pela qual estamos a trabalhar na edificação de depósitos para podermos acomodar em melhores condições o acervo dos museus que possa ser utilizado com frequência. Neste momento, o acervo do Museu Nacional de Antropologia exposto não constitui 20 por cento do que existe. O grosso da colecção está guardado na cave do Museu de História Natural. Quando o depósito estiver concluído, podemos ter à disposição do público exposições com cerca de quatro mil peças que retratam as mais variadas facetas do quotidiano angolano.

Em condições normais, os nossos museus podem promover uma outra dinâmica em termos de rotação das exposições temporárias e permanentes que vão permitir ao público conhecer melhor as riquezas culturais angolanas.

Falando concretamente dos museus do Dundo e de Antropologia, a partir de 2016, terão as condições necessárias para dar ao público tudo quanto existe da realidade cultural angolana, diversificando as suas ofertas e dando ao público a oportunidade de se manter informado e educado culturalmente.

O trabalho que está a ser feito ocorre dentro de uma estratégia muito clara e consolidada da mediação cultural de levar a riqueza ao povo e convidar o povo a descobrir cada vez mais os traços culturais do país.

Angop: Que acções têm sido desenvolvidas para os museus atraírem mais público?

ZD – Os museus têm promovido algumas acções de sensibilização junto das escolas, que em período de férias levam os estudantes a promover visitas guiadas. Mas não basta só nos limitarmos às escolas.

Mas o processo deve também passar por uma estratégia conjunta com os ministérios da Comunicação Social e do Turismo, para melhor divulgação da importância dos museus na preservação da história dos povos. Os museus constituem hoje instrumentos e instituições que podem entrar na dinâmica de diversificação da economia. É necessário desenvolver o turismo cultural, uma vertente em que os museus marcos determinantes para se atrair mais turistas, quer nacionais como estrangeiros. A estratégia deve passar pelo alargamento do leque dos parceiros, para que os museus sejam cada vez mais conhecidos.

Angop: Senhor director, os nossos museus estão dotados de meios/equipamentos para evitar que os visitantes saiam sem levar nada escondido?

ZD – Equipamentos electrónicos não, mas nos últimos anos foi feito um trabalho de sensibilização junto do público para melhor preservamos a nossa história cultural. Se olharmos para os anos de 1990 e compararmos com a situação actual, há uma grande melhoria em torno da segurança dos museus. Os roubos diminuíram e cada vez mais o pessoal é formado e começa a entender o que é deontologia profissional. Outro mecanismo de segurança tem sido o factor de o país ratificar os instrumentos internacionais, permite que os técnicos percebam a importância da salvaguarda do acervo dos museus, aumentando a consciência do público sobre a necessidade de se garantir que a história do país deve ser preservada.

Devo, no entanto, reconhecer que somente estas acções não são suficientes, havendo a necessidade de se recorrer, actualmente, aos meios electrónicos para garantir a segurança das nossas instituições museológicas. Estamos a trabalhar que isto aconteça o mais breve possível, para melhor protegermos o acervo dos museus angolanos.

Angop: Já se fez inventariação de peças retiradas ilegalmente dos museus angolanos?

ZD – Em termos de número, não podemos quantificar. Mas é um desafio que temos em mãos. Não, porque a maioria dos nossos museus não têm o inventário actualizado, não sabendo o número exacto de peças existentes no acervo. Este desafio será ultrapassado quando tivermos concluído o trabalho de inventariação do acervo dos museus, uma acção que está a ser levada a cabo, tendo em conta a edificação dos depósitos centrais. Com os depósitos construídos, os museus poderão ter o seu acervo muito bem arrumado, inventariado e protegido.

A actualização do inventário dos museus é, nesta altura, a principal tarefa da Direcção Nacional dos Museus, não só manualmente mas de forma informatizada para que possamos ter uma base de dados personalizada.

Angop: Em função da cooperação/convénios com instituições internacionais, quantas peças retiradas dos museus angolanos foram recuperadas e quantas foram detectadas em colecções ou instituições privadas no estrangeiro?

ZD – Temos apenas uma peça recuperada nos anos de 1990. Mas é necessário também reforçar que o processo de recuperação de peças museológicas retiradas ilicitamente em museus angolanos e não só requer determinadas etapas e que levam tempo. É necessário que se faça primeiro um levantamento do número de peças, onde estão, como estão salvaguardadas e a partir daí desencadear um mecanismo de negociação com as entidades colectivas/individuais que têm sob seu poder as peças museológicas.

Sabemos onde as peças estão e a nossa estratégia assenta na identificação e registo do acervo para poder, depois, desencadear os mecanismos necessários para a sua recuperação.

Mas temos que estar conscientes de que recuperar o que está lá fora não é um processo fácil, porque a maioria do acervo angolano, em particular, e em geral o africano, que está nos museus ocidentais faz parte, hoje, destes museus. O processo não é fácil e exige uma diplomacia, uma negociação com as instituições onde se encontram, no sentido de, numa primeira fase, conseguir recuperar a documentação, trabalhar num projecto de investigação científica com as instituições em causa, e, numa segunda fase, para a recuperação física, provar que temos condições de segurança para a protecção do acervo.

Para este processo, podemos utilizar as Convenções da UNESCO, entre as quais a de 1970, e outros diplomas internacionais que tratam da questão da protecção e recuperação das peças localizadas fora dos museus angolanos.

Angop: O que é necessário para que uma instituição ganhe o estatuto de museu?

ZD – Existem normais que definem o que é uma instituição museológica. O Conselho Internacional dos Museus define os caminhos necessários para tal. Para ser um museu, deve primeiro ser um estabelecimento aberto ao público, que tenha capacidade de preservar o acervo e promover trabalhos de investigação científica que o acompanha. Meios humanos, materiais e financeiros são outros itens a serem levados em conta. Tendo as condições enumeradas caberá a Direcção Nacional dos Museus e ao Conselho Internacional dos Museus fazer a avaliação e consequente validação do pedido. Há uma dinâmica que pode definir, tendo em conta os termos de referências estabelecidos.

Angop: Que caminhos são percorridos para a renovação/enriquecimento do acervo dos museus?

ZD – A prioridade é criar condições para melhor conservar e valorizar o que existe e posteriormente fazer a análise das condições para descobrirmos as lacunas existentes. É necessário um trabalho profundo de colecção por colecção para sabermos se todas as províncias ou todos os grupos étnicos estão equitativamente representados no nosso acervo museológico e só poderemos definir prioridades em termos de uma recolha coerente de novo acervo. Caso contrário, vamos continuar a recolher, mas recolher as mesmas coisas, sem diversificação.

O essencial é concluir os grandes projectos do sector, entre os quais a construção dos depósitos centrais e a partir daí trabalhar-se seriamente no processo de enriquecimento do acervo dos distintos museus.

Angop: O processo de recolha e renovação do acervo dos museus tem contado com a contribuição das comunidades?

ZD – Sim. E em função do que se pretende para o futuro dos museus, esta participação será ainda mais abrangente. As comunidades são os nossos primeiros parceiros. Quem conhece o acervo museológico melhor do que nós são as comunidades. Os museus estão a gerir um património que vem das comunidades. Portanto, temos um interesse de envolver as comunidades nas políticas de recolha, conservação e promoção, pois são elas que têm as informações verídicas sobre a história das peças museológicas. É uma parceria natural que leva a que os museus a veicular a verdadeira mensagem que as peças transmitem.

Angop: O país ganha brevemente uma nova infra-estrutura museológica. Estamos a falar do Museu da Moeda e o Museu das Telecomunicações. A concepção desta instituição contou ou conta com o parecer ou intervenção dos técnicos do sector?

ZD – Sim. Os técnicos do Ministério da Cultura fazem parte dos grupos técnicos criados para o acompanhamento da execução física das referidas instituições que poderão abrir as suas portas ao público muito brevemente.

Felizmente, a cultura tem uma palavra a dizer e neste caso estabelece os parâmetros a serem seguidos para que estas instituições sejam dignas e que possam representar, de facto, a cultura angolana.

Angop: E sobre os instrumentos legais para a melhor gestão dos museus, como estão?

ZD – Estamos em bom plano. Temos a Lei do Património Cultural, de onde conseguimos extrair o Estatuto Geral dos Museus e daí os estatutos orgânicos dos museus. Mas temos um instrumento fundamental sob o qual estão a trabalhar neste momento, que é a Lei Quadro dos Museus. É uma Lei própria dos museus. Existe um grupo técnico a trabalhar sobre uma proposta que deverá ser enriquecida através de um estudo comparado, olhando um pouco pelas leis dos museus de países como França, Portugal, Brasil, Cuba para que tenhamos uma proposta que seja mais consensual, que possa atender as preocupações, não só dos próprios museus mas, sobretudo, do público que gosta de visitar os museus. É um instrumento que vai estabelecer as bases do funcionamento dos museus em Angola.

Aprovada esta Lei, poderemos trabalhar em outras para a criação do Sistema da Rede Angolana dos Museus, para que possamos saber situar os museus privados ou públicos.

Angop: Fruto das novas tecnologias, que futuro se espera para os museus angolanos?

ZD – Hoje todas as instituições são obrigadas a fazer uso das novas tecnologias de informação e os museus não fogem à regra. Hoje, fala-se das exposições virtuais, o processo de inventariação informatizada para colocar em linha as suas colecções e suscitar a curiosidade do público. Só temos a ganhar com a utilização das novas tecnologias de informação, quer seja para o processo de inventariação, como para a segurança da instituição em si, bem como para as técnicas de mediação ou valorização do acervo. As novas tecnologias estão a ditar regras também no mundo museológico, tornado as instituições mais atractivas.

Os museus angolanos devem continuar a considerar-se actores e participantes activos no desenvolvimento do país, porque sem cultura não poderemos idealizar o país do amanhã. Os museus têm um papel fundamental no processo de educação da população, socializar cada vez a população, sobretudo os jovens, para que possam aprender as origens de Angola e onde o país está a caminhar. E se os museus estiverem em condições de fornecer estes itens, teremos uma população bem-educada culturalmente e quanto mais culta mais facilmente poderá dar o seu contributo no desenvolvimento do país.

Principais museus de Angola

Museu Nacional de Antropologia

O Museu Nacional de Antropologia localiza-se no bairro dos Coqueiros, na cidade de Luanda. Fundado em Novembro de 1976, o Museu Nacional de Antropologia foi a primeira instituição museológica criada após a independência de Angola ocorrida um ano antes.

Esta instituição de carácter científica, cultural e educativa está vocacionada para a recolha, investigação, conservação, valorização e divulgação do património cultural angolano. O Museu Nacional de Antropologia é composto por 14 salas distribuídas por dois andares que abrigam peças tradicionais, designadamente utensílios agrícolas, de caça e pesca, fundição do ferro, instrumentos musicais, jóias, peças de pano feitos de casca de árvore e fotografias dos povos khoisan. Para além do seu núcleo permanente, o museu recebe também diversas exposições temporárias.

Museu Nacional da Escravatura

O Museu Nacional da Escravatura localiza-se no Morro da Cruz, na cidade de Luanda. Dedicado à memória da escravidão, é uma destacada instituição cultural do país. Criado em 1977 pelo Instituto Nacional do Património Cultural, com o objectivo de dar a conhecer a história da escravatura em Angola, o Museu Nacional da Escravatura tem a sua sede na Capela da Casa Grande, templo do século XVII, onde os escravos eram baptizados antes de embarcar nos navios negreiros que os levavam para o continente americano.

O museu reúne e expõe centenas de peças utilizadas no tráfico dos escravos. Está instalado na antiga propriedade do Capitão de Granadeiros D. Álvaro de Carvalho Matoso, Cavaleiro da ordem de Cristo.

Museu Nacional de História Natural de Angola

O Museu Nacional de História Natural de Angola localiza-se no Largo do Kinaxixe, na cidade de Luanda. Criado em 1938, como Museu de Angola e instalado na Fortaleza de São Miguel de Luanda, contava inicialmente com secções de etnografia, história, zoologia, botânica, geologia, economia e arte. Anexos ao museu, foram criados uma biblioteca e o arquivo histórico colonial.

Mudado em 1956 para o edifício actual, construído de raiz para albergar o museu, apresenta hoje um amplo acervo de espécies representativas da rica e variada fauna angolana. O edifício tem três andares e alberga amplos salões onde estão exemplares empalhados de mamíferos, peixes, cetáceos, insectos, répteis e aves.

Os espaços estão decorados e ambientados de forma a tentar reproduzir o habitat das espécies. O espólio do museu inclui, também, vastas e ricas colecções de moluscos, de borboletas e de conchas, muitas do tempo em que eram usadas como moeda na costa ocidental africana.

Museu Nacional de História Militar

A Fortaleza de São Miguel de Luanda, com ordem militar, localiza-se no antigo monte de São Paulo, actualmente denominado Morro da Fortaleza, nas proximidades da ponte da Ilha de Luanda. Foi a primeira fortificação a ser erguida em Luanda, no século XVI, durante o governo de Paulo Dias de Novais, primeiramente construída em taipa e adobe, substituídos em 1638 por barro, taipa e adobes.

No século XX, com a extinção do Depósito de Degredados, por Portaria de 8 de Setembro de 1939, a fortaleza foi classificada como Monumento Nacional por Decreto Provincial de 2 de Dezembro do mesmo ano. Nela, veio a instalar-se, no ano seguinte, o Museu de Angola, criado pela portaria n.º 6. Após a independência, em 1979 as dependências da fortaleza passaram a albergar o Museu das Forças Armadas.

Considerado como um dos principais patrimónios edificados da capital e do país, em 1995 sofreu intervenções de conservação no exterior do edifício, encontrando-se bem conservado. De propriedade do Estado, está afectado ao Ministério da Defesa e ao Ministério da Cultura.

Museu Nacional de Arqueologia

Localiza-se na cidade de Benguela e tem um acervo de cerca de 9.150 peças. O edifício funciona numa obra do Século XVII / XVIII, onde os escravos eram armazenados temporariamente, até serem exportados para a América em navios negreiros.

Depois do fim do tráfico de escravos, o edifício passou a pertencer à Alfândega de Angola. Em 1976, foi neste edifício criado o Museu Nacional de Arqueologia para, inicialmente, para conservar os objectos arqueológicos existentes.

Actualmente, o Museu Nacional de Arqueologia controla 47 estações arqueológicas e 8.118 objectos que revelam o passado da humanidade a milhões de anos.

Museu de Etnografia do Lobito

Possui mais de 1.500 peças; 50 das quais representam peças da cultura Lunda-Cókwe. Em 1966, um grupo de portugueses amantes de artes e da cultura angolana, pertencentes à ex-Câmara Municipal do Concelho do Lobito, deliberou por unanimidade a compra de um prédio pertencente ao Banco de Angola pelo preço de 500 mil escudos, a pagar por duas prestações iguais, destinado à instalação do Museu do Lobito. A 28 de Outubro de 1969, deu-se o lançamento do primeiro pilar para a construção do museu.

A 11 Novembro 1978, reabre ao público com a devolução de todo património cultural sob sua guarda. Desde então, o museu continua com as suas actividades, recebendo peças etnológicas de várias partes do país.

Museu Regional da Huíla

O Museu Regional da Huíla conta com total de mil e cem peças etnográficas e mais 300 artefactos diversos. O Museu Regional da Huíla é um edifício adaptado, que apresenta limitações de espaço e conservação do acervo. A divulgação dos costumes e tradições dos habitantes do sul de Angola é a principal aposta da direcção do museu.

Museu Regional da Huíla tem, actualmente, cerca de 2 mil peças etnográficas, das quais 300 em exposição. Também possui peças deixadas por portugueses que colonizaram o sul do país.

Museu Regional do Dundo

O Museu do Dundo, localizado na capital da Lunda Norte, foi criado em 1936 pela então denominada Companhia de Diamantes de Angola (Diamang). Foi a primeira instituição do género criada em Angola. Em 1942 adopta a designação de Museu Etnológico.

Em 1946 inicia a edição desta colecção, tendo contado com a especial participação de José Redinha (curador do Museu – etnólogo e estudioso dos povos de Angola) e com a participação de inúmeros autores nacionais e estrangeiros.

O Museu Regional do Dundo ressurgiu modernizado a fundo, em Agosto de 2014, após um período de encerramento para reabilitação e renovação. O Museu reabriu as portas com visíveis melhoramentos no seu edifício central, mas também nas estruturas externas, com salas de exposição melhor apetrechadas, novas vitrinas para melhor aconchego e exibição das peças arqueológicas – um cenário que proporciona aos visitantes maior à vontade nas consultas ao seu acervo.

E há muito a consultar no Museu do Dundo que, se antes já estava situado entre “os maiores e melhor apetrechados de Angola e de África a Sul do Sahara”, reforçou essa condição, organizado em áreas de etnografia, história natural, arqueologia e paleontologia. Possui 14 salas de exposições (12 permanentes, uma temporária e outra de folclore), com uma colecção de cerca de 10 mil peças, 818 das quais estão expostas a tempo inteiro.

As diferentes áreas do museu descrevem a vida quotidiana, cultural e a organização político-social dos povos Lunda/Cokwe, com uma biblioteca com cerca de 35 mil livros ligados, sobretudo, à etnografia, arqueologia, filosofia, biologia e história natural. Uma sala multimédia está preparada para projecção de filmes, fornecendo as mais variadas informações sobre os habitantes do Leste de Angola, a qual se junta um laboratório de biologia.

Mundialmente conhecido pelo seu acervo em arte Lunda/cokwe, possui documentação composta por centenas de relatórios dos diferentes serviços da Companhia de Diamantes de Angola (Diamang), cobrindo detalhadamente cerca de meio século da ocupação colonial da área. O acervo compreende ainda milhares de fotografias e outra documentação relativa à vida cultural das populações do Leste de Angola.

A grande atracção do museu é a célebre máscara Mwana Pwo (Jovem Mulher), em exibição na sala reservada às Artes e Actividades Lúdicas, onde existe ainda uma grande variedade de outras máscaras lúdicas, máscaras de dança Mukixi, instrumentos musicais tradicionais, cintos de dança femininos, jogos e esculturas em madeira, como estatuetas, representando bailarinos ou mulheres repousando.

O Museu do Dundo foi fundado na época colonial pelo antropólogo cabo-verdiano Augusto Mesquitela Lima, neto do governador de Cabo Verde em 1913, Bernardo Mesquitela. Este museu é um importante centro da exploração de investigação na África Central, nas áreas da arqueologia e etnografia, sendo mundialmente conhecido pelo seu acervo em Arte Cokwe.

Museu Regional de Cabinda

Um museu muito interessante para quem quer saber a história do povo cabinda. Tem 3 salas que descrevem as tradições pre-coloniais, o tempo colonial, tradição de feitiço e uma sala separada com objectos de uso diário.

Actualmente no museu estão representados acervos que simbolizam o poder tradicional, objectos de uso doméstico, bem como representações de aspectos etnográficos, antropológicos, bem como da história da região.

Museu Regional do Huambo

O Museu Regional do Huambo foi criado em 1948 pela Câmara Municipal de Nova Lisboa, com o objectivo de recolher dados de carácter etno-museológicos e conhecimentos de usos e costumes da região do planalto central, incluindo as províncias do Bié, Benguela, Cuanza Sul e Cuando Cubango.

Museu dos Reis do Congo

O edifício principal, que alberga o Museu dos Reis do Congo, foi no passado uma residência real construída em 1903, até a última sucessão do trono ocorrida na década de 60.

Após a independência nacional, a residência tornou-se como Museu do Reino do Congo. O recinto permaneceu encerrado anos depois devido ao conflito armado, tendo reaberto de forma definitiva em 2007, após beneficiar de obras de restauro e ampliação, passando desta feita a designar-se Museu dos Reis do Congo. (portalangop.ao)

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