Morreu Jorge Gonçalves, o “bigodes” das “unhas”

Jorge Gonçalves (Foto: D.R.)
Jorge Gonçalves (Foto: D.R.)
Jorge Gonçalves
(Foto: D.R.)

Jorge Gonçalves foi encontrado morto na terça-feira em Luanda por enforcamento, segundo revelou a polícia angolana.

Jorge Gonçalves entrou para a história do Sporting ainda antes de ser presidente, quando aterrou no aeroporto da Portela, proveniente de Amesterdão, acompanhado de Frank Rijkaard, com um leão de peluche em cima da bagagem. O holandês seria a primeira “unha” prometida pelo “Bigodes”, que, poucos meses depois, seria eleito o líder máximo do clube após uma campanha de promessas que alimentou os sonhos dos sportinguistas. Do sonho ao pesadelo em menos de um ano: Jorge Gonçalves saiu do cargo meses depois, nunca se livrando da fama de ter conduzido o clube ao desastre financeiro, algo que negou. Até ao dia da sua morte.

Jorge Manuel Alegre Gonçalves foi encontrado sem vida na última madrugada no quarto de um resort em cabo Ledo, a cerca de 120 quilómetros de Luanda, Angola. O empresário enforcou-se no seu quarto, tendo sido encontrado por um funcionário do hotel onde estava alojado desde o dia 9 deste mês. As autoridades estão a investigar o caso.

Nascido em Angola, Gonçalves fez fortuna como despachante alfandegário, tendo sido, igualmente, campeão português de vela, mas foi durante o seu curto mandato como presidente do Sporting que se tornou famoso. E infame.

Em 1987, Rijkaard já era um nome forte do futebol europeu, médio de enorme talento do Ajax e da selecção holandesa. Jorge Gonçalves tinha uma autorização da direcção do Sporting, liderada por Amado de Freitas, para negociar o holandês com o Ajax. Os “leões” não tinham condições para comprar o jogador e Gonçalves recorreu a uma instituição de crédito para financiar o negócio. Rijkaard foi apresentado e ainda cumpriu uns treinos, mas nunca jogou. O Sporting não conseguiu inscrever o jogador, emprestou-o ao Saragoça, de onde saiu para o AC Milan, juntando-se aos seus compatriotas Gullit e Van Basten.

Gonçalves seria eleito como presidente do Sporting a 24 de Junho de 1988, derrotando por larga margem os outros candidatos. Foi às custas das “unhas” que prometera para o “leão”. Rijkaard não ficou, mas foram chegando, entre outros, o sueco Eskilsson, o uruguaio Rodolfo Rodríguez, o ex-benfiquista Carlos Manuel, e os brasileiros Silas, Douglas e Ricardo Rocha. Também da América do Sul veio o treinador, o uruguaio Pedro Rocha, que sairia à 24.ª jornada. Vítor Damas foi o interino na transição para Manuel José. Os resultados foram medíocres: quarto lugar no campeonato, eliminação nas meias-finais da Taça de Portugal e na segunda eliminatória da Taça UEFA.

Um ano depois, o clube entra em novo processo eleitoral, devido a várias demissões na direcção, e Jorge Gonçalves é copiosamente derrotado por Sousa Cintra. Pouco tempo depois, acabou detido pela Polícia Judiciária, mas nunca chegou a julgamento. Quando foi libertado, Gonçalves fugiu para Angola, onde também chegou a ser detido por dívidas fiscais.

O ex-presidente sempre refutou as acusações de ter deixado o Sporting ingovernável e dizia mesmo que era o clube quem lhe devia dinheiro, referente à venda de Rijkaard para o Milan, apontando alguns dos seus sucessores, principalmente Sousa Cintra e José Roquette, como os principais responsáveis pelo descalabro financeiro do clube.

Com o passar dos anos, voltou a ser presença regular em Alvalade e era voz frequentemente ouvida sobre os assuntos do clube. Andava em Alvalade de cabeça “bem erguida”, como dizia numa entrevista ao jornal A Bola. E nunca perdeu o bigode. (publico.pt)

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