Márcia Barros: “A BBS é uma Escola de Negócios com cursos de Mestrado profissionalizante para Executivos”

Márcia Barros, BBS (Foto: D.R.)
Márcia Barros, BBS (Foto: D.R.)
Márcia Barros, BBS
(Foto: D.R.)

Boa parte dos alunos da Escola Internacional de Negócios, vulgo BBS, dá nota positiva aos cursos de Mestrado profissionalizante, ministrados por esta instituição estabelecida em Luanda, desde 2006, tendo lançado para a vida activa até ao momento, cerca de 400 Executivos, alguns dos quais são hoje grandes empreendedores e gestores em várias áreas de negócio.

A condição base para a frequência, é uma licenciatura adaptável aos cursos ministrados. A saber: Gestão financeira e bancária; Gestão de projectos; Compliance; Marketing; Negociação e Vendas e Seguros.

Os preços são para quem pode. Cada um dos cursos custa 25.300 dólares, repartidos em 15 mensalidades. O curso finaliza com um estágio de duas semanas no Brasil, com direito a certificação internacional.

O Portal de Angola foi ao encontro de Márcia Barros, a gestora do projecto, para a entrevista que a seguir reproduzimos:

Portal de Angola – Como é que caracteriza a BBS, em termos pedagógicos?

MÁRCIA BARROS – É uma escola internacional de Negócios, de origem brasileira, com sede em S. Paulo e filial em Angola.

Todos os professores são brasileiros. Eles vêm cá uma vez por semana, para ministrarem aulas de segunda a sábado.

Por sua vez, os alunos da BBS vão para o Brasil numa acção de intercâmbio obrigatório, que consta no plano de estudos.

A BBS possui extensões em Setúbal, Luxemburgo, Nova York e Barcelona. Lecciona módulos opcionais que os alunos podem fazer e adquirir certificação, através destas escolas que estabeleceram parcerias connosco nessas localidades da Europa e da América.

A BBS iniciou com um grupo de executivos que gostam de Educação.

Começamos em 1999 lá no Brasil, no ano de 2005, com um dos sócios, que na época tinha negócios aqui em Angola.

Foi a partir desse facto que nasceu o interesse pela realização dos cursos de MBA aqui em Luanda.

Conhecido fora de Angola como Master Business Administration, o MBA é caracterizado por cursos de Mestrado profissionalizantes. Nós não somos académicos. Somos lato sensu, não stricto sensu. Nos Estados Unidos, o MBA lato sensu tem enorme importância, por ser dirigido a profissionais.

(Foto: D.R.)
(Foto: D.R.)

Não é para quem esteja engajado, no ramo académico. Se você é um gerente e necessita de fazer um upgrade para fazer carreira como director, gestor o curso confere-lhe todas as possibilidades de conhecimento. É generalista. Não é como um curso específico de pós graduação em contabilidade.

O MBA tem todas as áreas, tudo o que uma empresa precisa de saber. Você vai aprender liderança, para poder chefiar os seus funcionários; contabilidade para manter a sua área contábil em dia, através do computador; Análise financeira, para você saber como investir o seu dinheiro; o Marketing para saber onde divulgar a sua escola; onde fazer propaganda da melhor maneira. E por aí adiante.

PA -E qual é a condição base para a frequência dessa escola de Negócios?

MB– Os alunos têm que ser licenciados, se possível já com uma experiência de trabalho de cinco ou seis anos. Isso porque o nível dos nossos estudantes são na maioria, pessoas que desempenham um cargo elevado, na sua empresa. Muitos trabalham e também têm um negócio paralelo.

Então o nível de alunos duma classe tem de ser superior, já com uma certa idade (de 35 a 40 anos ou mais), com experiência de liderança, pretendendo pleitear para um patamar mais elevado, em termos de conhecimentos.

A BBS obteve no final de 2005 aprovação do MEC no Brasil, para ministrar as aulas e aí nós entramos em Luanda, no ano seguinte, com a primeira turma.

PA – …Com quantos alunos?

Alunos diplomados pela BBS (Foto: D.R.)
Alunos diplomados pela BBS
(Foto: D.R.)

MB – Vinte alunos. Em Outubro conseguimos a segunda turma e assim foi acontecendo o nosso trabalho.

Basicamente em cada ano constituímos duas turmas. Até 2010, nós só tínhamos MBA, de Finanças e Negócios. Em Outubro de 2010, eu assumi a gestão oficial da BBS, com o MBA de Gestão de projectos e de Recursos Humanos.

PA-Portanto só leccionam neste momento três cursos?

MB – Sim. E agora, a partir do segundo semestre, com a parceira do Instituto Politécnico de Setúbal, nós vamos iniciar o mestrado académico, para todos os nossos alunos já formados. Vão poder participar, aqueles que querem fazer o mestrado académico e concluírem o curso com duas titulações: o MBA (lato sensu) e o mestrado académico ( strictu sensu). Esse mestrado aí vai ter a duração de um ano e meio a dois anos.

É mais longo, por causa da dissertação, da defesa de tese, que requer muito mais dedicação, durante um ano.

PA– A cerimónia que assistimos, comportou quantos alunos?

MB – Foram 32 alunos, da turma de Finanças e Negócios. Tivemos uma formação em Outubro passado, para 62 alunos.

Este acto de formatura é composto por alunos que já foram ao Brasil, e terminaram a sua graduação. Então, para eles não esperarem o acto solene até ao final do ano, decidimos organizar duas formaturas (uma agora e outra para o final do ano) com a turma de Finanças, de Talatona (aberta o ano antepassado, já com 2 turmas).

PA– Quer dizer que os cursos BBS são, essencialmente, direccionados a executivos?

MB – Exactamente. As pessoas que já têm um objectivo focado no trabalho, e não na parte académica, que vai arrancar apenas a partir de Junho.

PA– De 2006 até hoje quantos alunos foram formados?

MB – Entre 350-400 alunos..

PA– Casos de sucesso?

Equipa docente e administrativa da BBS (Foto: D.R.)
Equipa docente e administrativa da BBS
(Foto: D.R.)

MB – Temos alunos que já abriram o seu negócio (pessoas de nome, que eu não posso citar aqui), mas que através de trabalhos elaborados na BBS, lançaram-se na vida empresarial, com sucesso. Pessoas que se lançaram na floricultura, abriram salões de cabeleireiro, e investiram na distribuição de água. distribuidora de água, depois de terem concluído o MBA.

Quer dizer: em Angola, alguns gestores e empresas já estão a valorizar imenso o MBA. Porquê? O aluno chega com o mestrado académico, numa empresa, tem a base teórica mas não a base prática.

Luanda, em termos académicos ainda não tem o seu estatuto MBA. Tem pós-graduação. Por isso é que o MBA é um curso internacional, certificado no Brasil. Aqui pagamos todos os nossos impostos, tudo para a escola ir funcionando em Luanda, mas o curso é internacional. Os nossos professores vêm para cá ministrar aulas e transmitir toda a sua experiência, aos angolanos.

PA– Com isso quer dizer que a certificação dos vossos cursos é praticamente concedida pelo Brasil?

MB – Sim . Os alunos que pretendam fazer um outro tipo de curso ou até mesmo leccionarem na Agostinho Neto, a certificação passa pelo consulado angolano, autenticada e a Universidade Agostinho Neto dá as equivalências aqui. É desta forma que a gente trabalha…

PA – Em média, quanto é que custa um curso MBA?

MB – O valor hoje está orçado em 25.300 dólares e é diluído em 15 parcelas mensais. Você dá uma entrada e depois tem as mensalidades. E já está incluso a parte da viagem ao Brasil, que é obrigatória, com duração de duas semanas. Os alunos ficam hospedados num excelente hotel, na zona contígua aos jardins da Escola BBS, com direito a transfer (a gente vai buscar os alunos no aeroporto, levamos até ao hotel). As visitas técnicas são realizadas também com transporte nosso, incluindo subsídio de alimentação. Os alunos têm todo o aparato enquanto estão no Brasil, nas duas semanas.

PA – Portanto, a relação custo/benefício é aceitável, dentro daquilo que é o padrão universal dos cursos do género?

Família Feliz (Foto: D.R.)
Família Feliz
(Foto: D.R.)

MB – Sim, é aceitável. Se compararmos o preço de Angola com o Brasil (onde algumas escolas maiores, com valores mais caros também) e mesmo os Estados Unidos, o nosso curso é muito bom.

Os nossos professores são todos provenientes de escolas de renome. Então a qualidade do curso é muito boa. O que eu mantenho é: a qualidade do ensino é primordial.

Registamos aqui o caso de um aluno que plagiou o trabalho e, infelizmente, a desculpa é inaceitável. Não é pelo facto de ele ter pago, que devesse fazer o que fez.

Nós temos regras e elas passam pelo rigor nos procedimentos: ou seja, aqui só passa quem sabe. Não facilitamos!

Tivemos um aluno – aconteceu recentemente, que quis uma facilidade, dizendo: eu já fiz contabilidade na graduação, queria uma equivalência nessa matéria e chorou, chorou e eu disse: então faz a prova. E ele não conseguiu. Ele na graduação tinha contabilidade. A hora que foi ministrada uma prova para ele, não conseguiu fazer. Quer dizer, ele não estava preparado.

Ele precisava fazer o curso para ele estar preparado. Ele falou que fez o curso noutra instituição, e queria que eu lhe desse a equivalência. Mas eu disse, que você tem que me provar, que você realmente sabe. No final convenceu-se de que realmente tinha que fazer a cadeira.

((Foto: D.R.)
(Foto: D.R.)

O Marketing funciona assim: quando você vai mal, se não gosta de uma coisa você dia para 10 pessoas: “aquele local não é bom”. Se você gosta, você fala para um e olhe lá! O Marketing funciona assim: não me adianta nada, você me pagar o curso, eu lhe dar um certificado e você ao mostrar o certificado da BBS, numa entrevista de emprego, se sair mal? Então quem vai ficar mal sou eu.

Esse sujeito fez aquela e ela não transmitiu nada. Pensa: Então para mim não é uma mais valia, eu ter um aluno que está apenas interessado em receber o diploma, um pedaço de papel.

Eu prefiro que ele não receba o pedaço de papel, mas que adquira o conteúdo. É isso que me faz bater na mesma tecla, de que o importante não é o pedaço de papel.

O importante é o conhecimento. Muitas vezes eu tenho uma pessoa tão boa, que trabalha tão bem e não tem um pedaço de papel. E ela trabalha muito melhor do que aquele que foi para a faculdade, que ia para o MBA, mas ia porque a empresa pagou, estava lá, não prestava atenção se grudava do lado do colega, desse jeito: colega, quero o meu nome no seu trabalho e por aí ele foi enrolando, enrolando. Isso para mim não é um bom aluno.

PA – Portanto, esses cursos têm atrás de si, o pormenor da actualização. Será que aqui a BBS já previu na sua acção em Angola, esses aspecto?

MB – Com certeza. O que está acontecendo hoje na nossa economia, já foi falado há três anos atrás pelos nossos professores de economia. Eles já falaram com os alunos o que vai acontecer na Economia, do tipo: vai acontecer isto e aquilo na na economia angolana. Os nossos professores de economia são brasileiros, mas têm livros escritos sobre a economia da África Subsahariana. Estão actualizados sobre o que está acontecendo em Angola. Têm muitos contactos com pessoas, aqui da Universidade Católica, têm livros escritos, a mostrar casos de sucesso no resto do mundo e aqui.

A contabilidade, gerenciamento de projectos, são disciplinas universais que nós leccionamos no MBA. É a mesma língua em qualquer lugar.

O profissional de gestão de projectos sai das nossas mãos habilitado a exercer os seus conhecimentos, e, pode elaborar um enorme projecto na sua empresa, tanto macro, como micro, gerenciamento de risco, de custos, de análise de tempo. Quer dizer ele pode dominar este sector.

PA– E como é que estão os cursos em relação à procura?

(Foto: D.R.)
(Foto: D.R.)

MB – Temos boa procura. Esse ano iniciamos uma turma com 35 alunos de Finanças e Negócios e uma turma com 27 alunos em Gestão de Projectos, que já iniciaram (um a 8 de Março e outro a 23 de Março).

Agora vamos começar a nossa campanha para turmas em Talatona, para meados de Agosto e novas turmas para o final do ano.

Organizamos sempre duas turmas (uma no início e outra no final do ano).

A nossa escola é pequena. Temos um número reduzido de aulas.

O escritório é aqui, mas temos as aulas no edifício AAA e o importante é que a gente conhece os alunos pelo nome.

Não adianta ter uma sala com 60 alunos e metade dela, sem aprender. É melhor ter um número reduzido e o conteúdo ser passado para todos, com os professores poderem falar directamente, com aqueles que têm dúvidas, principalmente nas áreas das Ciências Exactas, Finanças, e Matemática financeira. Graças a Deus, os alunos ficam sempre satisfeitos.

PA – Em relação à extensão por todo o território nacional, que planos existem?

MB – Nós tentamos entrar no Lubango, mas o parceiro que nós conseguimos lá que é da Universidade do Lubango, preferem cursos de curta duração, pelo nível escolar dos alunos, que optam por formação mais técnica.

A experiência demonstrou que há alunos que desistiram de estudar para irem trabalhar, descurando a formação.

Infelizmente o reitor faleceu e o que lá ficou não tinha essa filosofia.

PA – E dum modo geral, por aquilo que já conhecem de Angola, como é que caracteriza o nosso sistema de Educação? É adaptável à filosofia de trabalho que vocês defendem?

MB – Bom, o pouco que eu conheço da parte académica de Angola, vamos dizer assim: o retorno que eu tive de alguns alunos, leva-me a dizer que há muitas vezes, falta de interesse, na conversa entre professor e aluno.

Há uma barreira entre eles. Porque o aluno angolano é mesmo assim: quando ele inicia o curso meio retraído, como quem não sabe o que eu vai enfrentar pela frente.

Existe uma interacção entre professores  e estudantes da BSS (Foto: D.R.)
Existe uma interacção entre professores e estudantes da BSS
(Foto: D.R.)

O professor tem que saber passar. Ele pode ser muito inteligente, mas se não tiver o dom, não souber transmitir, não vai ser um bom professor.

A pessoa que está lá do outro lado, não vai conseguir entender nada. O professor que tiver o dom, amor pela arte de ensinar, consegue cativar uma sala inteira, como até entender o problema pessoal que esse ou aquele aluno está passando.

Quer dizer não é somente o conhecimento: o professor e o aluno têm que ser almas. Eles têm que se adaptar um ao outro e fazer com que aquele convívio em sala de aula se torne uma união muito grande.

E acho que isso às vezes, quando falo com alguns alunos de licenciatura, que eu converso é que às vezes falta um pouco essa interacção, entre ambos.

A opinião do aluno é muito importante. É um sistema de ensino aberto pedagogicamente.

É um sistema de ensino onde há troca. Não é só o professor, que por ter formação superior, só ele é que sabe, não. O aluno sabe muito.

PA – E os profissionais formados aqui pela vossa escola podem ter também acesso ao mercado de trabalho brasileiro?

MB – Sim com certeza. Não só no mercado brasileiro, como também nos EUA, desde que domine a língua para frequência dos cursos de MBA. (portandeangola.com)

 

 

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