Luanda. Cidade integrada

(Foto: D.R.)
(Foto: D.R.)
(Foto: D.R.)

Anteprojecto do Plano Director Geral Metropolitano de Luanda prevê a criação de uma Luanda integrada, com rede rodoviária a facilitar a mobilidade. Documento será já entregue à comissão interministerial, para avaliação e posterior aprovação em Conselho de Ministros.

Cerca de 18 meses depois da elaboração do anteprojecto do Plano Director Geral Metropolitano de Luanda (PDGML) até 2030, criado em 2013, o livro que alberga as soluções das dificuldades que a capital angolana vive será entregue já em Agosto à comissão interministerial da qual fazem parte a Casa Civil, coadjuvada pelos ministérios da Construção e do Urbanismo e Habitação. A comissão foi criada pelo Presidente da República para, durante os próximos três meses, analisar e fazer ajustes – e o subsequente encaminhamento ao Conselho de Ministros para a devida aprovação. A garantia vem da engenheira Neusa Inglês, coordenadora-geral do PDGML.

Um dos principais eixos do PDGML, de acordo com a responsável, foca-se na criação de uma cidade integrada, com uma rede rodoviária funcional. Nesse sentido o plano prevê a concepção de estradas primárias, secundárias e terciárias que liguem de forma harmoniosa os principais pontos da capital do país: «Através de estratégias montadas no plano, pretendemos ligar os pontos cardeais das vias rodoviárias de Luanda de forma vertical e horizontal para que se possa ter mobilidade rodoviária».

Segundo Neusa Inglês, a principal «doença» de Luanda prende-se com a circulação rodoviária. «Ela afecta todos nós. Dentro do projecto vamos tentar dar respostas neste sentido», adiantou.

Questionada sobre a diferença entre os planos já existentes para a modernização da capital do país e o PDGML, a engenheira argumentou que a distinção está na forma de desenvolver uma
cidade integrada. A equipa que coordena «investigou, na maior profundidade possível, todos os projectos já existentes» e, assegurou, com o PDGML «será feita uma melhor distribuição da densidade populacional, das áreas em termos de equipamentos, em termos de zonas verdes, transportes e mobilidade. O objectivo é criar uma maior conectividade do Norte para o Sul, do Este para o Oeste».

Deste modo, continuou Neusa Inglês, Luanda deixará de depender apenas de uma ligação ao centro da capital como acontece até agora. «Neste sentido, o nosso objectivo focou-se na identificação de todas as vias existentes na província», disse.

No documento que será proposto à comissão interministerial pretende-se que «algumas vias secundárias se transformem em primárias e aquelas, que são tidas como primárias, poderão ser alteradas para vias expresso». Assim, «todas elas podem vir a ficar ligadas, de ponta a ponta, com fluxo directo em toda a extensão do território».

A engenheira avançou que serão apresentadas soluções tecnológicas de transportes que poderão ser implementadas ao longo do mapa de estradas criado. As soluções serão «tanto rodoviárias, como ferroviárias e marítimas».

«Hoje, Luanda, tem aproximadamente 6,6 milhões de habitantes. Em 2030 poderá ter o equivalente a 13 milhões de residentes. Para atender este crescimento temos o plano que pensou em todos os sectores de Luanda – desde electricidade, distribuição de água, sistema de esgotos e outros tantos sectores da vida da capital do país», acentuou a coordenadora-geral do PDGML.

Depois de o órgão coordenador do anteprojecto do Plano Director Geral Metropolitano de Luanda entregar o livro que abriga as soluções das dificuldades de Luanda, a comissão interministerial deverá, «durante os próximos três meses, analisar e dar contribuições para até Outubro se fazerem os ajustes finais e posterior entrega do projecto ao Conselho de Ministros para aprovação». Neusa Inglês acrescentou no entanto, que «a implementação do plano arranca assim que for aprovado» – sendo feito «faseadamente, porque é um plano com um trabalho de 15 anos».

Após aprovação, os órgãos constituintes irão treinar uma equipa de vários gabinetes de reconversão e requalificação de Luanda.

«É um documento de extrema importância, não apenas para a nossa equipa, não apenas para o GPL ou para as entidades públicas. É de extrema importância para todo o povo angolano, sobretudo o luandense», sublinhou a entrevistada.

Mais de 200 reuniões na primeira fase

Com as quatro fases da elaboração do anteprojecto previstas concluídas, Neusa Inglês recordou que só no primeiro capítulo da longa caminhada o elenco que dirige realizou mais de 200 reuniões para encontrar respostas estratégicas para o desenvolvimento de Luanda: «Fizemos viagens de helicóptero, comboio e outros meios de transporte para que pudéssemos conhecer as dificuldades de Luanda e encontrar soluções reais. Tem sido um trabalho árduo, mas agradável».

Quanto à questão ligada à sustentabilidade e ao modelo de financiamento dos projectos que possivelmente virão a ser implementados no âmbito do PDGML, foi a empresa de consultoria Deloitte quem prestou apoio aos coordenadores do
anteprojecto, explicou a engenheira.

A coordenadora-geral garantiu que o projecto visa dar resposta às necessidades de infra-estruturas de que Luanda carece – planeamento, energia e telecomunicações –, no sentido de se prever um crescimento populacional equitativo em todos os ramos. Neusa Inglês reiterou que a elaboração da plataforma contou com a colaboração de instituições públicas e privadas que operam em Luanda.

«Pretendemos fazer uma aposta significativa no desenvolvimento económico e profissional integrado com o objectivo de reforçar a capacidade competitiva da região. Com o anteprojecto vamos apoiar a promoção de parcerias entre agentes públicos e privados, principalmente em instituições de ensino superior e investigação, bem como em empresas, associações e outros ramos», defendeu Neusa Inglês.

Desenvolvimento urbanístico equilibrado

Hélder José, director do Instituto de Planeamento e Gestão Urbana de Luanda (IPGUL), já tinha dito ao SOL em Abril que um dos principais propósitos da elaboração deste instrumento é a necessidade de se dar maior articulação e harmonização nas diversas acções, projectos e programas em execução ou em carteira para a província de Luanda.

O responsável do IPGUL afirmou então que se poderia assegurar deste modo um desenvolvimento urbano equilibrado, bem como a preservação ambiental e social dos municípios e a sua valorização económica sustentada, no âmbito do processo mais amplo de desenvolvimento do país.

O também representante do Governo Provincial de Luanda (GPL) junto da comissão do PDGML esclareceu na altura que a estratégia de desenvolvimento da cidade de Luanda assenta a sua mudança em três pilares fundamentais: «Habitabilidade, estética e crescimento sustentável e atractivo».

O primeiro vector engloba o saneamento, o abastecimento de água, energia, a existência de equipamentos sociais. O segundo pilar contempla a preservação da paisagem e da sua identidade.

Hélder José aferiu, por outro lado, que a estratégia definida para um período de 15 anos (até 2030) visa fundamentalmente tornar a cidade capital mais compacta, com variedade de pólos económicos, de forma a assegurar o emprego próximo dos lugares de residência. Com maior desconcentração garante-se a ligação dinâmica com as centralidades, áreas verdes protegidas e com uma orla costeira maximizada.

A visão estratégica para o desenvolvimento de Luanda tem por base, por um lado, manter a cidade antiga como centro histórico, cultural, político e turístico – e, por outro, foca-se no modernizar e estruturar junto aos rios Kwanza e Bengo de um centro económico, industrial, agro-industrial e uma praça financeira. (sol.ao)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA