“Luanda Cartoon” aberto a talentos

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As novas tendências e rumos da banda desenhada angolana são debatidos, a partir de sexta-feira, às 18h30, no Instituto Camões, em Luanda, com a abertura de mais uma edição do Luanda Cartoon, que este ano tem como convidados especiais o português Paulo Monteiro e o gabonês Pahé.

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O cartoonista Carlos Alves, criador do cartaz desta edição e um dos artistas convidados, disse, ontem, ao Jornal de Angola, que a XII edição do Festival Internacional de Banda Desenhada “Luanda Cartoon” é uma porta aberta para os jovens talentos mostrarem o seu potencial.

Para o criador, o actual número de jovens a apostarem neste género artístico é um sinal positivo para uma maior aposta do empresariado na banda desenhada. Porém, chamou a atenção para a qualidade dos temas apresentados nos seus trabalhos.

“Antes, quando a banda desenhada começou a dar os primeiros passos no país eram poucos os artistas do género. Hoje a adesão de jovens é muito maior. É um número considerável e já dá uma certa credibilidade às produções nacionais. Mas é preciso evitar-se os temas sobre violência ou que incitem a tal, particularmente nesta fase de reconstrução do país e em que celebramos 40 anos de Independência Nacional”, disse.

A questão da escolha dos temas, reforçou, é um assunto muito polémico e que requer uma maior união entre os “cotas” da arte com os jovens, de forma a que estes passem a procurar por assuntos que ajudem na protecção e valorização da identidade nacional e das tradições. “É preciso educar os jovens de forma que sejam os responsáveis pela próxima geração de angolanos. Desta forma estamos a ajudar a fazer um país melhor.”

Apesar de defender a criatividade artística, nas suas diferentes vertentes, Carlos Alves considerou fundamental que os jovens cartoonistas comecem a explorar mais temas enquadrados na realidade angolana. “Temos de ter um traço característico, capaz de identificar as criações africanas, porque ainda existem artistas que procuram explorar mais o que vem de fora”, lamentou.

As actuais mudanças neste género, em termos de público, também são um ponto chave que na opinião do artista precisa ser mais aproveitado, de forma a que no futuro exista no país uma banda desenhada com capacidade de honrar os angolanos.

Carlos Alves informou que para esta edição preparou uma reflexão, em banda desenhada, sobre os 40 anos da Independência Nacional, como uma forma de aconselhar os jovens sobre os feitos, custos e ganhos da Independência.

“É um legado que tem de ser transmitido à próxima geração, para que estes saibam agraciar e reconhecer este bem, que foi obtido com muitos sacrifícios. É também uma aula sobre a história do país e a importância dos jovens fazerem de tudo para darem sequência a este sonho e construírem um país melhor.”

O cartoonista chamou ainda atenção dos jovens para a questão da formação, um passo fundamental na reconstrução nacional. “Precisamos construir um país com bases sólidas e a formação dos quadros é fundamental”, defendeu.

Além de falar sobre os 40 anos da Independência, Carlos Alves adiantou que também preparou um outro cartaz, onde decidiu fazer uma sátira social sobre os militares, antes menosprezados, até mesmo nos seus lares, e hoje, com a Paz, a viverem em melhores condições.

“São os ganhos da Paz e da Independência que pretendo mostrar aos jovens nesta edição do Luanda Cartoon”, destacou Carlos Alves.

O Festival Internacional de Banda Desenhada Luanda Cartoon é resultante de uma parceria, iniciada em 2003, entre o Olindomar Estúdio e o Instituto Camões.

A XII edição do projecto, à semelhança dos anos anteriores, inclui a apresentação de uma exposição de caricatura e outra de banda desenhada, a exibição de cinema de animação, em 2 D e 3 D, e a realização de vários seminários para profissionais e amadores desta arte. (ja.ao)

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