Líder associativo defende criação de fundo de segurança social do jogador

INTERNACIONAL ANGOLANO JOAQUIM DINIZ (Foto: Angop)

O presidente da Associação de Antigos Futebolistas de Angola, Joaquim Dinis “Brinca N’areia”, defendeu, em Luanda, a necessidade da criação de um fundo de segurança social do jogador, para que o seu futuro esteja salvaguardado em benefício também do desenvolvimento do desporto nacional.

INTERNACIONAL ANGOLANO JOAQUIM DINIZ (Foto: Angop)
INTERNACIONAL ANGOLANO JOAQUIM DINIZ (Foto: Angop)

Em declarações à Angop, no âmbito dos 40 anos da independência do país, que se assinala no próximo dia 11 de Novembro de 2015, o ex-internacional angolano expressou preocupação pelas dificuldades sociais que muitos antigos praticantes vivem, após fim da carreira desportiva.

“Durante a carreira o desportista deve preocupar-se com o seu futuro, criando um negócio ou outras formas de rentabilização que lhe permitam ter uma vida digna no futuro, na medida em que a carreira do desportista é curta. Também não deve perder de vista a questão formativa, visto que depois dos 30 anos começa a outra fase da vida, que é a mais difícil de gerir”, disse.

Acrescentou que na qualidade de presidente da Associação, a problemática dos ex-jogadores é uma das preocupações da instituição que dirige, para encontrar as formas de ajudar estas pessoas, que vivem imensas dificuldades, contando com as demais estruturas do país que também devem unir-se ao esforço de apoiar a classe, talvez na criação de um fundo de segurança social, ou coisa do género.

Quanto ao estado actual do futebol, Joaquim Dinis afirmou que “o desporto também é afectado pela conjuntura geral do país. Por isso, é como tudo na vida, que nem sempre vai bem, necessitando-se de uma forte intervenção do Governo e demais parceiros sociais, como clubes e outros”.

“Também é necessário maior organização e responsabilidade por parte dos clubes na criação de melhores condições para os jovens praticantes, em recintos adequados e outros aspectos logísticos, como uma alimentação mais equilibrada, para que tenham um desenvolvimento harmonioso e consentâneo com as exigências da aposta na formação. Já há muitas escolas e é preciso organiza-las bem e com o apoio do Estado. Também se poderia pensar na criação de um fundo de fomento do desporto, que daria uma grande contribuição”, frisou.

Adiantou que o futebol nem sempre corre como se pretende, sendo como tudo na vida, que nem sempre está a correr bem. Mas, nota que os clubes têm feito o seu melhor na aposta nos escalões de formação, nas infra-estruturas e participam regularmente no Campeonato Nacional (Girabola) e segunda divisão, embora com problemas e dificuldades inerentes. Além da prova superior, já se vê um campeonato provincial de futebol jovem e precisando de ter também um nacional da categoria estruturado e em campos relvados, para que este crescimento se reflicta nas competições africanas.

Em relação ao Campeonato Nacional de futebol da primeira divisão (Girabola), Para o “Brinca N’areia”, é necessário fazer-se mais torneios de pré-época, como garantia de dar mais jogos de rodagem as equipas.

O trabalho específico que deve ser feito nos escalões etários, é incutir as crianças, entre outros, os fundamentos de que devem começar a sair a jogar da defensiva ao ataque e não o bombeamento das bolas para os avançados, disse.

Lembrou ainda que, depois da realização da I Conferência Nacional, ainda se fala na possível constituição da Liga de futebol, como um dos passos importantes no desenvolvimento da modalidade.

Sobre a formação e detecção de talentos, citou os futebolistas Ary Papel e Gelson, ambos do clube 1º de Agosto, como promissores talentos do país, que caso tenham as idades verdadeiras, deviam já ter a oportunidade de evoluírem fora de Angola, onde poderiam despontar em provas de outros níveis.

A possibilidade do país vir a conquistar um CAN, os ganhos da modalidade e do desporto, a problemática das idades, o consumo exagerado de álcool por uma boa percentagem dos jovens, entre outros, também merecerem referências por parte da antiga “estrela” do futebol angolano, em entrevista da Angop.

A Associação dos Antigos Futebolistas de Angola (AAFA), é uma agremiação social, de carácter voluntário e apartidário, de âmbito nacional, com personalidade jurídica, fundada a 12 de Novembro de 2005, com o objectivo de traçar estratégias que visem o desenvolvimento, melhoramento e rentabilidade de investimentos para a criação de um fundo mutualista, de forma a apoiar o antigo futebolista.

Joaquim Dinis assumiu a presidência da Associação, no passado mês de Julho, para um mandato de quatros anos, em substituição do antigo futebolista Joaquim Sebastião “Kim Sebas”.

Nascido a 1 de Dezembro de 1947, em Luanda, o extremo esquerdo Joaquim António Dinis iniciou-se no Clube Académica Social Escola, na década de 60, notabilizou-se cedo na modalidade, fruto do seu trato de bola, habilidade com que construía os lances, o que lhe valeu o cognome de “Brinca N’areia”.

Originário de uma família tradicionalmente desportista, onde também se destacam quatro irmãos menores, os futebolistas Chico, Bondoso, Chico Dinis e o treinador de basquetebol Carlos Dinis, foi contemporâneo de “artistas” como Firmino Dias (pé canhão), Quim Machado (ponta de lança), o defesa central Artur da Cunha (Máquina), o médio central Lourenço Bento, o extremo direito Antoninho, Carvalho Nascimento (lateral esquerdo) e tantos outros. Mas foi Joaquim Dinis quem atingiu o patamar mais elevado ao ingressar no ASA, em 1968/69, posteriormente, no Sporting (1969/75) e Futebol Clube do Porto de Portugal, em 1975/76, chegando mesmo a representar a selecção daquele país. Dinis, que começou a carreira aos 13 anos de idade, pernas arqueadas, corpo franzino, boa altura, drible apurado, velocidade, engodo pela baliza eram os seus principais atributos. Por essas qualidades, um colega da Escola Comercial levou-o a testar na equipa do ASA.

Na altura, com 15 anos, ficou no escalão de juniores e dois anos depois, apesar da idade, é promovido aos seniores, onde se torna numa das melhores unidades do conjunto, sagrando-se campeão de Angola. Não demorou a ingressar no Sporting Clube de Portugal, tendo, ao serviço daquela equipa, conquistado dois títulos de campeão e duas Taças de Portugal, em 1970/71.

“Brinca N’areia” também representou as selecções de esperanças e de honras de Portugal. Em 1972, no Estádio do Maracanã (Brasil), Dinis, ao serviço da selecção de Portugal, converteu-se no melhor jogador da mini-Copa, no país de Pelé, Garrincha e Tostão.

Em princípios de 1976, num período conturbado para Angola integrou o “Movimento Vamos Regressar”, composto por futebolistas angolanos que jogavam em clubes portugueses, tais como Domingos Inguila, Laurindo, entre outros, num apelo feito pelo primeiro Presidente da República de Angola, Dr. António Agostinho Neto.

Regressou a Angola depois da independência, com 28 anos, e voltou a fazer alguns jogos pelo seu inesquecível Académica Social Escola. Representou a selecção de Angola e terminou a carreira ao serviço do 1º de Agosto, passando posteriormente a exercer a função de treinador. Voltou a Portugal, desta para frequentar um curso de treinador, aproveitando para ajudar o U. Leiria a subir à 1ª Divisão, mas depois regressou definitivamente para Angola, onde continuou a jogar embora acumulando as funções de treinador.

Como técnico teve passagens pelo Sporting de Luanda e pelo Progresso de Sambizanga, onde ganhou uma Taça de Angola, 1996, e lançou Pedro Mantorras. Foi seleccionador nacional do escalão sub-17 e integrou a equipa técnica da selecção de Angola que esteve presente no Mundial 2006. Mais tarde foi conselheiro do treinador português Manuel José, na campanha do CAN2010.

Terminou a carreira ao serviço do Clube 1º de Agosto, onde conquistou dois títulos, em 1980/81, como jogador e treinador. Em 2011 foi nomeado embaixador do Sporting Clube de Portugal em Angola, no âmbito de parcerias dos “leões”. (portalangop.co.ao)

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