Líbano: Aministia Internacional pede investigação a reação policial à “crise do lixo”

(EURONEWS)
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A apelidada “crise do lixo” continua a encher as ruas da capital do Líbano com dezenas de milhares de manifestantes em protesto contra o governo de Tamam Salam. Com o lema “Vocês cheiram mal”, o protesto acusa o atual executivo de ser corrupto e disfuncional. O protesto não tem conseguido eco no parlamento e a tensão constante nas ruas tem gerado confrontos entre grupos de alegados manifestantes e as forças de segurança.

A Amnistia Internacional pediu no sábado ao governo libanês uma investigação ao alegado abuso da força pelas autoridades na reação à manifestação antigoverno e pediu mais frieza no controlo do protesto. A organização pelos direitos do homem quer ver punidos os agentes de segurança que se excederam no confronto com os manifestantes libaneses.

Alguns grupos, entre os manifestantes, tentaram forçar a passagem pelas barreiras de arame farpado levantadas pelas forças de segurança para proteger os acessos a edifícios governamentais. A conta oficial no Twitter das Forças de Segurança libanesas (em baixo) dava conta dessas investidas na noite de sábado.

A gota de água que deixou muitos libaneses zangados terá sido a suspensão dos serviços de recolha de lixo no final do mês passado. As falhas em outros serviços básicos, como a água ou a eletricidade, contribuíram para a revolta.

Assaad Thebian e Lucien Bourjeily, dois dos organizadores do protesto, enumeraram as exigências dos manifestantes: demissão do ministro do Ambiente, Mohammad Machnuk, transferência da recolha do lixo para os municípios, julgamento dos responsáveis pelas violências do fim de semana passado, incluindo o ministro do Interior, Nohad Machnouk, e a realização de eleições legislativas e presidenciais.

“Damos ao governo 72 horas. Na terça-feira à noite, se as nossas exigências não forem satisfeitas, vamos para uma escalada”, disse à multidão um dos organizadores, sem explicar ao que se referia.

O ministro do Ambiente libanês já respondeu, entretanto, e garantiu que não se demite.

Reunido no início da semana passada, o parlamento falhou, no entanto, o acordo para antecipar eleições e acabou mesmo por prolongar uma vez mais as funções do atual executivo até 2017. Desde o último escrutínio legislativo, em 2009, o parlamento libanês já prolongou por duas vezes o mandato e, desde maio do ano passado, os deputados foram incapazes de eleger um presidente.

O sistema político libanês baseia-se numa divisão confessional dos principais cargos políticos: a presidência é atribuída a um cristão maronita, a chefia do governo a um muçulmano sunita e a presidência do parlamento a um muçulmano xiita. (euronews.com)

por Francisco Marques | Com LUSA, REUTERS

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