Lançamentos imobiliários caem 18% em São Paulo no 1º semestre

Já entre janeiro e junho deste ano o total ficou em 9.651, o que representa uma queda de 18,27% (Foto: Rafael Neddermeyer/Fotos Públicas)
Já entre janeiro e junho deste ano o total ficou em 9.651, o que representa uma queda de 18,27% (Foto: Rafael Neddermeyer/Fotos Públicas)
Já entre janeiro e junho deste ano o total ficou em 9.651, o que representa uma queda de 18,27% (Foto: Rafael Neddermeyer/Fotos Públicas)

De acordo com levantamento realizado pela Empresa Brasileira de Estudos de Patrimônio (Embraesp), no primeiro semestre deste ano o mercado imobiliário assistiu a uma redução no ritmo de projetos das empresas em relação ao mesmo período de 2014, quando 11.809 unidades residenciais foram lançadas na cidade de São Paulo. Já entre janeiro e junho deste ano o total ficou em 9.651, o que representa uma queda de 18,27%.

A redução confirma o período difícil que o mercado imobiliário atravessa em razão da crise econômica vivida pelo País, com aumento de desemprego, juros mais altos e restrições no crédito. “O patamar de lançamentos não é bom, principalmente porque estamos comparando com um ano (2014) que já foi ruim”, diz o presidente do Sindicato da Habitação (Secovi-SP), Claudio Bernardes.

Segundo ele, o Secovi já havia detectado queda de 18,5% nos lançamentos ao fazer a comparação entre janeiro e maio de 2015 e os cinco primeiros meses do ano passado. Bernardes entende que a tendência deve se manter até o final do ano, ainda que o segundo semestre em geral seja melhor do que o primeiro. “A situação se torna mais crítica pela falta de boa expectativa. A economia do País precisa voltar a crescer, os indicadores econômicos precisam melhorar”, afirma o dirigente.

Preços

Pela pesquisa, também é possível comparar as oscilações de preço dos imóveis residenciais entre junho de 2014 e o mesmo mês de 2015. As unidades de um dormitório foram a modalidade que registrou alta, com o preço médio de lançamento indo de R$ 351.587,51 para R$ 457.065,70, acréscimo de 30%.

Os preços das casas e apartamentos de dois ou três dormitórios lançados tiveram queda de 20,6% e 31% respectivamente, que pode ser explicado, em parte, pela diferença de tamanho das unidades. Enquanto em 2014 a média da área total dos imóveis de dois quartos era de 99,68 m², neste ano caiu para 85,24 m². Já a área média das habitações com três dormitórios baixou de 158,63 m² para 125,95 m².

A cidade de São Paulo concentrou 40% das unidades lançadas durante o mês de junho na região metropolitana, com 2.036 imóveis. Em toda a Grande São Paulo foram lançadas 4.880 unidades. Tanto na Capital quanto nos demais municípios, as casas e apartamentos de dois dormitórios têm a maior fatia entre os lançamentos, com 3.868 unidades.

O diretor executivo da incorporadora You,Inc, Eduardo Muszkat, diz que a procura maior pelas unidades de dois quartos se acentuou nos últimos quatro ou cinco anos. Segundo ele, o aumento do preço do metro quadrado também influenciou. “Como ficou mais caro, os apartamentos diminuíram para caber no bolso do cliente”, acrescenta.

Para o vice-presidente comercial da Abyara Brasil Brokers, Bruno Vivanco, o dois quartos costuma ser o primeiro imóvel da família que parte para a casa própria. “É o apartamento de quem está casando, saindo do aluguel. Sempre é o de maior demanda”, explica Vivanco.

Ousadia – O sócio-diretor da Eugenio Marketing Imobiliário, Maurício Eugenio, diz que a queda no número de lançamentos já notada em 2014 e confirmada no primeiro semestre deste ano deixa clara a decisão das construtoras e incorporadoras de primeiro vender os imóveis já construídos.

“As empresas estão preocupadas em se reestruturar e desovar o estoque, mas entendo que falta ousadia ao mercado. Apesar das dificuldades, ainda há demanda no mercado imobiliário”, diz ele.

Bruno Vivanco entende que o mercado imobiliário caminha de mãos dadas com a situação econômica do País e explica a retração no número de lançamentos. “A economia está depressiva, há muita preocupação com o desemprego. Para o mercado melhorar, é preciso enxergar pelo menos um cenário positivo no médio prazo”, afirma. “Se a taxa de juro cair, a oferta de crédito melhorar, a roda volta a se mover”, exemplifica. (diariodolitoral.com)

por Estadão Conteúdo

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