Estados Unidos vão deportar 400 jovens cabo-verdianos

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Quatrocentos cabo-verdianos devem ser repatriados brevemente dos EUA por cometerem infracções que vão desde falta de documentos a agressão e venda de droga. A ministra das Comunidades diz que os números são preocupantes.

Anteriormente, a imprensa cabo-verdiana tinha avançado que eram 40 os jovens cabo-verdianos na lista de deportações. Entretanto, a ministra cabo-verdiana das Comunidades, Fernanda Fernandes, adiantou que são 400 os casos supervisionados pelas autoridades da imigração dos Estados Unidos da América (EUA).

“Temos conhecimento que há, de facto, uma lista enorme de casos. Mas não temos nenhuma informação de como esses cabo-verdianos vão ser deportados”, disse em entrevista à DW África.

Os motivos são vários: vão desde irregularidades em documentos até crimes graves. A ministra das Comunidades considera que os números são preocupantes, tendo em conta a dimensão do país. “Se para certos países ter milhares e milhares de pessoas nessa situação já é um peso, para nós 400 também é um peso muito grande”.

Desde 2002, já foram deportados cerca de 1.400 cabo-verdianos – a maioria veio dos EUA, seguindo-se França e Portugal. Muitos emigraram para os Estados Unidos em tenra idade, alguns ainda bebés, mas não possuem a nacionalidade norte-americana. Outros já não têm familiares próximos em Cabo Verde, não conhecem as suas origens e também não falam a língua cabo-verdiana. “Muitos deportados não nasceram em Cabo Verde e não têm qualquer referência aqui”, confirma a governante.

Calcula-se em um milhão a população cabo-verdiana: meio milhão reside no país e a outra metade na diáspora. A maior comunidade de cabo-verdianos vive nos EUA.

Reinserção difícil

De uma maneira geral, a sociedade cabo-verdiana estigmatiza os deportados, mesmo que estes não tenham sido repatriados por crimes graves, o que dificulta a sua reinserção social.

Segundo Fernanda Fernandes, o Ministério das Comunidades tenta prestar o maior apoio possível. “Por vezes vamos buscar as pessoas ao aeroporto porque não têm ninguém para as ir buscar”, conta. E quando surge casos de pessoas com problemas do foro psiquiátrico, o Ministério faz a coordenação entre hospitais, câmaras municipais e familiares.

Sempre que necessário, as autoridades também financiam o alojamento e a alimentação de deportados. “Há pessoas que só trazem a roupa que têm no corpo”, lembra a ministra.

Com o aumento da criminalidade na sociedade cabo-verdiana há vozes que defendem que os deportados são os responsáveis por essa onda.

Na América Central, criminosos expatriados dos Estados Unidos ficaram conhecidos por terem criado dois poderosos gangues: Mara Salvatrucha e Mara 18. Em Cabo Verde, as autoridades ainda não têm dados concretos. “As pessoas costumam dizer que a questão da criminalidade está relacionada com a deportação, sobretudo dos provenientes dos EUA, mas não temos dados que o confirmem”, salienta Fernanda Fernandes.

Segundo a ministra, não existem “estatísticas que digam que há uma consequência directa entre a deportação e a criminalidade. Mas também não podemos escamotear e dizer que não haverá casos de reincidência de criminalidade. Tem havido”. (dw.de)

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