ENDE coloca 70 agentes no terreno para reforçar captação de receita

Cadastramento de clientes de Luanda é a prioridade das equipas, que vão sensibilizar a população para a necessidade de pagar as suas contas. Empresa instala 1,1 milhões de contadores pré-pagos no País até 2017.

(Foto: Angop)
(Foto: Angop)

A Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE) tem no terreno, em Luanda, mais de 70 agentes autorizados com a missão de fazerem o levantamento dos clientes da empresa e sensibilizarem a população para a necessidade de pagar as facturas de energia, revela o presidente do conselho de administração (PCA) da companhia.

As equipas, explica Francisco Pereira de Sousa Talino, que falou ao Expansão à margem do V Conselho Consultivo do Ministério da Energia e Águas, no final da semana passada, em Luanda, vão não só ajudar a empresa a cadastrar os seus clientes, mas também a controlar os seus consumos de electricidade. Segundo o gestor, a ENDE tem vindo a fazer um esforço a nível nacional para “ter conhecimento da funcionalidade do sector energético”, de modo a estar preparada para “responder de forma exequível às exigências do mercado”.

Este esforço, diz, ocorre numa altura em que a distribuição de energia pode abrir-se à concorrência, após a aprovação da nova Lei Geral da Electricidade, que permite a entrada de operadores privados no sector (ver Expansão da semana passada). Entretanto, segundo Francisco Pereira de Sousa Talino, a ENDE prevê instalar até 2017 perto de 1,1 milhões de contadores de energia em todo o País, fabricados em solo nacional. “Trata-se de um processo abrangente, que visa substituir o contador pós- -pago pelo pré-pago”, afirma. Os novos contadores, explica, trazem vantagens quer para a empresa, que deixará de “acumular dívidas”, quer para o consumidor, que “pagará apenas aquilo que puder consumir”.

“Conhecemos as dificuldades e temos de agir em função da melhoria das condições do fornecimento de electricidade”, diz o PCA, que promete também “melhorar as condições de trabalho dos colaboradores” da empresa.

Projectos estruturantes vão dar frutos Francisco Talino reconhece que continuam a existir restrições no fornecimento e distribuição de energia eléctrica, nomeadamente em Luanda, onde habita parte significativa da população angolana, segundo o último Censo, realizado em 2014, garantindo, contudo, que existem “projectos estruturantes ao nível da produção, transporte e distribuição”, que virão a produzir efeitos “em tempo oportuno”.

Estas restrições, afirma, levam a empresa e o Estado, seu accionista, a sofrerem perdas de receita num montante que é “difícil de quantificar”. O esforço de registo dos clientes, explica, vai ajudar também a companhia a ter conhecimento das perdas. O PCA de ENDE destacou estar previsto “um aumento significativo da capacidade de transporte”, com a construção de mais de 2.500 quilómetros de linhas, e também um reforço da capacidade de produção de energia de 2 mil para “cerca de 9.500 megawatts até 2025”.

A transformação do sector que tem vindo a ser promovida e que passou, nomeadamente, pela extinção da ENE e da EDEL, substituídas por três novas empresas para os segmentos de produção, transporte e distribuição, visa contribuir para que sejam alcançados os objectivos, disse. De acordo com Francisco Talino, o reforço da capacidade de produção vai resultar não apenas da construção de novas centrais térmicas, mas também da “introdução significativa da componente de energias renováveis na matriz energética” nacional. Entretanto, também a EPAL prepara medidas para combater o garimpo e o incumprimento no pagamento das contas da água por parte da população de Luanda. (expansao.ao)

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