Desvalorização da moeda chinesa pode ser positiva para Angola

(Foto: D.R.)
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A decisão do Banco Popular da China (BPC), terça-feira passada, em desvalorizar o yuan em 1,9% face ao dólar dos Estados Unidos da América, apanhando de surpresa os mercados, é positiva para Angola, consideram analistas.

A taxa de câmbio do yuan é administrada pelo banco central chinês, que define diariamente uma taxa de referência, permitindo, no entanto, que a moeda flutue numa banda de 2% acima ou abaixo desse valor.

Esta terça-feira, 10 de Agosto, o Banco Central da China estabeleceu a taxa de referência diária do dólar em 6,2298 yuans, uma desvalorização de quase 2% face aos 6,1162 yuans por dólar da véspera. Segundo analistas, a decisão das autoridades chinesas visa estimular as exportações e, por essa via, a economia.

As projecções para o crescimento do produto interno bruto (PIB) chinês apontam para uma desaceleração para 7,5%, abaixo da tendência histórica. Uma desaceleração justificada em parte pela queda das exportações em mais de 8% em Julho, a maior quebra em quatro meses, quando os mercados contavam com uma baixa de apenas 1,5%.

Um menor crescimento da China seria negativo para o preço das matérias-primas, em especial do petróleo, prejudicando ainda mais a economia angolana, consideram analistas contactados pelo Expansão.

A desvalorização da moeda chinesa é potencialmente boa para a sua economia, já que torna as exportações mais baratas e as importações mais caras. Sendo Angola um dos principais fornecedores de petróleo da China, decisões que estimulam a economia chinesa são boas notícias para Angola, justificam as fontes do Expansão.

Outro aspecto positivo para Angola tem que ver com as compras de produtos chineses. Uma parte importante das importações de Angola são provenientes da China. Com o yuan mais fraco, fica mais barato Angola importar produtos chineses, acrescentam os analistas contactados pelo Expansão.

Contudo, analistas citados pelas agências internacionais receiam que a desvalorização chinesa possa provocar uma guerra cambial. Os países concorrentes da China, em especial os asiáticos, poderão responder desvalorizando também as suas moedas para manter a competitividade face aos chineses, alertam.

A decisão do BPC também deverá afectar os Estados Unidos. Aliás, Washington há muito que defende que o yuan está subvalorizado, o que significa que a moeda chinesa deveria ser valorizada, e não desvalorizada. Uma vez que os americanos não utilizam o instrumento da desvalorização, os analistas admitem que as autoridades podem adiar a subida dos juros, cuja antecipação pelos mercados tem estado a fortalecer o dólar. (expansao.ao)

Por: Carlos Rosado de Carvalho

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