Cuanza Norte: Cristãos apelados ao resgate do verdadeiro sentimento da crença em Deus

Dom Anastacio Cahango arcebispo emérito de Luanda durante a celebração da Missa (Foto: Lino Guimaraes)
Dom Anastacio Cahango arcebispo emérito de Luanda durante a celebração da Missa (Foto: Lino Guimaraes)
Dom Anastacio Cahango arcebispo emérito de Luanda durante a celebração da Missa (Foto: Lino Guimaraes)

O arcebispo emérito de Luanda, Dom Anastácio Cahango, apelou nesta sexta-feira, em Massangano, município de Cambambe, Cuanza Norte, os fieis a resgatarem o verdadeiro sentimento da crença pelo cristianismo, como comprovativo da fé em Deus.

O prelado que falava na abertura da V edição da peregrinação ao santuário de Nossa Senhora das Victorias de Massangano, sublinhou que nos últimos tempos é comum ver pessoas ignorarem o verdadeiro sentido de amor e fé em Cristo, colocando os bens materiais em primeiro lugar nas suas vidas, considerando a a maior fortuna para si.

“O cristão deve primar pelo fervor, caminhando incessantemente, pondo de parte a fome, o cansaço, a doença, as desilusões, a inércia, as mortes e outras espécies de atrocidades, que possam minar a sua caminhada, sendo por isso necessário o espírito progressivo de fiéis ao encontro de Deus”, afirmou.

O religioso referiu ainda que o dom de Deus é a maior dadiva que o homem beneficia e que, em momento algum deve ser desprezado, pois, ao contrário dá lugar a vingança, o ódio, a miséria, situações que potenciam o desequilíbrio social.

Socorrendo- se aos exemplos bíblicos que ressalta a figura do apostolo Paulo, Dom Anastácio recomenda a preservação do dom de Deus encarnado no Cristão, por via da conversão, e que deve ser vivenciado em cada momento da vida, dando testemunho de um verdadeiro crente, pois, aquele que reacender a figura de Deus, dá testemunho de Cristo.

Lembrou que o sofrimento e morte de Jesus Cristo, revela a paixão de Deus para com os homens, razão pela qual o ser humano não deve resistir ao chamamento a que está sujeito, sob pena de cair no ódio, a calúnia, a perseguição e divisão, até mesmo entre os mais próximos.

Por essa razão, prosseguiu, pediu aos peregrinos, no sentido de aproveitarem a ocasião, para fortificar a fé e se tornarem verdadeiros modelos de comunicação com Deus, para que desta forma se sintam isento de todas as atrocidades que atormenta o ser humano.

Dom Anastácio Cahango considerou o local que acolhe a peregrinação como exemplo concreto, da necessidade de enraizar a relação com Deus, por ter sido testemunha de momentos tristes de Angola, entre os quais, o embarque dos escravos para América e Europa, o estado de abandono por muito tempo do seu templo, mas que, fruto da fé e confiança na sagrada escritura, o mesmo é visitado por milhares de fieis que procuram viver o cristianismo.

Por estes motivos, continuou, Massangano encerra grande importância na vida dos angolanos, a medida em que as experiências vividas pelos seus habitantes podem servir de modelo para a humanidade, pois, sofrer hoje não significa o fim da vida, daí que todos devem estar firmes, corajosos e serenos para vencer qualquer dificuldade.

Cerca de seis mil fieis católicos idos de diversas paróquias do país participam na V edição da peregrinação ao santuário de Nossa Senhora das Victórias, a decorrer de de 14 a 16 deste mês, naquela localidade, sob o lema “Não deixemos que nos roubem a alegria da evangelização”.

O porta- voz do evento, que acontece anualmente na primeira quinzena do mês de Agosto, frei João Artur, disse tratar- se de um momento de grande expectativa, a julgar pela afluência de miliares de peregrinos provenientes de diversos pontos do país, números que poderão superar os das edições anteriores.

A fonte disse tratar-se de uma ocasião especial, em que pretendem juntar milhares de fieis, não apenas da igreja católica, mas todos quanto se revêm no evangelho, para em conjunto exaltarem a fé em Deus.

Localizado na vila de Massangano, que se situa na confluência, entre os rios, Kwanza e Lucala, o santuário de Nossa Senhora das Victórias, actualmente tutelado pelos padres da congregação dos Capuchinhos, foi construído no seculo XVI e classificado património cultural em 1923, através da portaria nº 81, boletim oficial nº 20 de 28 de Abril de 1923.

Além do santuário, a localidade congrega um vasto mosaico cultural, como a antiga casa de reclusão, a praça dos escravos, o tribunal, a antiga camara do então governo ultramarino de Angola, bem como um cemitério onde jazem os restos mortais de 12 padres capuchinhos, falecidos por doença apos fundarem a congregação.

Entre o património material e imaterial da região figura ainda o túmulo do capitão português Paulo Dias de Novais, o fundador da cidade de Luanda, actualmente capital de Angola.

Massangano já albergou entre os seculos XV e XV, a capital de Angola, por altura da invasão de Luanda pelos holandeses que obrigando os portugueses a refugiarem-se na referida localidade

O santuário foi reaberto em Dezembro de 2011, apos vários anos de inatividade. (portalangop.co.ao)

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