Costa tenta cativar voto dos indecisos. Diz que tem as “políticas certas”

(Foto: MÁRIO CRUZ/LUSA)
(Foto: MÁRIO CRUZ/LUSA)
(Foto: MÁRIO CRUZ/LUSA)

Líder do PS usa a internet para chegar aos eleitores que ainda não sabem em quem votar a 4 de outubro. E lembra-lhes que são “eleições decisivas”. Leia a segunda parte da carta.

Convencer os indecisos fará toda a diferença a 4 de outubro. E foi precisamente isso que o líder socialista começou ontem a tentar fazer numa carta publicada nas várias plataformas na internet que servem de suporte à sua candidatura. António Costa pede o voto no PS porque estas são “eleições decisivas” e, em quatro capítulos promete mostrar que tem as “políticas certas” para que os portugueses lhe confiem o voto nas eleições legislativas.

Após as últimas semanas muito atribuladas para o partido, Costa quis dirigir-se a uma grande franja de eleitores que ainda não definiram o seu sentido de voto e admite que não terá a possibilidade de falar pessoalmente com todos.

A segunda parte da carta que divulgamos nesta edição – e que também hoje será publicada na internet pelo candidato a primeiro-ministro, incluindo na página oficial de campanha – remete para a necessidade de “vencer a depressão, a descrença, a resignação, um sentimento de decadência nacional”. Costa diz que é preciso iniciar um novo ciclo, com novos protagonistas e uma nova visão para o país. “É altura de descobrir e valorizar as Índias e os Brasis que temos em nós”, afirma.

Nos próximos dias, o secretário-geral socialista vai escrever sobre as “duas opções de fundo que estão em confronto” no que respeita ao Estado social: a do PS, que diz assente na garantia da sustentabilidade da Segurança Social, na defesa do Serviço Nacional de Saúde e na valorização da escola pública; contra a “ameaça de privatização dos serviços públicos e da destruição do Estado social”.

Costa vai ainda argumentar que as “eleições são decisivas” porque temos de “virar a página da austeridade para sanear a economia, criar emprego de qualidade e com futuro, sanear as nossas finanças públicas”.

O líder socialista vai rematar a carta aos militantes, já num quarto capítulo, com a ideia de que é preciso Portugal “reassumir uma postura ativa na Europa, sem submissão nem aventureirismos”. Uma posição que, escreve, nos permita retomar a convergência e fortalecer a nossa posição no euro.

Cartas na rede, Costa está hoje em campanha pelas ruas de Lisboa.

Leia a segunda parte da carta.

António Costa, Carta aos Eleitores Indecisos (2)

Lisboa, 25 de Agosto de 2015

Caras e Caros Amigos

DEVEMOS CONFIAR NO FUTURO DE PORTUGAL!

Como ontem vos disse, a primeira razão porque considero decisivas as próximas eleições é que temos de vencer a depressão, a descrença, a resignação, um sentimento de decadência nacional, e reconstruirmos um sentimento de esperança coletiva no nosso futuro comum.

Temos boas razões para acreditar no nosso futuro comum. E nós, portugueses, somos mesmo o primeiro motivo de confiança em Portugal.

Porque havemos de descrer das nossas capacidades se, em qualquer parte do Mundo onde haja comunidades portuguesas, os portugueses são estimados, admirados, queridos?

Porque havemos de temer a globalização quando temos uma das poucas línguas globais, quando conseguimos como ninguém atualizar em fraterna amizade uma antiga história colonial, quando temos capacidades únicas de integração dos imigrantes que nos escolhem como destino, quando os Açores e a Madeira nos oferecem uma centralidade atlântica, quando o nosso litoral é uma porta natural da ligação da Europa ao Mundo e o nosso interior está próximo do coração do mercado ibérico?

Porque havemos de recear o desafio energético, quando temos um potencial extraordinário de produção de energia renovável?

Porque havemos de lamentar a falta de recursos quando temos 97% do nosso território – o Mar – por descobrir, quando temos um grande potencial turístico valorizado pela segurança, a qualidade ambiental, a dinâmica da oferta cultural e a diversidade da nossa gastronomia?

Porque havemos de nos resignar a que tudo isto seja apenas retórica?

Há 600 anos partimos à descoberta. É altura de descobrir e valorizar as Índias e Brasis que temos em nós. Consolidar uma visão estratégica e traduzi-la nas políticas que concretizem esta visão. Porque não havemos de ser todos capazes de fazer o que ao longo de vinte anos fez a comunidade científica? Porque não havemos de ser capazes de replicar os notáveis ganhos em saúde que o Serviço Nacional de Saúde nos proporcionou? Porque não havemos de ser capazes de fazer novos investimentos tão produtivos e transformadores como o Alqueva tem sido no Alentejo? Porque não havemos de ser capazes de nos transformarmos como fizeram o têxtil, o calçado, o agroalimentar, a metalomecânica em duas décadas?

Eu acho que somos capazes. Desde que tenhamos as políticas certas, temos boas razões para ter esperança e confiança no futuro.

Para isso, vos apresentei a Agenda para a Década, assente em 4 pilares: Valorizar os nossos recursos; Modernizar a atividade económica e o Estado; Investir no futuro, a cultura e a ciência; Reforçar a coesão social.

Para dar corpo à confiança no futuro precisamos de uma estratégia estabilizada e partilhada, que sirva de base à concertação entre parceiros sociais e a compromissos políticos alargados entre os diferentes agentes políticos.

Amanhã, quero falar-vos da primeira opção de fundo que temos de fazer sobre o nosso modelo de desenvolvimento: investir no conhecimento e na inovação ou resignarmo-nos à precariedade e ao empobrecimento?

Os meus cumprimentos cordiais,

António Costa (dn.pt)

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