Comprador da casa de Sócrates sente-se enganado

(Alberto Frias)
(Alberto Frias)
(Alberto Frias)

Paquistanês que comprou a habitação conta que “acordo de cavalheiros” para ficar com o recheio da casa de Sócrates não foi cumprido. E está arrependido de ter feito o negócio

O antigo procurador-geral da República do Paquistão, Makhdoom Ali Khan, que comprou este mês o apartamento T3 de José Sócrates no Edifício Heron Castilho, em Lisboa, confessa ao Expresso que se sentiu defraudado quando se apercebeu de que a casa foi entretanto esvaziada. “Tinha um acordo de cavalheiros com o advogado que representava o proprietário de que o recheio era para ficar, mas quando os meus advogados obtiveram a chave e foram lá ver em que condições estava a casa, os móveis, incluindo sofás e mesas, tinham sido levados”, conta Ali Khan ao telefone a partir de Carachi, onde atualmente exerce advocacia num dos escritórios mais importantes do Paquistão.

Na primeira visita que fez ao apartamento, no dia 23 de julho, Ali Khan ficou a conhecer o advogado de Sócrates, João Araújo. “Era ele que tinha a chave. Foi-me apresentado como o advogado mais famoso do país. Fiquei a saber nesse momento que o dono era uma figura pública, mas a sua identidade só seria revelada caso avançássemos com o negócio. Tirando as plantas, que estavam mortas por não serem regadas, a casa estava como se alguém tivesse saído para ir almoçar.”

O ex-PGR esclarece que, nessa visita, João Araújo lhe disse que o potencial comprador poderia ficar com a cama de casal da suíte, com as duas camas individuais do segundo quarto e com as estantes dos livros — “que estavam fixas às paredes”. “Pediram-me 690 mil euros, e eu fiz uma oferta de 600 mil. Como se mostraram intransigentes, subi a proposta para 670 mil e acabámos por ficar nos 675 mil. Mas impus como condição que o valor passaria a incluir o recheio, com a exceção do piano da sala, dos tapetes e das coisas pessoais do dono.”

O advogado paquistanês conta que discutiu este assunto com Araújo na segunda visita que fez ao apartamento. “Disse-lhe que o proprietário, que eu ainda não fazia ideia quem era, teria já sofás, cadeiras e roupeiros na sua casa atual. Ele retorquiu que então o seu cliente só levaria o que precisasse e tudo o resto ficaria. Um assistente que ia comigo perguntou-me se não era melhor fotografar o recheio e pôr o acordo por escrito, mas eu sublinhei que não, porque tratava-se de um acordo de cavalheiros e que entre cavalheiros basta a palavra que se dá. Mas enganei-me.” No fim, apenas foram deixadas as camas e as estantes.

Confrontado pelo Expresso com a desilusão de Ali Khan, João Araújo diz que se trata de um equívoco. “Não ajuda o meu mau inglês. Mas irei esclarecer o assunto com o advogado do senhor Ali Khan.” O ex-PGR mostra-se arrependido do negócio. “Não por causa deste incidente, mas por toda a publicidade negativa em que me vi envolvido. Se fosse hoje, nem de graça ficava com o apartamento.” (expresso.pt)

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