Chefes de Estado e de Governo estão reunidos em Gaberone

(Fotografia: João Gomes | Gaberone)
(Fotografia: João Gomes | Gaberone)
(Fotografia: João Gomes | Gaberone)

O Vice-Presidente da República, Manuel Domingos Vicente, está desde ontem em Gaberone, onde a partir de hoje participa, em representação do Chefe de Estado angolano, José Eduardo dos Santos, na 35.ª Cimeira do Chefe dos Estado e de Governo da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC).

No Aeroporto Internacional de Gaberone, o Vice-Presidente foi recebido pelo ministro adjunto da Administração Local e Desenvolvimento Rural do Botswana, Frans Van Der Westhuizen. Da parte angolana, estiveram presentes os ministros das Relações Exteriores, Georges Chikoti, do Planeamento e Desenvolvimento Territorial, Job Graça, o secretário de Estado do Comércio, Augusto Paixão Júnior, e o embaixador de Angola no Botswana, José Agostinho Neto.
Antes da chegada de Manuel Vicente, as autoridades tswanesas receberam o Presidente de Madagáscar, Hery Rajaonarimampianina, e o Vice-Presidente da Seichelles, Danny Faure. A chegada dos demais Chefes de Estado e de Governo da SADC também estava prevista para ontem.
Durante a Cimeira, com duração de dois dias, os Chefes de Estados e de Governo da SADC  analisam o Plano Indicativo de Desenvolvimento Estratégico Revisto da região e as grandes prioridades da organização, com a criação da Zona de Comércio Livre e a adesão à Zona Tripartida de Livre Comércio com o Mercado Comum da África Oriental e Austral (COMESA) e a Comunidade da África Oriental (EAC).
Na cerimónia de abertura da Cimeira, além dos Chefes de Estados e de Governo da SADC, espera-se a presença do vice-presidente da Comissão da União Africana, Erastus Mwencha, e do presidente do Banco Africano de Desenvolvimento, Donald Kaberuka.
Igualmente nesta cerimónia, em que discursam vários Chefes de Estado e Governo, o presidente em exercício da SADC, Robert Mugabe, passa o testemunho ao Chefe de Estado do Botswana, Seretse Khama Ian Khama. Do programa consta  a entrega dos prémios aos vencedores da edição 2015 do Concurso de Redacção das Escolas Secundárias da SADC e momentos culturais.
A agenda definitiva e anotada da Cimeira foi aprovada sábado pelo Conselho de Ministros da SADC, que analisou a questão do aumento das contribuições dos Estados membros e a necessidade de elas não serem apenas destinadas aos salários dos funcionários da organização, mas também ao programa de desenvolvimento da região. A redução da dependência dos parceiros internacionais é  uma preocupação do Conselho de Ministros da SADC, uma vez que a organização continua a beneficiar de uma ajuda avaliada em 79 milhões de dólares. O ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti, referiu que desde a realização da última Cimeira, no Zimbabwe, os Estados-membros estão concentrados no reforço da integração, através da criação de um fundo de 300 milhões de dólares para o desenvolvimento industrial e das infra-estruturas da região.
Em Maio, a Cimeira Extraordinária da SADC aprovou, em Harare, a Estratégia e o Roteiro para a Industrialização Regional e o Plano Estratégico Indicativo de Desenvolvimento Regional Revisto. A estratégia, a ser implementada em três fases, abrange o período 2015-2063, num horizonte de 48 anos.  Sobre a instituição do Dia da Libertação da SADC, proposto por Angola, Georges Chikoti informou que até ao momento apenas a África do Sul e a Namíbia se pronunciaram a favor. Os demais Estados membros devem manifestar a sua posição até Janeiro de 2016. Caso não aconteça, o chefe da diplomacia angolana afirmou que a proposta de Angola vai ser assumida, por a Batalha do Cuito Cuanavale ser um marco importante na História da África Austral.

Instabilidade na região

Os Chefes de Estado e de Governo vão, também, avaliar a instabilidade em alguns países da região, com realce para a República Democrática do Congo. Os últimos desenvolvimenteo na Guiné Bissau também devem ser avaliados na Cimeira que começa hoje. O  ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti,  disse, na sexta-feira, que a  crise na Guiné-Bissau também preocupa a SADC, porque compromete a vida dos cidadãos e a estabilidade interna. “É nosso desejo que a Guiné-Bissau possa encontrar rapidamente a estabilidade na base de um consenso entre as três instâncias do poder envolvidas”, frisou.
Na visão de Georges Chikoti, a crise provocada por desentendimentos entre o Presidente da República, o Primeiro-Ministro e o Presidente da Assembleia pode ainda indicar a realização de novas eleições, se as três instâncias não conseguirem conviver. Se for o caso, prossegue o ministro, vai implicar novos recursos para a realização de novas eleições, que o país não está em condições de suportar.
Para Georges Chikoti, o facto de muitos parceiros internacionais terem suspendido as suas ajudas pode agravar a situação nos próximos tempos. “É praticamente difícil tomar iniciativas que possam acautelar a situação, neste momento em que o governo já não existe. Só podemos esperar o que vai acontecer nos próximos dias”, lamentou.
O ministro dos Negócios Estrangeiros de Moçambique, Oldemiro Balai, lamentou igualmente a crise na Guiné-Bissau, principalmente por ser provocada por “políticos que deviam ter maior responsabilidade e sentido de servir o povo”.  (jornaldeangola.co.ao)

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