Carla Marina Van-Dúnem (Banco Sol): “É preciso fortalecer as iniciativas empresariais”

Carla Van-Dúnem, Banco Sol (Foto: D.R.)
Carla Van-Dúnem, Banco Sol (Foto: D.R.)
Carla Van-Dúnem, Administradora Banco Sol
(Foto: D.R.)

O Banco Sol actualmente controla mais de 680 mil clientes e garante acompanhar o processo de bancarização do BNA uma vez que os gestores desta instituição criada em 2001 pretendem massificar o micro-crédito para gerar crescimento.

Melhorar o atendimento à classe empresarial da região Sul, que compreende as províncias da Huíla, Cuando Cubango, Cunene e Namibe, nos vários projectos de desenvolvimento nacional, e proporcionar o bem-estar da população motivaram o Conselho de Administração do Banco Sol a abrir, no Lubango, o primeiro centro de empresas local.

A administradora executiva, Carla Marina Van-Dúnem, disse que o ganho consta do programa do Executivo de diversificar a economia.

Qual é o objectivo da inauguração do primeiro Centro Regional de Empresas na cidade do Lubango, província da Huíla?

Constitui objectivo do ganho melhorar o atendimento à classe empresarial e, particularmente, do segmento das grandes empresas. É também prioridade com esta acção a diversificação do atendimento, para que o banco se diferencie no que diz respeito à banca comercial.

É a primeira central aberta na região Sul?

Devo lembrar aqui que a diversificação da economia é uma prioridade nacional. Nesta conformidade, o centro de empresas aberto pelo Conselho de Administração do Banco Sol é o primeiro do género no interior do país, depois de Luanda. A acção deve ser contínua pelo territó- rio todo. Qual é a vantagem que resulta desta iniciativa para o banco, as empresas e também para a população da região? Entre os ganhos, deve-se referenciar a apresentação de um perfil diferenciado do cliente,empresa e particular.

O centro vai funcionar com todos os tipos de produtos e serviços da banca clássica, desde a abertura das contas correntes, caucionadas, descobertas, a cedências de financiamentos à construção, agricultura e ao desenvolvimento comercial. Com esta nova estrutura de apoio, o banco está disponível para tudo. Já há um valor específico estipulado para atender às empresas que aderirem aos serviços?

Anualmente, o banco delineia mais de 200 milhões de dólares (25 mil milhões de kwanzas) para a concessão de crédito e, neste programa, a província da Huíla também está abrangida. De realçar que, até muito recentemente, mais de 20 milhões de dólares (2,5 mil milhões) foram cedidos à Huíla, principalmente na área agrícola e não só, resultantes do presente exercício económico.

Por se tratar da primeira central de empresas a ser inaugurada na região Sul, depois de Luanda, há algum motivo especial para a abertura deste centro?

Quero em primeiro lugar manifestar a minha satisfação em nome do presidente do Conselho de Administração do nosso banco pela forma positiva como o governo provincial da Huíla, através do vice-governador para o sector Técnico e de Infra-estruturas, Nuno Mahapi Dala, que inaugurou o empreendimento, e a classe empresarial local nos acolheram durante a abertura do banco localizado junto da agência central na zona nobre da cidade do Lubango. A região Sul, concretamente a província da Huíla, tem uma classe empresarial muito forte. Refiro-me, por exemplo, à Associação Agro-pecuária, Comercial e Industrial (AAPCIL) e à Cooperativa dos Criados de Gado do Sul de Angola (CCGSA). É uma região que abrange as províncias da Huíla, Namibe, Cunene e Cuando Cubango. É, igualmente, uma zona cuja parte comercial e o empresariado têm desenvolvido bastante, sobretudo no sector agrícola e não só. Sabemos ainda de antemão que estão a ser desenvolvidas grandes fazendas na região e o banco Sol quer acompanhar esta dinâmica. Entramos num programa de crédito agrí- cola de campanha e do “Angola Investe” e queremos potencializar estas áreas.

Para este programa, já há uma estimativa de clientes ou famílias que se pretende financiar?

Não temos uma estimativa em si. O banco vai disponibilizar os valores de acordo com a disponibilidade de cada província. Pensamos que o dobro de mais de 20 milhões de dólares (2,5 milhões de kwanzas) já cedidos na província pode ser disponibilizado.

Quais são os outros ganhos proporcionados com a abertura da primeira central regional de empresas?

A efectivação da abertura da primeira central de empresas na Huíla permite também a criação de novos postos de trabalho. Com a abertura de novas agências e centros de empresas, primamos muito pelo recrutamento de novos jovens, localmente. Houve de facto recrutamento de seis novos trabahadores. Assim, muitos jovens ganham um primeiro emprego, o que já faz parte da cultura do Banco Sol. A contínua formação e superação dos quadros está acautelada? De facto sim. Esta acção está acautelada. Gostaria de realçar que o banco Sol, dentro do seu orçamento, aposta muito na formação do capital humano. A estiagem que tem assolado esta região não tem prejudicado ou retardado o reembolso de vários créditos que o banco Sol tem cedido, sobretudo no sector agrícola? Até certo modo, sabemos que os factores naturais em algum sentido prejudicam, mas o banco Sol registou uma boa recuperação. Nas primeiras campanhas agrícolas, conseguiu recuperar boa parte do que emprestou.

Nessa altura em que se regista uma ligeira dificuldade de tesouraria resultante do baixo preço do barril do petróleo, a robustez financeira do banco é salutar?

Acredito que sim. É uma conjuntura que se vive não só no país, mas em todo o mundo e penso que, dentro da estratégia e políticas do Executivo, Angola está e vai superar este período com segurança.

Olhando para o programa de extensão do banco Sol a nível nacional, como é que se está actualmente?

O banco está representado em todas as províncias. Neste momento, são controladas mais de 150 agências e com esse número foram proporcionados mais de mil e 400 postos de trabalho. O processo de alargamento vai continuar. Gostaria de realçar que, depois da abertura da Central de Empresas do banco Sol na região Sul, dentro de dias, vai ser inaugurada mais uma agência na província do Bengo, mais precisamente junto ao mercado do Panguila.

A questão do programa de extensão territorial das agências do banco Sol, pelos municípios, é também abordada com o governo provincial da Huíla, na pessoa do vice-governador local para o sector Técnico e de Infra-estruturas, Nuno Mahapi Dala, e atendendo à política de desenvolvimento de província, nós dispusemos ao governo da Huíla a total disposição de abertura de todo o tipo que nos for solicitada. Foram indicados alguns municípios chaves da província onde há maior necessidade, tendo em conta o potencial existente? Para o banco, tudo depende muito daquilo que a província pretende.

Nós acompanhamos os governos provinciais e sabemos de antemão que, em função das necessidades locais, se pode fazer o devido acompanhamento das acções por desenvolver, aí onde houver abertura de serviços públicos. O potencial agro-pecuário da província da Huíla também pode ser um factor catalisador para fazer com que os serviços do banco Sol se expandam cada vez mais na região? Fizemos algumas reuniões com alguns empresários neste ramo. Esperamos efectuar outros encontros nos próximos dias e no primeiro mostrámos total disponibilidade na concessão de produtos agrícolas. A diversificação da economia constitui actualmente prioridade do Executivo, de modo a deixar de depender somente do petróleo.

Como é que o banco Sol tem respondido a este programa?

CARLA1 VAN-DÚNEM JEFO banco Sol tem respondido de forma positiva, não só na classe empresarial, no que tange à banca clássica, mas também na área do empreendedorismo. Não somos um banco com apenas cariz de banca clássica. Temos também banca de microfinanças e temos acompanhado o desenvolvimento. Sabe-se que é também aposta do Governo a produção local, por isso, temos estado a trabalhar com a classe empresarial para conceder mais dinheiro, para que haja desenvolvimento. Aliás, respondemos positivamente em tudo o que nos é solicitado, desde que haja viabilidade e que venha acompanhar o crescimento da economia nacional.

Estamos disponíveis a atender com satisfação. Aliás, o lema do banco Sol é “O Sol é para Todos Nós”. Somos sólidos, inobém da construção.

Na sua opinião o país está a crescer?

Se compararmos o que era Angola em 2005, não tem nada a ver com aquilo que é hoje. Verifica-se um crescimento estrondoso. O Executivo criou infra-estruturas aeroportuárias, hospitalares, escolas, estradas e ferroviárias sustentá- veis. Hoje, podemos sair de uma província para outra e nota-se que a rede viária está bastante desenvolvida. Neste momento, Angola tem os melhores aeroportos em África. Quem não reconhece é porque não quer acreditar no bem conquistado. Não podemos comparar o de 2000 com o de hoje. Em 2015, temos uma Angola que orgulha a todos. Muitos países africanos e não só, não têm as infra-estruturas que Angola conseguiu nesses poucos anos.

Podemos considerar o surgimento do banco Sol como ganho dos 40 anos de independência que o país vai comemorar a 11 de Novembro deste ano?

É um ganho. Se verificar a idade média de trabalhadores recrutados, é na sua maioria jovem. Para a maior parte do pessoal que trabalha com o banco Sol, a média de idade é de 25 anos. Muitos destes quando entraram tinham apenas 20 a 21 anos. O seu primeiro emprego fez com que a maior parte tenha uma vida social estável. Eu penso que dar emprego a mais de mil e 400 pessoas é criar desenvolvimento nacional.

Ao primar pela juventude, responde-se também ao legado de que “O futuro está nas mãos dos jovens”?

Sim. As pessoas de maior idade têm que capacitar a nova geração. Com a criação do centro de empresas, novos jovens ingresvadores, solidários, equipa, pioneiros, diferentes, angolanos e sobretudo somos o futuro.

Vamos continuar a crescer com a dinâmica nacional. O banco Sol é parceiro fundamental do Executivo no programa de combate à fome e à pobreza.

O contributo tem sido efectivo?

Sem dúvida. Primeiro realçar que dos 900 milhões de dólares (112 mil milhões de kwanzas), já concedemos em crédito cerca de 160 milhões (20 mil milhões) à banca de micro-finanças com um retorno total. Não temos tido problemas inclusive nesse sentido. É nossa bandeira acompanhar o micro-empreendedorismo.

Para quem pretenda aderir à central de empresa o que é necessário fazer?

Para todo o empresário ou outro interessado aderir aos serviços disponíveis na central, basta abrir uma conta. Ter uma empresa que esteja legalizada e registada e apresentar projectos viáveis e, dentro da satisfação e melhoria das condições sociais e financeiras, os financiamentos estão disponíveis.

Quando se fala de condições sociais e financeiras da província, a que se refere de concreto?

Ao conceber qualquer projecto, é preciso haver uma visão naquilo que proporciona desenvolvimento. A agricultura é um dos factores e a construção também. Para haver crescimento e desenvolvimento, é preciso que haja construção, além da actividade comercial que não podemos deixar de apoiar.

Referiu-se ao processo da construção. O crescimento de qualquer cidade e localidade  depende também da construção. Na sua opinião o país está a crescer?

Se compararmos o que era Angola em 2005, não tem nada a ver com aquilo que é hoje. Verifica-se um crescimento estrondoso. O Executivo criou infra-estruturas aeroportuárias, hospitalares, escolas, estradas e ferroviárias sustentá- veis. Hoje, podemos sair de uma província para outra e nota-se que a rede viária está bastante desenvolvida. Neste momento, Angola tem os melhores aeroportos em África. Quem não reconhece é porque não quer acreditar no bem conquistado. Não podemos comparar o de 2000 com o de hoje. Em 2015, temos uma Angola que orgulha a todos. Muitos países africanos e não só, não têm as infra-estruturas que Angola conseguiu nesses poucos anos.

Podemos considerar o surgimento do banco Sol como ganho dos 40 anos de independência que o país vai comemorar a 11 de Novembro deste ano?

É um ganho. Se verificar a idade média de trabalhadores recrutados, é na sua maioria jovem. Para a maior parte do pessoal que trabalha com o banco Sol, a média de idade é de 25 anos. Muitos destes quando entraram tinham apenas 20 a 21 anos. O seu primeiro emprego fez com que a maior parte tenha uma vida social estável. Eu penso que dar emprego a mais de mil e 400 pessoas é criar desenvolvimento nacional. Ao primar pela juventude, responde-se também ao legado de que “O futuro está nas mãos dos jovens”? Sim. As pessoas de maior idade têm que capacitar a nova geração. Com a criação do centro de empresas, novos jovens ingressaram no quadro do pessoal do banco. Na sua maioria, foram formados nas universidades e o emprego vai-lhes proporcionar a oportunidade do aprendizado. Eu penso que estamos a conseguir acompanhar a política do Executivo.

Como caracteriza a relação entre a sua agência e outras do país?

Dentro do sistema financeiro, somos mais um banco. Sabemos que em Angola existem mais de 20 instituições bancárias. É como tudo. O país é grande e cabemos todos. Penso que cada banco está a desenvolver a maior parte dos serviços da banca clássica, para responder àquilo que é a política do Executivo. Penso que o sector da banca está a demonstrar desenvolvimento nos últimos anos. Todos os bancos têm contribuído para o desenvolvimento do sistema financeiro nacional. O banco Sol vai continuar a cavalgar no ritmo de crescimento do país. A nossa função é potencializar cada vez mais a camada empresarial, sobretudo a juventude.

Para tal, temos estabelecido parcerias com entidades públicas e privadas. O banco Sol é de todos nós. Estamos para servir e criar desenvolvimento.

Quantos clientes são controlados pelo banco Sol actualmente?

O banco Sol actualmente controla mais de 680 mil clientes. O objectivo é continuar a crescer. Não podemos parar por aqui. Com a bancarização, ainda há muita população nacional que está fora do sistema financeiro. Estamos a acompanhar o Banco Nacional de Angola (BNA) no processo da bancarização da população e vamos continuar a fazê-lo. Iniciámos a nossa actividade a 4 de Outubro de 2001, com objecto social, além de contemplar o exercício de operações bancárias clássicas e a retalho, prever também o exercício da actividade de micro-finanças. Este foi na realidade o motivo impulsionador para a constituição do banco.

O incentivo ao desenvolvimento das micro-finanças é a arma de combate à fome?

Sem dúvidas. O incentivo ao desenvolvimento de micro-finanças é de certa forma uma arma de combate à fome e à pobreza, sendo que vem colmatar uma falha do nosso mercado, através da constituição de pequenas e médias empresas e assim diminuir, de certa forma, o desequilíbrio social patente em Angola. A actividade de micro-finanças, isto é, micro-depósitos e micro-créditos envolve custos fixos elevados. Se nos dedicássemos apenas à actividade de microfinanças, nomeadamente de micro-crédito, seríamos obrigados a recorrer a donativos, ou seja, apoios financeiros a fundo perdido. No entanto, como também nos dedicamos ao exercício de operações clássicas, as operações de micro-finanças (até atingirem o “ponto crítico”) serão financiadas não só pelos meios libertos das operações correntes, mas também por financiamento externo. (jornaldeeconomia.ao)

Por: Arão Martins (no Lubango)

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