Campeonatos do Mundo arrancam hoje em Pequim

(Jd.ao)

Os mundiais de Pequim começam a movimentar-se hoje, numa altura em que a modalidade tem sido assolada por denúncias de novos casos de doping.

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Os campeonatos mundiais de atletismo começam hoje na China com olhos centrados em Usain Bolt. O jamaicano regressa ao Ninho de Pássaro, palco que o viu a consagrar-se recordista olímpico em três provas, em 2008. Em meio a azáfama, as atenções estendem-se aos rivais como Justin Gatlin e Asafa Powel.

Usain Bolt é o recordista mundial dos 100 e 200 metros livres, mas é o sexto do ranking na prova mais curta. O jamaicano é superado por cinco outros concorrentes, que fizeram as melhores marcas do ano. O reinado de Bolt, principal atracção do evento desportivo, pode ter chegado ao fim? Essa é a questão que coloca os holofotes apontados para as provas de velocidade do campeonato de Beijing’2015.

Usain Bolt busca a afirmação no mítico estádio chinês. Na lista de melhores tempos de 100 metros rasos em 2015, o jamaicano aparece na sexta posição com 9s87. Na liderança está o norte-americano Justin Gatlin com 9s74, mais dois outros tempos: 9s75 e 9s78. Na segunda posição está Asafa Powel com 9s81, seguido de Trayvon Brommel (9s84), Keston Bledman (9s86), Jimmy Vicaut (9s86). Tyson Gay tem os mesmos 9s87 do recordista mundial.

A “lentidão” é fruto de problemas físicos de Bolt. No ano passado, Usain disputou apenas três competições. No ano corrente, os 9s87 foram marcados na etapa de Londres da Liga de Diamante. Antes, Bolt fez 10s12 no evento-show realizado no Rio de Janeiro, numa pista provisória.

O jamaicano reclama de problemas no quadril, que aumentam a pressão no joelho esquerdo e reduzem a velocidade. Essas lesões tiraram-no das competições da França e da Suíça nos últimos meses.

Usain Bolt conquistou seis medalhas de ouro nas duas edições dos Jogos Olímpicos e venceu as provas dos 100m, 200m e da estafeta 4 x 100m. Hoje, aos 28 anos, assegura estar na sua melhor forma desportiva. A avaliação vai ser feita amanhã, quando o jamaicano enfrentar o norte-americano Justin Gatlin na final dos 100 m do Mundial de atletismo de 2015, em Beijing, China.

“Estou no meu melhor. É isso que posso dizer. Estou em óptima forma, feliz por estar onde estou. Tenho corrido bem, a minha largada tem sido boa. Estou feliz e pronto”, afirmou Bolt em referência à final do Mundial.

Em campeonatos mundiais, o desempenho de Usain Bolt é ainda mais expressivo. São dez medalhas, dos quais oito de ouro e duas de prata. Nos 100m, venceu as finais de 2009 e 2013; em 2011, foi desclassificado da final por queimar a largada.

Com a melhor marca do ano nos 100m (9s87) e o recorde mundial da prova (9s58), Usain Bolt acredita que pode melhorar o seu ponto fraco no Mundial de Beijing: as largadas.

“A minha largada é sempre uma questão. Ajustamos algumas coisas para vir a este campeonato mundial. Fiz o meu último treino e largada na quarta-feira e o meu técnico estava a sorrir”, disse, optimista.

Outra estrela mundial presente na prova é Fabiana Murer. A saltadora regressa a China sete anos depois de ver furtada uma das suas varas, quando participou dos Jogos Olímpicos. Na época prometeu: “Nunca mais volto à China”. Como o desporto vive de ciclos, a brasileira vai competir no solo chinês com lembrança da noite de 18 de Agosto de 2008. Hoje, justifica que as palavras foram proferidas no calor da competição.

Fabiana Murer desembarcou como a quarta melhor saltadora do ano. À frente estão a campeã olímpica Jennifer Suhr (4,82m), a grega Nikoleta Kyriakopoulou (4,83m) e a cubana Yarisley Silva (4,91m), que a torna a terceira melhor atleta da prova na história. Yelena Isimbaieva (5,06m) e Jennifer Suhr (4,92m) saltaram mais alto.

Quando Jonathan Edwards saltou 18,29m no dia 7 de Agosto de 1995, o recorde mundial de salto triplo tornou-se no mito do atletismo actual. Até 2013, ninguém havia superado a marca. Nos últimos dois anos, apareceram três atletas em busca da marca e superaram os 18 metros: o francês Teddy Tamgho, o norte-americano Christian Taylor e o cubano Pedro Pichardo.

Até 2015, Edwards era o único da história a saltar 18m duas vezes numa época. Pichardo e Taylor já o igualaram neste ano, antes mesmo de disputar a principal competição do período. Há quem aposte que um dos dois vai quebrar o recorde na China. Mesmo se não acontecer, um terceiro salto de 18m em 2015 já vai ser um impulso e tanto para os Jogos Olímpicos de 2016.

Para completar, o Mundial de Beijing também marca a busca por um rosto no atletismo dos EUA. A equipa mais forte do desporto no planeta está sem um representante carismático nas provas de velocidade, que normalmente são o seu carro-chefe. Justin Gatlin e Tyson Gay estão entre os mais rápidos do ano, mas ficam em segundo plano por causa dos casos de doping. Ambos regressam das suspensões.

Com isso, o pentatleta Ashton Eaton, campeão olímpico e bicampeão mundial, compete pelo estrelato com o destaque da equipa feminina, Allyson Felix, a maior atleta da história dos Campeonatos Mundiais da Iaaf, com oito medalhas de ouro no total: tricampeã mundial e actual ouro olímpico nos 200m, porém, ela deve fazer a transição, em Beijing, para os 400m.

PROVAS
IAAF proíbe
atletas com próteses

A Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF) decidiu proibir, a partir de Novembro, a participação de atletas com próteses nos Campeonatos Mundiais.

“Foi aprovada uma regra técnica”, disse o secretário-geral da IAAF, em referência aos atletas que utilizam próteses, mas doravante “podem participar em competições próprias”.

A nova regra coloca um ponto final na discussão gerada em torno da participação do paralímpico sul-africano Oscar Pistorius, amputado das duas pernas, em competições de atletismo regular.

Depois de ter recusado a participação de Oscar Pistorius, por considerar que o sul-africano poderia ser beneficiado pelo uso de próteses, a IAAF acabou por autorizar a participação nos Jogos Olímpicos e Campeonatos Mundiais.

Em 2011, nos Mundiais disputados em Daegu, na Coreia do Sul, Oscar Pistorius, que se encontra a cumprir pena de prisão pelo homicídio involuntário da namorada, integrou a estafeta dos 4×400 metros que conquistou a medalha de prata.

O atleta detentor de seis medalhas paralímpicas de ouro integrou a estafeta da África do Sul que participou nos Jogos Olímpicos de Londres’2012.
Em 2014, a Federação Alemã de Atletismo (DLV) excluiu da lista de inscritos para os Europeus, disputados em Zurique, o atleta paralímpico Markus Rehm, campeão alemão de salto em comprimento.

Apesar de Rehm se ter sagrado campeão numa competição para atletas sem deficiência, a DLV considerou que a marca conseguida com uma prótese não pode ser equiparada às conseguidas por atletas sem deficiência.

RECORDISTA MUNDIAL
“Temos ouvido
é doping e mais doping”

O atleta jamaicano Usain Bolt manifestou-se triste com o facto de se falar essencialmente de doping a apenas dois dias do início dos Mundiais de atletismo, que decorrem a partir de hoje em Beijing.

“É muito triste, tudo o que temos ouvido nas últimas semanas é doping, doping e mais doping”, afirmou Usain Bolt.

Recentemente, o jornal britânico Sunday Times e a televisão alemã ARD revelaram ter recebido das mãos de um denunciante os registos detalhados de 12.000 testes de sangue feitos a cinco mil atletas, que revelaram a presença de altos níveis de doping, principalmente, nos atletas medalhados russos.

Em conferência de imprensa, Usain Bolt referiu que a luta contra o doping é “uma tarefa de todos” e considerou que compete aos atletas “mostrar que o atletismo é um desporto limpo”. (jd.ao)

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