Brasil: Instituto Lula questiona reportagens publicadas no GLOBO

(institutolula.org)
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O Instituto Lula publicou na sexta-feira, em seu site, nota na qual questiona reportagens que citam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicadas pelo GLOBO.

Sobre o apartamento no Guarujá (SP), o instituto diz que o imóvel não é de Lula. Segundo a nota, a mulher do ex-presidente, Marisa Letícia, adquiriu, em 2005, uma cota de participação da Bancoop (Cooperativa Habitacional dos Bancários), referente à compra de um apartamento que seria entregue em 2007.

Após a falência da Bancoop, a construção foi transferida à OAS, que concluiu a obra em 2013. Segundo o instituto, Marisa ainda não decidiu se vai pedir o ressarcimento do valor pago ou se vai, de fato, ficar com o apartamento. Essa opção, diz a nota, foi dada a todos os outros cooperados.

O GLOBO ouviu, em dezembro, moradores e funcionários do Edifício Solaris, no Guarujá, que confirmaram ter visto Lula três vezes no local. Segundo essas pessoas, o filho do casal, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, foi o responsável por fazer uma reforma no triplex de 297 metros quadrados, o apartamento 164.

O imóvel recebeu um elevador privativo para levar os moradores do 16º ao 18º andar. A decoração foi acompanhada de perto por Marisa, segundo a vizinhança. A reportagem também mostrou que, na declaração de bens de 2006, Lula declarou ter pago R$ 47.695,38 à Bancoop.

O Instituto Lula criticou, ainda, o que classificou como “ilações sobre possíveis operações financeiras do empreendimento estarem relacionadas a empresas envolvidas na Operação Lava Jato”, fazendo referência à reportagem do GLOBO no último dia 12.

A reportagem mostra dados obtidos pelos investigadores da Operação Lava-Jato que traçam uma relação entre dinheiro movimentado pelo doleiro Alberto Youssef e e o investimento feito pela OAS na reforma do edifício.

Entre 2009 e 2013, a empresa de Youssef fez vários pagamentos para a Planner, uma corretora de valores mobiliários, que somam R$ 3,7 milhões. Em 2010, a Planner pagou à OAS R$ 3,2 milhões. As transações são investigadas pelo Ministério Público Federal.

“Lula poderia, perfeitamente, pela sua trajetória de vida e atividade profissional como palestrante, ter um apartamento comprado a prestações no Guarujá. Mas não tem”, diz o instituto.

A assessoria de imprensa do ex-presidente questionou ainda texto do colunista Merval Pereira do dia 12. Segundo o Instituto Lula, a coluna dizia que Lula teria feito “consultoria para empresas”. O instituto afirmou que o ex-presidente faz palestras. “Não é, não foi, nem será consultor de ninguém”, diz a nota. No dia seguinte à publicação, o colunista corrigiu a informação em sua coluna.

A nota diz ainda que reportagens publicadas pelo GLOBO provocaram desmentidos de duas lideranças internacionais: “o primeiro-ministro português, Pedro Passos Coelho, e o ex-presidente uruguaio, José Mujica, tiveram de vir a público desmentir matérias caluniosas do jornal carioca”. Segundo a assessoria de imprensa do presidente, as viagens de Lula a outros países tiveram o objetivo de “defender a imagem do Brasil no exterior”.

O GLOBO revelou, em 8 de maio, o conteúdo do livro “Una oveja negra alpoder”, dos jornalistas uruguaios Andrés Danza e Ernesto Tulbovitz. Depois de ter acesso à obra e de confirmar com seus autores o teor dos registros feitos, o jornal reproduziu literalmente o conteúdo do livro.

Nele, o ex-presidente José Mujica conta que, em reunião ocorrida em Brasília nos primeiros meses de 2010, Lula e ele falaram sobre o mensalão e que, nesse momento, Lula lhe disse textualmente a seguinte frase: “Neste mundo tive que lidar com muitas coisas imorais, chantagens” e que aquela era “a única forma de governar o Brasil”. No livro, autorizado por Mujica, e na revista “Búsqueda”, a conversa entre os dois políticos foi classificada como “uma confissão” do ex-presidente brasileiro. O GLOBO reproduziu os relatos.

Depois, ao “O Estado de S. Paulo”, Mujica disse sobre o encontro: “Ele me falou das pressões e das chantagens. Mas nada de dinheiro ou de corrupção”.

Em 19 de julho, O GLOBO reproduziu conteúdo de relatórios do embaixador brasileiro em Lisboa, Mario Vilalva, sobre a visita de Lula a Portugal em outubro de 2013. O diplomata registrou que, após falar à RTP sobre a importância de o Brasil “se engajar mais ativamente na aquisição de estatais portuguesas”, em privado o ex-presidente “também reforçou o interesse da Odebrecht pela EGF ao primeiro-ministro Pedro Passos Coelho, que reagiu positivamente ao pleito brasileiro”. Ao falar depois a veículos portugueses, Passos Coelho deu outra versão: “O ex-presidente Lula não me veio meter nenhuma cunha para nenhuma empresa brasileira”. (Agência O Globo)

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