BNA volta a aumentar juros para segurar kwanza e inflação

(EXPANSAO)
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A principal taxa directora do banco central aumentou de 9,75% para 10,25%, sendo necessário recuar a Dezembro de 2012 para encontrar uma taxa tão alta. Quem vive a crédito fica pior, mas quem poupa fica a ganhar.

O Comité de Política Monetária (CPM) aumentou a taxa básica de juro do Banco Nacional de Angola (BNA), de 9,75% para 10,25%, esta segunda-feira, 27 de Julho, o segundo aumento mensal consecutivo, reforçando a tendência de subida das taxas de juro dos empréstimos e dos depósitos. O banco central não determina as taxas de juro, mas pode influenciá-las através, precisamente, da taxa básica, também conhecida como taxa BNA, que serve de referência ao mercado interbancário. O mercado interbancário é aquele onde os bancos que têm excesso de liquidez emprestam dinheiro aos bancos que precisam de liquidez.

Essas trocas de liquidez fazem-se a uma taxa de juro chamada LUIBOR, acrónimo inglês de taxa interbancária de oferta de fundos do mercado de Luanda. Se a taxa básica serve de referência às taxas LUIBOR, estas servem de referência às taxas de juro do crédito a clientes. Quando as empresas e as famílias vão ao banco pedir dinheiro, este cobra-lhes uma taxa LUIBOR mais uma margem que depende do risco. Cronologicamente, quando a Taxa BNA aumenta, esse aumento contagia a LUIBOR, que, por sua vez, faz subir as taxas a que os bancos emprestam dinheiro. Uma teoria confirmada pelas estatísticas do BNA.

A taxa LUIBOR overnight (prazo de um dia) está, actualmente, nos 12,5%, praticamente o triplo do que estava em Outubro de 2014, quando começaram os apertos da política monetária – o gráfico apresentado nesta página vai só até Abril, mês em que a overnight se situou nos 6,25%. Já as taxas de juro cobradas pelos bancos aos clientes empresariais nos empréstimos até 6 meses aumentaram cerca de 1 ponto percentual, de uma média 16,7% em Outubro de 2014, para 17,7% em Maio.

Sete apertos em 10 meses

A subida da taxa básica desta semana é a quarta desde Outubro de 2014, mês em que a também chamada taxa BNA passou de 8,75% para 9%. Se às quatro subidas da Taxa BNA – Outubro, Março, Junho e Julho – somarmos os três aumentos das reservas obrigatórias – o primeiro de 12,5% para 15%, em Novembro, o segundo de 15% para 20%, em Fevereiro, e o terceiro de 20% para 25% em Junho -, são já sete os apertos da política monetária desde Outubro, decididos em seis reuniões – ver cronologia.

As reservas obrigatórias correspondem à parcela dos depósitos de clientes que os bancos são obrigados a depositar no banco central. Quanto maior o coeficiente de reservas obrigatórias, menos dinheiro os bancos podem emprestar aos agentes económicos. Se o coeficiente de reservas obrigatórias aumenta, os bancos passam a cobrar juros mais altos aos para não baixarem os lucros. Quando a política monetária é apertada, seja através do aumento do coeficiente de reservas obrigatórias, seja via subida da Taxa BNA, o crédito fica mais escasso e mais caro. Os sete apertos da política em dez meses sinalizam que o banco central está preocupado com o aumento da inflação.

Kz em baixo, preços em cima

A pressão para aumento dos preços deve-se, em parte, à desvalorização do Kz, penalizado pela descida do petróleo. Angola importa parte substancial do que consome. Um Kz mais fraco torna os produtos estrangeiros mais caros em moeda nacional. Desde Junho de 2014, o Kz perdeu cerca de 22,5% no mercado primário oficial: o USD passou de 97,5 Kz para os actuais 125,8 Kz. No mercado informal, a quebra ultrapassa os 30%, com o USD a passar de menos de 120 Kz em Junho de 2014 para 175 Kz actualmente, ou mais, dependendo dos locais.

A fraqueza do Kz é outra das justificações apresentadas por José Pedro de Morais, governador do BNA, para apertar a política monetária. Falando recentemente aos bancários do MPLA, o banqueiro afirmou que, “se o mecanismo de transmissão da política monetária for suficientemente eficaz, o aumento das taxas de juro do mercado monetário interbancário deverá influenciar (…) as taxas de juro dos títulos públicos. Num segundo momento, ajustar-se-ão as taxas de juro dos depósitos a prazo (…), incentivando a procura por moeda nacional. Se a procura por moeda nacional aumentar, reduzirá a procura por moeda estrangeira, reduzindo- se, igualmente, a pressão sobre a taxa de câmbio”. (expansao.co.ao)

por Carlos Rosado de Carvalho

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