Bispos da CEAST apelam à calma em Angola

Assembleia da CEAST, em São Tomé e Príncipe, em março de 2014 (DW)
Assembleia da CEAST, em São Tomé e Príncipe, em março de 2014 (DW)
Assembleia da CEAST, em São Tomé e Príncipe, em março de 2014 (DW)

Em pleno clima de tensão política e social no país, nomeadamente após a detenção de 15 ativistas acusados de planear um golpe de Estado, os bispos católicos pedem que se preserve a paz.

De acordo com o porta-voz da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST), Dom Manuel Imbamba, é preciso que as autoridades governamentais criem condições para que os cidadãos possam manifestar livremente as suas opiniões e exercer livremente os direitos constitucionalmente garantidos.

“Temos acompanhado a evolução da situação política no nosso país, apelando à calma, ao diálogo e ao respeito”, diz o porta-voz da CEAST à DW África.

Um apelo, explica Dom Manuel Imbamba, “para que não se criem fantasmas e medos e que não se façam monstros a partir de pequenas coisas”. De acordo com o bispo, a CEAST quer evitar que se façam “alarmes que evocam um passado triste” de Angola, a partir de “pequenos conflitos”.

Igreja “não se intromete” no caso dos ativistas detidos

Quanto à detenção dos 15 ativistas acusados de pretenderem derrubar o Governo angolano, o porta-voz da CEAST afirma que a Igreja está a acompanhar o caso “com bastante serenidade”.

“É um processo que está a ser investigado. Estamos à espera que os órgãos da Justiça averiguem e confrontem os factos de que estão a ser acusados. Nós, como Igreja, não nos podemos intrometer nesta questão”, diz Dom Manuel Imbamba.

Protesto em Luanda, em julho, pela libertação dos 15 jovens ativistas (DW)
Protesto em Luanda, em julho, pela libertação dos 15 jovens ativistas (DW)

Questionado sobre a notícia posta a circular pelo portal Club-K dando conta de uma missiva enviada por um grupo de bispos solicitando ao Presidente da República a libertação dos presos políticos, o porta-voz da CEAST desmente a informação. Dom Manuel Imbamba afirma que “a Igreja não se revê nessa notícia”, uma vez que se trata de “um órgão que trata os assuntos sob o anonimato”. “Nós não lidamos com anónimos”, diz o bispo.

Duras críticas ao discurso político angolano

No entanto, Dom Manuel Imbamba critica as autoridades angolanas e os partidos políticos que insistem nos discursos inflamatórios que visam apenas “conquistar o poder pelo poder”.

O porta-voz da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé sublinha que a vida do país não se esgota nos partidos políticos.

“Os partidos são importantes para o bem da democracia e da própria sociedade, mas os partidos estão ao serviço do bem da sociedade e não o contrário”, considera.

E as críticas continuam: “a tendência a que estamos a assistir é a de reduzir tudo à vida dos partidos, como se os partidos fossem tudo para o bem da Nação. O discurso actual dos nossos políticos é muito ameaçador, leva as pessoas a viverem no medo, a não terem certezas quanto ao seu futuro. É um discurso que vive o poder pelo poder”.

Interrogatórios prosseguem

Entretanto, na manhã desta quarta-feira (12.08), Luaty Beirão, Nito Alves e Domingos da Cruz, três dos 15 ativistas acusados de planearem um golpe de Estado, foram ouvidos pelos agentes do Serviço de Investigação Criminal (SIC), numa audição que durou mais de seis horas.

Os interrogatórios decorreram sob um forte aparato policial que não permitiu qualquer contacto entre os detidos e seus familiares antes e depois da audição, segundo Fernando Batista, pai de Nito Alves.

A DW África contactou, sem sucesso, o advogado dos detidos, Walter Tondela. (dw.de)

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