Bié: Cidade do Cuito completa hoje 80 anos de existência

BIÉ: RUAS DA CIDADE DO CUITO (Foto: Jilmar Enoque)

Cuito – O Cuito, capital da província do Bié, comemora hoje, segunda-feira, 31 de Agosto, 80 anos desde que foi elevada, em 1935, à categoria de cidade, sob proposta dos seus habitantes na época (colonos portugueses).

BIÉ: RUAS DA CIDADE DO CUITO (Foto: Jilmar Enoque)
BIÉ: RUAS DA CIDADE DO CUITO (Foto: Jilmar Enoque)

O Cuito, anteriormente denominada por Silva Porto, é um dos nove municípios que compõe a província do Bié e está situado na região planáltica e central de Angola, a 82 quilómetros a leste do centro geodésico do país (Camacupa).

Habitam na cidade do Cuito vários grupos etnolinguísticos, sendo a maior parte  ovimbundos, em menor quantidade os nganguelas, tchokwes, songos e outros, devido ao conflito armado que o país viveu.

A tradição dos povos da região não se difere muito das outras localidades da província, caracterizada pelos usos e costumes e a gastronomia local, associando-se a vários tipos de dança, como Ocatita, Sawoia, Tchianda, Omenda, entre outras, bem como os seus rituais tradicionais.

Reza a história que o distrito do Bié foi fundado em 1922 por Vié, no século XVIII, caçador de elefantes de origem Umbi, que depois de se instalar na região de Belmonte tornou-se o soberano da região. Vié veio a chamar-se mais tarde de vila de Silva Porto, actual cidade do Cuito.

A Vila de Silva Porto, segundo fontes escritas, foi elevada à categoria de cidade, através do diploma legislativo nº 740 de 31 de Agosto de 1935, sob proposta dos habitantes, através do estatuto de vila, por ser a região onde os portugueses deram início as campanhas de penetração, com destino ao leste de Angola.

Antes da chegada dos portugueses à esta parcela do país, o tratamento das doenças era feito tradicionalmente. Em 1931 foi construído o hospital indígena (actual hospital provincial) que atendia somente pessoas que faziam parte da classe dos assimilados.

Anos depois, surgiram as missões do Camundogo e Chilonda (Igreja Evangélica Congregacional de Angola) e a da Chanhora, esta pertencente à igreja Católica, que contribuíram na assistência sanitária à população local, bem como no processo de ensino e aprendizagem.

A semelhança de outras localidades do país, o Início da Luta Armada, a 4 de Fevereiro de 1961, e consequentemente a proclamação da Independência Nacional, a 11 de Novembro de 1975, determinou o fim do regime da administração colonial no país.

Actualmente, a cidade do Cuito regista melhorias significativas, ruas e passeios reabilitados, residências em reabilitação, jardins recuperados, iluminação pública melhorada e fornecimento de água potável em dia, fruto da implementação de programas do Governo angolano.

Quanto ao sistema bancário, a capital biena foi reforçada com agências do Banco de Poupança e Crédito (BPC), do Banco Sol, dos Bancos de Fomento Angola (BFA), Bic, Millennium, Atlântico, BAI e Espírito Santo, que têm vindo a contribuir para a bancarização dos salários da função pública e diversas operações.

O relevo do Cuito é constituído por áreas intercaladas por pequenas e grandes matas com um solo arável e fértil. Por possuir terras aráveis, a população do município do Cuito, é maioritariamente camponesa e dedica-se a agricultura de subsistência, criação de gado, apicultura e caça, sendo os produtos mais cultivados o milho, mandioca, feijão trigo, arroz e hortícolas diversas.

Possui os rios Cuito, Cunje, Cuquema e Cuche que possibilitam o exercício da pesca continental. A flora do Cuito é caracterizada por pequenas árvores e arbustos como a Mulembeira, Ongoti, Omanda, Otchandala, Umbombo, Ussongue, Ometi, entre outras, sendo a sua fauna composta por repteis como lagartixa (ekangala), cobras de várias espécies, toupeiras (onete), jiboias (omoma), coelhos (ondimba), cabra do mato (ombambi), entre outros,

Habitam ainda nesta região animais como leão (ohosi), onça (ongue), perdiz (onguali), hipopótamos (ongueve), jacaré (ongandu), rola (onende), galinha-do-mato (ohanga), entre outros.

Fazem parte do município, cinco comunas, nomeadamente a sede (Cuito), Cunje, Trumba, Chicala e Cambandua com uma extensão de 4.814 quilómetros quadrados e uma população estimada em mais de 400 mil habitantes.

Actualmente a localidade (Cuito) beneficia dos sinais da emissora provincial da Rádio Nacional de Angola, através do centro emissor de alta potência, assim como dos canais 1 e 2 da Televisão Pública de Angola.

As religiões mais predominantes são a Católica, Evangélica Congregacional, Assembleia de Deus Pentecostal, Adventista do Sétimo dia, Evangélica dos Irmãos, Igreja Universal do Reino de Deus, Igreja do Nosso Senhor Jesus Cristo no Mundo, Testemunhas de Jeová, entre outras.

Administrativamente, a capital da província do Bié, faz fronteira, a norte com o município do Cunhinga, a leste com o  Catabola, a sudoeste com o Chinguar e a sul com o município do Chitembo.

Entretanto as festas do Cuito, que tiveram à sua abertura pelo governador da província do Bié, Álvaro Manuel de Boavida Neto, no dia 15 do corrente mês terminam hoje, dia 31, com a inauguração de várias infraestruturas sociais.

Desde a sua abertura a 15 deste mês foram realizadas inúmeras actividades desde culturais, visitas, debates radiofónicos, desportivas, patrióticas, colóquios, entre outras. (portalangop.co.ao)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA