Banco de desenvolvimento da CPLP está mais próximo

(EXPANSAO)
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Bancos, seguradoras e outras instituições financeiras da CPLP criaram união, cujo principal objectivo é seguir os passos de outras regiões e criar um banco de fomento. Gestor da entidade quer mais troca de experiências.

A criação de um banco de desenvolvimento da lusofonia é o principal objectivo da União de Bancos, Seguradoras e Instituições Financeiras da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (UBSIF-CPLP), revela o presidente da comissão instaladora.

Em declarações ao Expansão, Francisco Almeida Leite explica que a União, cuja escritura pública de constituição foi realizada na semana passada, em Lisboa, vai em breve proceder à eleição dos corpos sociais e tem como meta atingir 100 associados no final do próximo ano.

A entidade, cuja criação foi anunciada em 2014 no 1.º Encontro de Bancos, Seguradoras e Instituições Financeiras da Confederação Empresarial da CPLP, em Lisboa, quer constituir-se como plataforma de defesa dos interesses e de promoção dos laços institucionais e comerciais de bancos, seguradoras e instituições financeiras lusófonas, afirma o responsável.

A UBSIF-CPLP “será uma associação de cooperação pura, que tem como desígnio último a promoção dos estudos que levem à criação de um banco de desenvolvimento da CPLP”, explica o também administrador executivo da SOFID, instituição financeira portuguesa centrada em apoiar projectos no espaço lusófono.

No curto prazo, diz, a entidade vai “proceder ao que falta para tornar a UBSIF-CPLP uma realidade”, enviando cartas-convite às entidades que estiveram no encontro do ano passado na capital portuguesa, nomeadamente bancos como o Millennium BCP, a Sofid, o Banco de Fomento Angola, o Novo Banco (ex-BES), o Banif, o Banco Nacional Ultramarino, o Banco da África Ocidental, a Geo Capital, a Associação Portuguesa de Bancos e as suas congéneres lusófonas, e bancos centrais.

“Temos a ambição de ter 100 associados no fim de 2016”, revela o gestor, adiantando que, “a médio prazo”, após a assembleia-geral para escolha dos órgãos sociais – cuja data não indicou -, a entidade quer promover “a troca de experiências e conhecimentos ao nível da supervisão, compliance, governance e boas práticas” entre os seus membros.

“Vamos ter comités especializados, publicações comparativas e reuniões anuais de alto nível sobre estas e outras matérias”, afirma Almeida Leite, sublinhando que as instituições dos diferentes países de expressão portuguesa “podem aprender muito umas com as outras, porque há vários níveis de desenvolvimento, também no sector financeiro”.

“A UBSIF-CPLP quer ser uma plataforma de excelência para bancos e seguradoras, onde está centralizada a informação e onde se podem buscar soluções para a melhoria das várias operações”, defende, explicando que a União vai actuar ainda emitindo “recomendações, à semelhança do que fazem instituições congéneres”.

Países da lusofonia “atrasados” face a outros blocos

“A Commonwealth tem uma união deste género desde 1956, e o Commonwealth Bank existe desde 1941, tendo também sido criada a Commonwealth Development Corporation em 1941”, lembra o presidente da comissão instaladora da nova organização. “Estamos atrasados alguns anos, até se pensarmos que todos os blocos geopolíticos do mundo estão munidos de grandes multilaterais financeiras que apoiam os Estados e o sector privado dos países que as compõem”, reforça o presidente da comissão instaladora da UBSIF-CPLP, dando como exemplos a Corporación Andina de Fomento (CAF) e o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) na América Latina, o Banco Europeu de Investimento (BEI) e o Banco Europeu para a Reconstrução e o Desenvolvimento (BERD) na Europa, o Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) em África e o Banco de Desenvolvimento Asiático (BDA) na Ásia.

“Não faz sentido que os países lusófonos lutem com armas desiguais no que ao crescimento, ao desenvolvimento e ao bem-estar das populações diz respeito”, defende Francisco Almeida Leite, que lembra ainda os “poderosíssimos” casos do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES) brasileiro e do Novo Banco de Desenvolvimento (NBD), também referido como Banco de Desenvolvimento do BRICS, ou Banco do BRICS, com a presença do Brasil, da China, da Rússia, da Índia e da África do Sul.

“Isto demonstra pujança. Agora é preciso que os países que estão mais atrasados e mais fracos possam beneficiar dessas experiências, que também existem ao nível europeu, por exemplo na área da regulação e da supervisão. Só essa partilha de informação nos irá tornar mais fortes”, alerta o gestor.

Sede da União pode ‘rodar’

De acordo com Francisco Almeida Leite, a sede da UBSIF-CPLP é em Lisboa, mas, segundo os estatutos, “poderá rodar por outros países”, havendo ainda a possibilidade de ter delegações. Há cerca de um ano, no encontro que lançou a entidade em Lisboa, Salimo Abdula, presidente da Confederação Empresarial da CPLP, disse que os países lusófonos estavam “a fazer história, ao criar uma plataforma importantíssima para o desenvolvimento social e económico da CPLP”.

A ministra das Finanças portuguesa, Maria Luís Albuquerque, considerou que o evento “abre caminho a uma colaboração ainda mais estreita entre os vários agentes do sistema financeiro” dos países lusófonos, tendo a governante lusa defendido ainda que a meta a atingir é a “maior estabilidade financeira do espaço da CPLP, como um todo”.

Nuno Amado, CEO do BCP e anfitrião do encontro, por seu turno, sublinhou que o espaço lusófono “tem muito mais pontos em comum do que divergentes” e classificou a UBSIF-CPLP como “uma estrutura de diálogo e intervenção dos diversos players do sector” nos países que falam português. (expansao.co.ao)

por Ricardo David Lopes

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