Banco da Caixa em Angola vai deixar de ter Totta no nome

António Vieira Monteiro (Foto: D.R.)
António Vieira Monteiro (Foto: D.R.)
António Vieira Monteiro
(Foto: D.R.)

Foi o Totta que deu origem à entidade que hoje é o Banco Caixa Totta. Mas a instituição do grupo espanhol deixou a parceria com o banco público português e deixou Angola por “questões de negócio”.

Banco Caixa Geral Totta de Angola, SA, mais conhecido por Banco Caixa Totta. É este o nome da instituição de direito angolano que resulta de uma parceria entre a Caixa Geral de Depósitos e o Santander Totta. Uma parceria que terminou e que vai levar à alteração da denominação do banco, segundo apurou o Negócios.

A decisão de alterar o nome é uma consequência directa da operação através da qual a Caixa Geral de Depósitos comprou a posição indirecta que o Santander Totta tinha na instituição de Luanda. A CGD tinha 51% da Partang, sociedade detida em 49% pelo Totta: contudo, a entidade do grupo espanhol exerceu um direito de venda – o que obrigou a CGD a adquirir aquela posição. Por sua vez, a Partang tem 51% do banco do Caixa Totta – os restantes accionistas deste banco angolano são a petrolífera Sonangol e os empresários Jaime Freitas e António Mosquito, de acordo com o site da instituição.

Na conferência de imprensa de apresentação de resultados, António Vieira Monteiro, presidente do Totta, não se quis alongar em explicações: “A venda resulta de um contrato feito há anos entre a CGD e o Totta”. Nesse contrato, o banco público tinha a possibilidade de exercer uma cláusula de compra obrigatória da posição do Totta, e, caso não fosse exercida, o Totta tinha a possibilidade de vender a sua participação, igualmente com a CGD a ter de comprar.

“A decisão tem que ver com condições de negócio”, disse Vieira Monteiro, sem querer adiantar se tal se deveu a orientações do accionista único Santander, o banco espanhol, ou se foi uma defesa face às dificuldades sentidas na economia angolana devido à queda do preço do petróleo nos mercados internacionais.

A saída do Totta desta parceira foi anunciada em Julho deste ano, sendo que foi o banco português (ainda antes da aquisição pelo Santander) que lhe deu origem, ainda no século XIX – Nuno Amado, agora presidente do BCP, disse em 2009, quando era líder do Santander Totta, que a parceria entre a CGD e o banco era “difícil de bater”.

“Em Angola, o Banco Caixa Totta de Angola (BCGTA) mantém como foco estratégico o segmento empresarial, articulando em estreita colaboração com os outros bancos do grupo o acompanhamento do negócio dos clientes do grupo, quer em termos do apoio ao investimento em Angola, quer relativamente à dinamização do comércio externo entre Angola e as diversas geografias onde o Grupo está presente”, indica o comunicado de resultados do primeiro semestre do ano da Caixa Geral dos Depósitos.

A CGD conseguiu lucros de 47,1 milhões de euros nos primeiros seis meses do ano, sendo que o contributo internacional foi de 44,7 milhões de euros. Deste total, 10,6 milhões de euros foi o lucro gerado pela Caixa Totta Angola, uma subida de 43% em relação ao mesmo período do ano anterior.

No final do ano passado, de acordo com o relatório e contas do banco de direito angolano,  contavam-se 520 colaboradores a operar em 35 unidades de negócio. (jornaldenegocios.pt)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA