Aumento das quotas foi proposto por Angola

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O ministro das Relações Exteriores, Georges Chikoti, defendeu o aumento das contribuições dos Estados membros da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC) para que a organização desenvolva projectos mais ambiciosos em termos de infra-estruturas e reduza o papel dos parceiros internacionais.

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Georges Chikoti, que falava à imprensa nacional, depois da sua chegada quinta-feira a Gaberone, onde participa na reunião do Conselho de Ministros, que prepara a agenda da 35ª Cimeira da SADC, disse ser importante aumentar as contribuições, se houver consenso dos Estados membros, para que a organização assuma os seus próprios objectivos de desenvolvimento e capacite o seu órgão de Defesa e Segurança.

“Pode-se rever alguns aspectos, para que os grandes projectos possam beneficiar de financiamento de certas regiões ou países, como o BRICS e a China. Mas não se pode deixar que os parceiros internacionais sejam os maiores contribuintes”, referiu o ministro.

George Chikoti admitiu que a SADC está susceptível à ingerência dos parceiros internacionais, porque os interesses da organização podem não coincidir com os dos doadores. “Por isso, se formos os maiores contribuintes, seremos também donos dos projectos de desenvolvimento e de toda a estratégia de crescimento da região”, explicou, lembrando que Angola é o segundo maior contribuinte, depois da África do Sul.

O chefe da diplomacia angolana disse que o orçamento dos Estados membros, que ronda os 30 milhões de dólares, é insuficiente. Mas, sublinhou, se a região quiser atingir maiores níveis de desenvolvimento tem de redinamizar as suas contribuições. Quanto à adesão de Angola à Zona de Comércio Livre, George Chikoti reiterou que tal vai acontecer em 2017, se forem concluídas todas as condições necessárias. “Se não se conseguir até lá, vamos esperar um pouco mais.

Mas nenhuma questão coloca em causa a vontade do país em aderir à Zona de Comércio Livre.”
Durante a reunião do Conselho de Ministros da SADC, que teve início ontem, George Chikoti disse que são abordados assuntos sobre as contribuições dos Estados membros, Defesa e Segurança na República Democrática do Congo e no Lesotho.

A questão da energia, segundo George Chikoti, preocupa também a região, razão pela qual os esforços dos Estados membros estão virados para a exploração do potencial energético em benefício do desenvolvimento da região.

Forte monitorização

O presidente do Conselho de Ministros da SADC, Kenneth Matambo, afirmou ontem ser imperativa a criação de um sistema forte de monitorização e avaliação dos planos e estratégias da organização.

De acordo com Kenneth Matambo, que falou na abertura do Conselho de Ministros da SADC, em Gaberone, “a capacidade de implementação da organização deve ser avaliada, para que os nossos bons planos e estratégias não fiquem acumulados e com poeira nos gabinetes”.

Kenneth Matambo apelou aos Estados membros a estarem na linha frente para fazerem emergir uma região e uma comunidade económica poderosa. A adopção da Estratégia de Industrialização da região, referiu, é um passo importante para catalizar a cooperação e integração regional e assegurar que os Estados membros caminhem juntos.

As transformações tecnológicas a nível nacional e regional, disse, devem igualmente acelerar o crescimento económico, melhorar as vantagens comparativas e competitivas das economias dos Estados membros. Kenneth Matambo declarou ainda haver necessidade de as dotações orçamentais serem adequadas para o financiamento das actividades da SADC de grande impacto.

“Vamos fazer tudo o que está ao nosso alcance para melhorar a eficiência na utilização dos parcos recursos que dispomos”, assegurou Kenneth Matambo, que recebeu do ministro dos Negócios Estrangeiros do Zimbabwe, Simbarashe Mumbengegwi, o testemunho para a presidência do Conselho de Ministros da região.

Simbarashe Mumbengegwi, presidente cessante do Conselho de Ministros da região, também destacou a questão do aumento das contribuições dos Estados membros.

Do seu ponto vista, enquanto os Estados membros não forem capazes de financiar a própria organização, o futuro dos programas e das actividades vão permanecer numa situação incerta.

“A SADC não vai ser totalmente nossa, enquanto continuarmos dependentes da generosidade dos parceiros internacionais”, declarou, acrescentando que tal situação constitui uma das maiores fraquezas da organização, pois compromete o sentido de apropriação e a sustentabilidade dos programas. (ja.ao)

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