Angola e BES levam empresa da Prebuild a “bater à porta” do PER

(Foto: D.R.)
(Foto: D.R.)
(Foto: D.R.)

A Porama é a mais recente empresa do grupo Prebuild a entrar em Processo Especial de Revitalização (PER). O caso da fabricante de portas para roupeiros foi entregue a 6 de agosto junto do Tribunal de Sintra, que já nomeou um administrador provisório para avaliação dos créditos. A empresa do grupo de João Gama Leão, tal como a Goldenpar e a Tglobal Supply, foi apanhada pela resolução do BES e pelos graves problemas financeiros em Angola.

“A empresa está praticamente parada e não consegue repatriar o dinheiro que está em Angola”, justificou fonte do grupo contactada pelo Dinheiro Vivo. Angola, cuja economia depende da produção de petróleo, tem sofrido os efeitos da queda do crude no último ano. O país tem cortado nas despesas públicas e desvalorizado a moeda nacional, o kwanza.

Haverá ainda, segundo a mesma fonte, salários em atraso junto de 20 trabalhadores da empresa de madeiras fundada em 1949 e comprada em 2010 pela Prebuild. A Porama, desde aí, tem apostado fortemente na internacionalização. Saiu do mercado dos países do norte da Europa e do Canadá para focar-se em Angola, que representa 85% do volume de negócios, entre cinco a seis milhões de euros.

A Porama esteve também envolvida num projeto do grupo Prebuild para aArgélia, com a construção de 100 mil portas para 20 mil casas. O grupo fazia parte de um consórcio com as construtoras Lena, Painhas e Gabriel Couto/MCA, que assinaram contratos para edificar 75 mil casas até 2018 no local. A parceria foi assinada em fevereiro de 2013 durante a visita do ministro da Economia da altura, Álvaro Santos Pereira. A presença neste mercado “tem sido dificultada pelos fortes constrangimentos burocráticos à entrada de novas empresas”, diz fonte do grupo.

BES “arrasta” Prebuild

Os problemas com a economia angolana juntaram-se à queda do BES em Portugal e em Angola. Mas as dívidas que a Porama tinha sobre o banco passaram para o Novo Banco, ao contrário do que aconteceu com a Goldenpar e com a Tglobal Supply, cujos créditos transitaram para o “banco mau”. As duas empresas já não têm atividade, funcionários ou ativos associados, mas no final de julho entraram em PER junto do mesmo tribunal.  “Quando se deu a queda do universo Espírito Santo, tínhamos cerca de 100 milhões de euros e cartas de crédito abertas e que foram colocadas no universo do banco mau. Estivemos três ou quatro meses sem saber o que ia acontecer e tivemos de nos reestruturar”, justificou fonte do grupo na semana passada.

A Tglobal Supply foi a primeira empresa criada por João Gama Leão em Portugal, em 2008, sob a designação de Prebuild.pt – Investimentos Lda. Assegurava todo o negócio de trading do grupo, hoje com cerca de 40 empresas nas áreas da construção, indústria e serviços, com mais de cinco mil trabalhadores e volume de faturação global, em 2014, de 700 milhões de dólares (cerca de 640 milhões de euros).

A Goldenpar começou por ser a casa-mãe do grupo. Criada em dezembro de 2009, sob a designação de Prebuild SGPS, passou a Goldenpar em fevereiro deste ano. Perdeu razão de ser, com a constituição, em maio de 2012, da Prebuild Internacional, a nova holding do grupo, sediada em Zamora, Espanha.

A Prebuild, apesar dos atuais problemas, quer manter-se no mercado angolano. O grupo também está no Brasil, onde procura entrar no segmento da construção e indústria. Na Colômbia aguarda pelo desfecho do diferendo judicial em que está envolvida com o seu anterior parceiro no país, o fundo de investimento Terranum, empresa do universo Santo Domingo, que chegou a ser acionista da Centralcer nos anos 90. (dinheirovivo.pt)

*Com Ilídia Pinto

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA