Angola centra atenções na Expo Milão 2015

(Foto: D.R.)
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A Expo Milão 2015 entrou nos últimos três meses de visitas. Cumprida a primeira metade da exposição mundial, a presença de Angola é encarada como «muito positiva».

À entrada para o último trimestre da Expo Milão 2015, o Pavilhão de Angola prepara-se para manter-se na vanguarda da preferência por parte do público. Recebe em média oito mil visitantes por dia.

O sucesso de Angola no grande certame internacional começou pela«combinação perfeita do actual objectivo económico do país – o desenvolvimento agro-pecuário e industrial alimentar – com o tema da exposição mundial deste ano, ‘Alimentar o planeta, energia para a vida», disse ao SOL Arlindo Macedo, director de comunicação do pavilhão nacional.

De acordo com o responsável, Angola, «país agrícola por excelência e que envereda pela diversificação económica, logo por um melhor aproveitamento dos seus 35 milhões de hectares de terra arável, viu na Expo Milão a oportunidade de colocar ‘a cereja no topo do bolo’».

Daí a elevada cotação do pavilhão, expressa não apenas através da média de visitantes, mas também certificada pelo site www.expoadviser.com.«Há semanas que se mantém como o pavilhão mais votado pelos visitantes e internautas, à frente do Pavilhão Zero (pavilhão oficial da Expo), e de Brasil, Áustria, Marrocos, Azerbaijão, Japão, Israel, Alemanha e Coreia do Sul, por esta ordem», lembrou.

Para Arlindo Macedo, «a museografia do pavilhão embarca o visitante numa reflexão sobre alimentação e cultura, e sobre o papel da educação na inovação, reflexão essa levada ao público através de várias experiências num espaço temático interactivo e de linhas vanguardistas».

O pavilhão de Angola, continuou, é definido por arquitectos como «uma máquina cénica, pela complexidade funcional e estrutural, mas também pelo carácter efémero, promocional e comunicacional. Fazem-se ali referências à evolução da arquitectura racionalista tropical existente em Angola, assim como aos padrões têxteis artesanais do país».

Por outro lado, «a decoração interior inspira-se no embondeiro e na mulher como símbolos da natureza e da flora por um lado, e da progenitura da nação por outro. Imagens panorâmicas projectam paisagens emblemáticas do litoral e do planalto de Angola, enquanto as suas 7 maravilhas são reproduzidas no exterior através de binóculos instalados numa das paredes», descreveu.

Em síntese, a exposição de Angola distribui-se pelo pavilhão, galeria de arte contemporânea, restaurantes típicos tradicional e gourmet, jardins térreo e elevado com aromas da flora nacional, e a zona musical. O Palco Angola tem quatro shows diários, de percussão e dança tradicional, bem como música popular urbana.

Recorde de 14 mil entradas em vários dias

O pavilhão – que já atingiu como registo máximo, por mais de uma vez, as 14 mil entradas entre as 10h00 e 22h00 – regista em média oito mil visitantes por dia.

O espaço retrata ainda os recursos alimentares e a cozinha regional, estabelecendo «um paralelismo que denota o funge ou funji como elemento comum da dieta alimentar do angolano», disse Arlindo Macedo, sublinhando que o visitante pode apreciar a diversidade da culinária por regiões, além de descobrir, «surpreendido, alguns dados até então desconhecidos, casos do refugado e do guisado, técnicas culinárias de origem mediterrânica levadas para Angola pela colonização. Assim como a mandioca, ginguba e gindungo, trazidos do Brasil pelos mesmos navegadores e exploradores do século XVI».

Angola, acrescentou, fica ainda «indelevelmente associada à origem da ideia da ‘Carta de Milano’, uma plataforma que reúne desde o simples cidadão à sociedade civil no seu todo, passando por instituições governamentais e organizações não-governamentais, que subscreveram o documento e cuja aplicação poderá ajudar a reduzir a fome global. Tudo isso ao mesmo tempo que cria princípios e instrumentos que poderão, se forem assumidos, ajudar a combater a escassez de alimentos, sem descurar a defesa do direito de acesso de todo o cidadão à água potável, à energia e ao alimento».

Trata-se de «um conjunto de princípios e plataforma a favor, entre outros objectivos, do direito à água, energia e alimentação, dos cidadãos e principalmente das gerações vindouras, com políticas e mecanismos para integrar o esforço planetário em prol deste combate à pobreza sob diferentes formas», reforçou Arlindo Macedo.

Recordar a Independência

O pavilhão de Angola terá no segundo e último trimestre da exposição mundial o seu período principal, nomeadamente com várias iniciativas para assinalar os 40 anos de independência nacional.

Para 17 de Setembro, Dia do Herói Nacional e do primeiro Presidente da República, António Agostinho Neto, está agendado o dia de Angola na Expo Milão 2015. Recorde-se que ao todo, nos 180 dias da exposição mundial, vão comemorar-se 145 dias nacionais, correspondentes ao número de participantes no evento.

O pavilhão de Angola já assistiu, entre outros eventos, ao lançamento da obra biográfica de Agostinho Neto (a 17 de Junho), traduzida para italiano com a colaboração da Fundação António Agostinho Neto. Na ocasião, a viúva histórico Presidente, Maria Eugénia Neto, homenageou «todos os italianos que, nos anos 70, apoiaram em vida a luta independentista de Angola e o reconhecimento internacional daquele que viria a ser o primeiro presidente da República de Angola independente».

Antes disso, a 25 de Maio, o pavilhão de Angola encabeçara a comemoração do Dia de África na Expo Milão, tendo juntado uma participação representativa de todos os 35 países africanos no certame.

Neste momento o espaço nacional está a promover um conjunto de eventos alusivos ao Dia da Mulher Africana, nomeadamente as palestras ‘A mulher e o desporto’, por Agda Gomes, presidente da Federação Internacional da Actividade Física Adaptada; a apresentação do livro Alimentação e nutrição em Angola, da escritora Madalena Félix; a conferência ‘Mulher no mundo rural’, pelo director do pavilhão de Angola, Ditutala Lucas Simão; e ainda as palestras sobre ‘Desenvolvimento sustentável em África’, a cargo de Maria de Lourdes Kaposso, e a ‘Carta de Milão’, pela comissária-geral, Albina Assis Africano.

O pavilhão já lançou também um conjunto de obras literárias para crianças, reeditou o livro Alimentação regional Angolana, de Óscar Ribas, além de ter sido palco do primeiro de três desfiles da moda angolana, sob a responsabilidade da curadora e também estilista Nadir Tati, no qual foi apresentada a jovem estilista Elisângela Almeida. Vão seguir-se os desfiles da própria Nadir Tati e de Mia Mendes.

O Palco Angola, denominação da área artística do pavilhão, já foi pisado por Gabriel Tchiema, Ndaka Yo Wiñi, Gelson Castro e a banda Musima Uami, além do Grupo Kina Ku Moxi de percussão e dança tradicional. Ao todo, recebeu mais de 300 espectáculos.

Anexa ao pavilhão de Angola está a galeria de arte contemporânea angolana, partilhada com a UNAP, União dos Artistas Plásticos de Angola, onde já se exibiram os pintores Marcela Costa, Arlete Marques, Armanda Alves, Ana Silva, Guilherme Mampuya Wola e Francisco Vidal, bem como o escultor Cristiano Mangovo. Angola fará assim por manter na Expo Milão 2015 o brilhantismo já alcançado.

Nos dois primeiros meses da feira mundial Angola mereceu destaque junto da imprensa italiana e internacional, com uma média de 30 a 32 citações por semana, enquanto o pavilhão e os chefs Elsa Viana e Luís Miguel Kitaba tiveram menções na revista Vanity Fair, além de terem sido objecto de programas de televisão ao vivo, como o Mezzo Giorno Italiano, na RAI 1 e The Cooking Show, da RAI 3. O grupo de percussão e dança tradicional Kina Ku Moxi passou também recentemente pelo Mezzo Giorno Italiano. (sol.ao)

Por: António Bilrero

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