Afrobasket2015: Moncho Lopez e o desafio olímpico

MONCHO LOPEZ – TÉCNICO DA SELECÇÃO MASCULINA DE BASQUETEBOL (Foto: Henri Celso)

O técnico da selecção nacional de basquetebol sénior masculino, Moncho Lopez, vai experimentar, a partir do dia 20, uma das tarefas mais difíceis da sua carreira, quando iniciar o Afrobasket2015 com a missão de levar Angola (detentora do troféu) aos Jogos Olímpicos de 2016, no Rio de Janeiro (Brasil).

MONCHO LOPEZ - TÉCNICO DA SELECÇÃO MASCULINA DE BASQUETEBOL (Foto: Henri Celso)
MONCHO LOPEZ – TÉCNICO DA SELECÇÃO MASCULINA DE BASQUETEBOL (Foto: Henri Celso)

Pela primeira vez à frente de uma selecção africana, o espanhol, nono treinador do conjunto nacional, tem a responsabilidade de dar sequência ao ciclo vitorioso de Angola em provas do género, de forma a alcançar o 12º título, reforçar o sentido hegemónico em África e o prestígio no mundo, de acordo com as pretensões da direcção do órgão reitor do basquetebol.

Com a modalidade que há muito habituou os angolanos a vencer e mais títulos deu ao país (11), o técnico, 46 anos, estreia-se, às 16 horas local (mesmo tempo em Angola), no pavilhão de Radés (15 mil lugares), diante da modesta selecção de Moçambique, por sinal, um dos três países lusófonos presentes na 28ª edição do Afrobaket. O outro é Cabo Verde.

O seu duelo inaugural, além de “conteúdo” português na quadra, tem a particularidade de ter “nos bancos” técnicos espanhóis, sendo que os “irmãos” do Índico são orientados pelo seu compatriota Inaki Gárcia.

Depois dos moçambicanos, seguem-se o Marrocos e o forte Senegal, a ser liderado em campo pelo poste dos Minnesota Timberwolves da NBA, Gorgui Diengui, para quem o conjunto nacional perdeu no torneio internacional de Santander, na Espanha, por cinco pontos de diferença (77-82).

Para a concretização do objectivo, o seleccionador tem um conjunto com elevado nível em termos de experiência competitiva, do qual se estreiam em Afrobasket Yanick Moreira (2,11 m e 100 kg), basquetebolista angolano mais alto, Edson Ndoniema (1,93 cm) e Roberto Fortes (1,93 m e 88 kg), presentes no mundial de 2014, em Espanha.

Estreia absoluta ao serviço da selecção sénior terá Bráulio Morais (24 anos e 1,86 m de altura), enquanto Roberto Fortes, além do último mundial, representou também a equipa nacional no campeonato do mundo de 2010, na Turquia.

Com média de idade 28 anos e de altura 1,96 m, a equipa cedo começou a preparação em Luanda, culminando no Reino de Espanha, onde durante mais de um mês procurou, em dez jogos de controlo, atingir os automatismos necessários para o êxito na prova, pelo que é chegado o momento de implementar as técnicas e tácticas visando o objectivo a que se propuseram a federação, Moncho Lopez e comandados.

Mingas (capitão), Armando Costa, Carlos Morais, Felizardo Ambrósio, Reggie Moore, Valdelício, Hermenegildo e Leonel Paulo, obreiros da última conquista em 2013, na Cote d’Ivoire, certamente irão redobrar esforços no sentido de não defraudar a expectativa, sem perder de vista as enúmeras adversidades, pois a vontade de manter o troféu e ir aos próximos Jogos Olímpicos pode ser insuficiente para as encomendas a encontrar na Tunísia, onde fortes selecções como Senegal, Nigéria e a anfitriã estão com o mesmo propósito.

O técnico espanhol é chamado a uma missão nacional e continental com horizonte universal, por ser os Jogos Olímpicos a maior e mais cobiçada reunião desportiva a nível do planeta, e o basquetebol nacional não quer estar uma vez mais de fora.

No entanto, a Moncho Lopez pode restar um “plano B” no caso de eventual insucesso, embora seja a via mais difícil e pouco aconselhável, sendo que o segundo e terceiro classificados do Afrobasket disputarão ainda o torneio pré-olímpico diante de selecções de outros continentes que tenham falhado o apuramento directo.

Desde a estreia nos Jogos Olímpicos de Barcelona, em 1992, Angola não abria brecha a outro país africano e representou consecutivamente o continente nas edições de Atlanta1996, Sidney2000, Atenas2004 e Pequim2008, falhando a mais recente, Londres2012.

O fracasso no Afrobasket2011, no Madagáscar, na altura em que a selecção era orientada tecnicamente pelo francês Michel Gomez, interrompeu a caminhada olímpica dos angolanos e o espanhol, contratado em Maio último em substituição do angolano Paulo Macedo, tem a “obrigação” de reverter o quadro.

Proveniente do FC do Porto, Moncho Lopez já orientou as selecções principais da Espanha e de Portugal.

A ocasião remete os amantes da bola ao cesto ao passado recente, quando a federação contratou um técnico europeu que não trabalhava no país, com o fito de estar na maior reunião mundial por via do basquetebol angolano, mas sem sucesso. (portalangop.co.ao)

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