Administração Obama aprovou, Clinton reprova. Shell volta a perfurar no Ártico

(ECONOMICO)
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Há óleo e gás no Ártico. E também há gelo sob o qual será difícil actuar em caso de um derrame. Na oposição à ideia está a potencial próxima presidente dos EUA.

A administração Obama concedeu à Shell a autorização para perfurar no Mar de Chukchi, no Ártico, em busca de petróleo e gás, que se acredita existirem em abundância sob as águas geladas (em parte do ano) daquela região, entre os EUA e a Rússia. Dados da US Geological Society (instituição científica norte-americana) apontam para a existência, ali, de 13% das reservas mundiais ainda por descobrir.

O reinício das operações da petrolífera holandesa no Ártico é possível graças à reparação de um navio considerado essencial para aqueles trabalhos, o Fennica, que permite transportar para o local equipamento de segurança necessário para debelar os riscos de um derrame.

Este quebra-gelo esteve no Oregon em reparações, após uma fenda no casco ocorrida aquando da passagem no sul do Alasca. Na viagem de volta para o Ártico, a caminho do local de exploração, ficou retido há dias em Portland, devido aos protestos da Greenpeace, cujos activistas se penduraram numa ponte para bloquear a passagem.

Entre as muitas vozes que se opõem à permissão dada à Shell está a da potencial futura presidente dos EUA, a Democrata Hillary Clinton, voz sonante nos EUA e que neste caso tem especial relevo por ser uma apoiante de Obama (e apoiada por ele na corrida à Casa Branca). “O Ártico é um tesouro único. Dado o que sabemos, não vale o risco da perfuração”. Um ‘tweet’ claro que Clinton deixou na sua conta da rede social.

No início do mês, ao jornal Guardian, um ex-funcionário do Governo americano, Pat Pourchot, disse, a propósito de um eventual derrame, que “a limpeza será extremamente modesta”.

Na memória de todos está ainda o enorme desastre ambiental provocado por meses de fuga numa exploração da BP no Golfo do México, em 2010.

Não admira, assim, que entre os opositores estejam os ambientalistas. Entre as suas notas está o facto de que as águas frias não suportam os micro-organismos que ajudaram a dissipar o petróleo nas águas quentes do Golfo. Num eventual acidente no Alasca, são reduzidas as possibilidades de limpeza caso o petróleo fique sob o gelo, dizem.

Barack Obama deverá ouvir, para lá destas vozes, outras locais, quando se deslocar ao Alasca, numa visita já anunciada. Obama que é um defensor da protecção ambiental. Não pode jogar nos dois tabuleiros, disse a directora executivo da Greenpeace nos EUA, Annie Leonard, ao Guardian: “Anunciar uma viagem ao Alasca para evidenciar as alterações climáticas dias antes de dar à Shell a aprovação final para perfurar o oceano Ártico é profundamente hipócrita”. (economico.pt)

por Alexandre Frade Batista

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