Abel Chivukuvuku diz que há planos para o matar

(Foto: D.R.)
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Líder da CASA-CE diz haver, por parte do MPLA, vontade de o matar. O maioritário já reagiu: «Ele que fique tranquilo, é só alucinação».

O presidente da Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral (CASA-CE), Abel Chivukuvuku, disse recentemente estar entre os alvos a abater por parte do MPLA e dos Serviços de Informação de Angola. O responsável da coligação fez essas acusações durante a visita que efectuou à comuna do Benfica, em Luanda, enquadrada no programa da coligação ‘Jornada Sete Sete’, em que faz visitas aos bairros com o slogan Ver, Ouvir e Partilhar.

«No dia 11 de Julho houve uma reunião entre os dirigentes do MPLA e os responsáveis dos Serviços de Segurança do Estado, no qual decidiram que, como o Abel Chivukuvuku anda muito com o povo, vamos já lixá-lo, vamos dar-lhe», denunciou o responsável, tendo revelado que «foram as próprias pessoas que participaram nessa reunião que nos vieram informar e alertar das intenções de me assassinarem».

Na ocasião, o líder da coligação, que fazia referência à crise que se instalou em Angola, afirmando que «só há crise exacerbada porque não querem acabar com a corrupção, com a má gestão e desvios, porque o dinheiro aplicado nesta corrupção poderia muito bem atenuar os efeitos da crise», disse ainda não ter receio: «Eu não tenho medo de andar com o povo, porque o povo é meu».

A seguir ao pronunciamento de Chivukuvuku, o líder do grupo parlamentar da mesma coligação, André Gaspar Mendes de Carvalho ‘Miau’, insistiu no Parlamento que há essa pretensão de ‘afastar’ pessoas por parte dos sectores operativos do Estado.

«Chegaram-nos notícias de conjuras contra a vida do senhor presidente da CASA-CE, por parte de sectores operativos do Regime. Gostaríamos de acreditar que tal não passe de meros rumores, mas tendo em conta a morte no país de vários políticos e jornalistas, em circunstâncias nunca esclarecidas, bem como de assassinatos por elementos das forças de ordem, de Cassule, Kamolingue e Hilbert Ganga, não podemos deixar de alertar a opinião pública nacional e internacional, para o facto de se estar a criar um clima perigoso no país», insistiu Miau em comunicado.

O almirante acrescentou que «essas notícias e intenções, verídicas ou forjadas, não abalarão o espírito de luta dos militantes da CASA-CE, em especial do seu presidente, por uma Angola melhor».

O SOL ainda contactou o vice-presidente da coligação, Lindo Bernardo Tito, e este reafirmou as acusações: «Isto é um facto. Houve uma reunião entre responsáveis do MPLA com os Serviços de Informação do país», sem se alongar, «porque é que o MPLA entra sempre em pânico quando as pessoas questionam».

É um «falso problema», responde o MPLA

Contactado pelo SOL, o secretário para a Informação do MPLA em Luanda, Norberto Garcia, negou qualquer pretensão de eliminação de Abel Chivukuvuku, afirmando que este é um «falso problema». Segundo o responsável do maioritário, «ninguém em momento algum vai querer eliminar Abel Chivukuvuku, não é a forma de estar do MPLA».

De acordo com Norberto Garcia, «o MPLA vai ao combate político com palavras, sons e com perspectiva democrática», e faz com que a vida multipartidária se efective no dia-a-dia, porque quer que o país tenha ordem social e não pode ir contra os valores que defende. Pelo contrário:«Se Abel Chivukuvuku está vivo é graças ao MPLA e ao Presidente José Eduardo dos Santos».

Para consubstanciar a sua afirmação, Norberto Garcia lembrou os confrontos pós-eleitorais que tiveram lugar em Angola em 1992, durante os quais Abel Chivukuvuku foi baleado nas pernas e levado ao Hospital Militar, onde recebeu tratamento médico. Nessa fase, lembra Norberto Garcia, «foi o líder do MPLA que orientou expressamente os médicos do Hospital Militar a darem um tratamento especial a Abel Chivukuvuku».

O secretário do MPLA recorda bem o momento: «Eu na altura também era das FAPLA e conhecia os médicos porque eram meus colegas. E receberam orientações expressas do Presidente Eduardo dos Santos para darem tratamento especial ao Abel Chivukuvuku. Se nós quiséssemos, ele já teria sido eliminado há muito tempo, mas não o fazemos, porque não é nossa prática». E continua: «Estamos a proteger todos os dirigentes da oposição. Por isso é que muitos deles são mais saudáveis de que nós, porque estamos preocupados mais com os outros do que connosco».

Ainda segundo Norberto Garcia, o MPLA vai continuar a proteger Chivukuvuku: «Ele que fique tranquilo que é só alucinação, essa não é a prática do MPLA».

O SOL tentou ainda, sem sucesso, contactar Abel Chivukuvuku. Entretanto, numa entrevista concedida à Mwangolé TV, e confrontado com as questões segundo as quais, desde 1992, esteve rodeado por figuras ligadas ao MPLA – sem se filiar neste partido, sendo até chamado de ingrato, por lhe terem salvado a vida –, Abel Chivukuvuku respondeu: «Eu tenho pena das personalidades do Governo que pensam que salvar a vida de um cidadão não é sua obrigação. Significa que, para eles, o normal seria matar».

Acrescentou também que «seriam criminosos e nos tempos de hoje iriam ao Tribunal Internacional». Para Chivukuvuku, é papel dos governantes, inclusive do Presidente da República, salvar a vida dos cidadãos. «Não fizeram mais do que a sua obrigação», concluiu. (sol.ao)

 

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