VII Bienal: Lusofonia – Com a nossa língua aproximamos culturas

Grupos de dança de jovens angolanos na VI bienal da CPLP decorrida no Brasil (Foto: Pedro Parente)

Maputo – Quando se pensou na ideia da criação de uma comunidade de países e povos que partilham a língua portuguesa, um dos objectivos era sem dúvidas a aproximação das culturas de nações irmanadas por uma herança histórica, pelo idioma comum e por uma visão compartilhada do desenvolvimento e da democracia.

Grupos de dança de jovens angolanos na VI bienal da CPLP decorrida no Brasil (Foto: Pedro Parente)
Grupos de dança de jovens angolanos na VI bienal da CPLP decorrida no Brasil (Foto: Pedro Parente)

E umas das plataformas de aproximação são as Bienais de Jovens Criadores da CPLP, surgidas como forma de promoção e de aproximação de culturas junto das gerações mais novas, proporcionando desta forma um espaço de diálogo e intercâmbio multicultural e artístico entre os jovens.

O surgimento das bienais deu-se na I Cimeira de Ministros Responsáveis pela Juventude e pelo Desporto da Comunidade dos Países da Língua Portuguesa, realizada em Lisboa, Portugal, em 1996, cabendo assim a Cabo Verde sediar o primeiro evento, dois anos depois (1998).

De lá para cá já foram sete encontros, o último aberto precisamente sexta-feira, na cidade de Maputo, numa cerimónia de “encher os olhos”, com o desfile das delegações, cada uma a sua maneira, mostrando o quão será divertido este evento.

Com casa cheia (cerca de mil pessoas), o auditório do Centro Cultural Universitário Eduardo Mondlaine foi pequeno para albergar esta magna cerimónia inaugural, presenciada pelo ministro angolano da Juventude e Desportos, Gonçalves Muanduma, os seus homólogos de Moçambique e anfitrião, Alberto Nkutumula, e de São Tomé e Príncipe, Marcelino Leal Sanches, bem como os representantes do Brasil, Portugal, Timor-Leste e Cabo Verde.

Com muita luz, cor e som, a plateia, uns até mesmo de pé, vibrava e aplaudia com a “passarela” das delegações, cada uma com a sua coreografia, não prevalecendo o rigor, porque afinal de contas não era uma competição e sim uma diversão.

Coube à delegação angolana abrir as “hostilidades”, com cerca de 40 pessoas, e ao som da música “Angola” de Maya Cool, letra de Matias Damásio, os “mwangolés” dançavam e cantavam alegremente, merecendo os devidos aplausos.

A República de Angola, um dos fundadores da CPLP, faz-se representar por 30 expositores, entre Pintura, Escultura, Fotografia, Desenho, Artes Digitais, Grafite, Gravura, Dança e Música.

“De África o desfile passou para a Europa”, com a subida em palco de Portugal, país do fado, também fundador desta comunidade, que num momento único os seus integrantes declamaram um poema do escritor Mário Cesarine, merecendo também as devidas ovações.

De regresso ao continente berço, São Tomé e Príncipe, terra do Café, outro país fundador da CPLP, teve a sua participação com a actuação de um jovem músico, que numa canção muito badalada fez vibrar os presentes, que de seguida viram subir ao palco um dos países mais novo do mundo, Timor Leste, quando deixou de ser ocupado pela Indonésia, em 2002, ano que precisamente integra esta organização.

Foi um dos momentos mais evidentes, com uma jovem “miss”, porque afinal ela ostentava uma coroa, e, acompanhada de outras duas raparigas a tocar viola, entoou uma linda música, ainda que não conhecida pelos espectadores recebeu os devidos elogios. Indiciava que seria o momento da noite, não fosse mesmo a entrada triunfal dos anfitriões Moçambique, é como quem diz em casa mandamos nós.

Com um colectivo “gordo”, os moçambicanos, também precursores da CPLP, tiveram na sua frente um jovem cantor, que, de tronco nu, cantava e dançava como “louco”, parecia já o “nosso” Kuduro.

E para não variar, até porque as coisas já estavam quentes, surge o momento mais alto da actividade, a entoação do hino desta VII Bienal, pelos jovens criadores da CPLP. Um hino em que participaram jovens de todas as delegações, mostrando a irmandade e a união entre os povos, aliás aí sobressai o refrão “Com a nossa língua aproximamos nossas culturas”.

Sem sombra de dúvidas foi uma verdadeiramente festa, antevendo-se também bons resultados durante os cinco dias de exposição. Mas como a perfeição não existe, a nota negativa foi a ausência do Brasil nesta cerimónia de abertura, como disse mesmo o mestre em serviço “deu uma finta daquelas do Neymar”, isso para não falar da Guiné Bissau e da Guiné Equatorial, que não se fazem presentes nesta bienal. (portalangop.co.ao)

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