Viagem de ministro das Relações Exteriores é abertura do Brasil para a Ásia

(Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)
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O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, iniciou nesta quarta-feira, 22, um périplo de uma semana por quatro países asiáticos: Cingapura, Timor-Leste, Vietnã e Japão. Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, o especialista em Ásia Wellington Amorim comenta a importância desta viagem.

“A Ásia é a região mais dinâmica do capitalismo em todo o planeta”, diz o professor de Relações Internacionais da Universidade Lasalle.

“À exceção de alguns países da África, ricos em minerais e petróleo, a Ásia se mostra como o continente de maior prosperidade no mundo. E o Brasil não pode ficar de fora deste intercâmbio, não pode ignorar a realidade asiática”, afirma Wellington Amorim.

A visita de Mauro Vieira aos países asiáticos começou nesta quarta-feira por Cingapura, onde ele manteve reuniões com o vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças e com o ministro dos Negócios Estrangeiros sobre temas da agenda bilateral, como comércio e investimentos, cooperação acadêmica, científica e tecnológica, além de temas das agendas regional e multilateral, como o relacionamento entre o Brasil e a ASEAN (sigla em inglês para Associação de Países do Sudeste Asiático) e a reforma do Conselho de Segurança da ONU.

Em 2014, Cingapura foi o principal parceiro comercial do Brasil no âmbito da ASEAN, com um intercâmbio da ordem de US$ 4,1 bilhões e superávit brasileiro de US$ 2,54 bilhões (o quarto maior saldo do Brasil em nível global).

Na avaliação de Wellington Amorim, “Cingapura, uma cidade-Estado com quase 5 milhões de habitantes e renda per capita de 50 mil dólares, é o típico caso de uma antiga colônia que se transformou num país bem próspero. Cingapura tem um dos portos mais importantes do mundo, localizado junto ao estreito de Málaca, uma área por onde passam 40% do comércio mundial.”

A importância de Cingapura para o Brasil, diz o Professor Amorim, “é inconteste. É um país dotado de grandes universidades e pronto para cooperar com o Brasil na ampliação do relacionamento comercial, tecnológico e estudantil.”

Entre os dias 23 e 25, Mauro Vieira estará no Timor-Leste. Na capital, Dili, participará da XX Reunião Ordinária do Conselho de Ministros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), e, segundo informa o Itamaraty, formalizará a disposição brasileira de assumir a presidência da Comunidade, no período de 2016 a 2018, e de sediar sua próxima Cúpula, em 2016. O Ministro Vieira participará ainda do lançamento do Programa CPLP Audiovisual e da assinatura da Convenção Multilateral de Segurança Social da CPLP, acordo que ampliará a proteção social aos trabalhadores que migram entre os países da Comunidade.

Para o Professor Wellington Amorim, “o Timor-Leste é uma oportunidade ímpar para o Brasil. É uma porta de entrada para toda aquela região da Ásia e da Oceania, e o Brasil ainda é favorecido pelas circunstâncias de falar a mesma língua, de ter participado das forças de paz que atuaram, sob a liderança da Austrália, na consolidação da independência timorense da Indonésia, e pelos muitos acordos que já possui nas áreas de cooperação cultural e pedagógica. Sem esquecer que o Brasil vem auxiliando o Timor-Leste a se consolidar como Estado estruturalmente organizado”.

Na segunda-feira, 27, o Ministro Mauro Vieira estará no Vietnã, onde terá reunião de trabalho com o ministro dos Negócios Estrangeiros. No encontro, de acordo com o Itamaraty, serão analisadas novas oportunidades de comércio, diversificação da pauta exportadora do Brasil e iniciativas de cooperação técnica prestada pelo país.

Iniciadas em 1989, as trocas comerciais entre Brasil e Vietnã saltaram de US$ 47,1 milhões, em 2003, para US$ 3,2 bilhões, em 2014.

Na opinião de Wellington Amorim, “as oportunidades de negócios estão postas para o Brasil. O Vietnã é um país de quase 100 milhões de habitantes, é uma potência emergente, e sua economia tem respondido e crescido muito bem. O Vietnã é muito interessante para o Brasil. Os dois países têm muito em comum. Por exemplo, na área agrícola, os avanços alcançados pelas pesquisas da Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) são alguns dos nossos trunfos na cooperação técnica com outros países. Isto se aplica muito bem aos países da África e da Ásia.”

A viagem de Mauro Vieira à Ásia termina na terça e na quarta-feira, 28 e 29, com a visita ao Japão. Em Tóquio, ele será recebido pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, no momento em que Brasil e Japão comemoram os 120 anos de estabelecimento de relações diplomáticas.

Para o Itamaraty, “as relações Brasil-Japão são marcadas pelos fortes vínculos humanos e por importante fluxo de comércio e de investimentos”. Mas, para o Professor Amorim, “o estágio do relacionamento comercial entre os dois países está um pouco obscurecido devido aos privilégios que o Brasil vem concedendo à China, pelo fato de ambos fazerem parte do grupo BRICS, completado por Rússia, Índia e África do Sul”.

“No entanto”, observa o especialista, “devemos ressaltar que a maior colônia, em todo o mundo, de japoneses e descendentes de japoneses está localizada no Brasil. Mais do que isso, são 120 anos de relações amistosas. Além disso, vários descendentes de japoneses têm ocupado cargos de destaque no Brasil, inclusive em nível de ministros de Estado. Isto é sempre ressaltado pelo Governo do Japão e pelos próprios japoneses e seus descendentes, o que mostra como o Brasil é muito bem visto por aquele país. Ainda na comparação com a China, o relacionamento do Brasil com o Japão é bem mais complementar. No caso chinês, há uma certa igualdade em termos de desenvolvimento. O Brasil, por exemplo, não consegue exportar manufaturados para a China porque são países concorrentes neste setor. Por isso, as relações do Brasil com o Japão são bem mais complementares e têm tudo para avançar. Até mesmo para comemorar os seus 120 anos de relações diplomáticas.” (sputniknews.com)

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