Um terço dos docentes do superior são assistentes estagiários

Universidade Católica (Foto: D.R.)
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Universidade Católica
(Foto: D.R.)

Relatório Social da Universidade Católica faz raio-X dos docentes do ensino superior e demonstra que apenas uma minoria está nos ‘patamares’ mais elevados da carreira.

Mais de um terço dos professores do ensino superior angolano, incluindo público e privado, estão na categoria de assistentes estagiários, revela o Relatório Social de Angola. Segundo o documento, elaborado pelo Centro de Estudos e Investigação Científica (CEIC) da Universidade Católica de Angola, no conjunto do sistema, cerca de 39% (1.621 em 4.129 docentes) estão nesta categoria, a mais baixa e menos qualificada da carreira.

No privado, a percentagem é de 36,9% e no público é de 46%. De acordo com o documento, no topo da carreira, ou seja, professor titular, estão l.119 docentes, isto é, 2,8% do universo. Também aqui o ensino público está desfavorecido em relação ao privado, já que apenas 2,2% dos docentes estão nesta categoria, face a 2,8% no privado. Quanto aos professores associados, no ensino público são de 1,6% do total, estando também abaixo do privado, que tem 5,6% dos seus docentes neste ‘patamar’.

Ouvido pelo Expansão, o reitor da Universidade Independente de Angola (UnIa), Filipe Nzau, diz lamentar que a docência “não só em Angola, mas, sobretudo, em África e em outros países em desenvolvimento, como na América Latina, seja vista, ao nível do ensino superior, mais como uma ocupação e menos como profissão”.

“A actividade docente é pouco atractiva, e a importância do papel do professor, como interventor social de excelência, não tem sido suficientemente reconhecida”, diz. Para o responsável, “não faz sentido” que futuros profissionais não sejam formados por outros profissionais.

“Tem havido alguma confusão entre certificação e competência, quando ambas não são obrigatoriamente a mesma coisa, mas é certo que os verdadeiros profissionais do ensino têm, em princípio, mais condições de garantir a indissociabilidade desse binómio, porque, para os diferentes aspectos da formação, são preparados para que essa realidade ocorra de forma mais objectiva”, explica, sublinhando que as escolas de formação de professores, de todos os níveis, que rareiam em Angola, “terão de crescer exponencialmente”.

Filipe Nzau defende que os decanos das faculdades devem ter “obrigatoriamente” o mestrado ou doutoramento. “A direcção académica das faculdades, bem como da própria universidade, implica, à partida, que tanto os decanos e vice-decanos como os vice-reitores e o próprio reitor tenham, entre os demais docentes e investigadores, a maior graduação académica possível, para além da indispensável capacitação profissional, ética e confiança depositada pelas entidades promotora e de tutela”, afirma.

O responsável diz que os requisitos assentam no pressuposto de que quanto maior for o conhecimento e a experiência adquirida, maior é a competência para o desempenho de um determinado cargo de responsabilidade. “Deste modo, o mérito deixa de ser posto em causa e o espírito de auto-superação permanente e inovação nunca estará ausente da nossa comunidade académica”, afirma, garantindo que, na UnIA, “tanto na área da formação como na da investigação, apenas dois responsáveis académicos não são doutorados, mas são mestres, com consciência da necessidade de, urgentemente, prosseguirem os seus estudos”.

UGS defende desenvolvimento do ambiente académico O reitor da Universidade Gregório Semedo (UGS), José Lopes Semedo, por seu turno, defende que há necessidade de se “desenvolver um ambiente académico que promova e incentive a atractividade, a competitividade e a qualidade do ensino universitário”, e considera que “tem de se combater o círculo vicioso onde professores incompetentes produzem alunos medíocres que se transformam amanhã, por sua vez, em professores canhestros”. “Impõe-se, por consequência, um esforço colectivo nacional corajoso para a transformação deste círculo vicioso num círculo virtuoso para formar mestres excelentes que produzem alunos brilhantes e que se transformam amanhã em professores destros”, defende. (expansao.ao)

Por: Sita Sebastião

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