“Tudo não chegou. Era preciso humilhar a Grécia”

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No artigo de opinião no Jornal de Notícias, a deputada bloquista comentou o acordo celebrado ontem entre a Grécia e os líderes europeus para um terceiro resgate.

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“13 de julho de 2015. O dia em que a Europa deixou de ser Europa. Marque o dia de ontem no calendário”, diz indignada Mariana Mortágua.

Para a deputada do Bloco de Esquerda,”há um antes e um depois, na Grécia mas essencialmente na Europa, depois do que aconteceu em Bruxelas. O que milhões de europeus puderam assistir, em tempo quase real, pelas notícias que iam saindo e pelas declarações que foram sendo prestadas, foi a punição coletiva de um país e o enterro dos supostos ideais europeus de integração e solidariedade”.

“Acossado por um sistema financeiro à beira do colapso, depois do Banco Central Europeu ter limitado a assistência de liquidez aos seus bancos, o governo grego apresentou um plano que respondia a todas as exigências da Comissão Europeia”, explica e reforça que “tudo não chegava. Era preciso humilhar”.

Na reunião que durou quase 17 horas já era esperado que a Grécia tivesse de aceitar as exigências dos líderes europeus para chegar a acordo, pois segundo Mariana Mortágua “os gregos tinham de perceber que o eixo da austeridade nunca iria aceitar qualquer solução a ‘meio caminho’”.

“Na Europa deixou de haver parceiros. Agora são credores”, critica.

Mas as suas críticas vão também para a Alemanha, que “durantes estes cinco longos meses”, a última coisa que queria era negociar. “O seu interesse era punir e dar uma lição. Aos gregos e aos próximos que ousem colocar em jogo a sua vontade em jogo”, frisa.

“E vimos, ao vivo e a cores, o impensável acontecer. Um documento da União Europeia aventar a hipótese de um país ser empurrado para fora da Zona Euro. Uma hipótese que não está em qualquer tratado europeu, mas há muito que o futuro da Europa é decidida de acordo com as regras do Calvinball: são feitas e escritas à medida que o jogo vai avançando”, afirma.

O dia de ontem fica então marcado pelo momento em que “muitos europeus viram que a Europa viu que deixou de ser Europa”. (noticiasaominuto.com)

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