Sonangol prevê lucro operacional de USD 3.300 milhões

(Foto: D.R.)
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‘Na nossa programação financeira prevemos um lucro operacional para este ano da ordem dos USD 3.300 milhões’, afirmou hoje, segunda-feira, dia 13, o presidente do conselho de administração da Sonangol Francisco de Lemos. O principal responsável da petrolífera nacional adiantou que ‘os indicadores do primeiro semestre são animadores’, com a produção a crescer 12% relativamente a 2014, precisando que a quota da Sonangol é de 600 mil barris diários.

Referiu ainda o aumento da quota-parte da Sonangol nos Blocos 14, 0 e 15/06 e que ‘a redução do custeio vai ter um impacto’ significativo sobre a empresa, proporcionando ganhos de eficiência da ordem dos USD 17 milhões. A Sonangol, precisou, possui actualmente entre 3,5 e 5 milhões de barris de reservas, ‘que não são produzidos porque se tratam de descobertas pequenas.

Cabe aos escritórios da Sonangol em Londres, Singapura e Honduras efectuarem as vendas da quota-parte da Sonangol na produção petrolífera nacional, em regime continuado, 24 sobre 24 horas. No primeiro semestre foram vendidos 112.797.277 barris de petróleo bruto que geraram uma receita de USD 6 mil milhões. O preço mais alto obtido ascendeu a USD 65,8, em Abril, e o mais baixo rondou os USD 41, em Janeiro. O preço médio de venda verificado no primeiro semestre situou-se em USD 55.

A Sonangol vai, por outro lado, aumentar o número de licitações. ‘Estamos a pensar fazer licitações de 2 em 2 anos e estamos também a pensar em fazer explorações em áreas em desenvolvimento’, acrescentou Francisco de Lemos.

Quanto à área da refinação, o presidente da petrolífera referiu quue ‘a Sonangol não está envolvida na refinaria do Bengo’, adiantando que a empresa ‘está a investir nas suas próprias refinarias e é nestes dois projectos que a Sonangol concentrará os seus esforços’. a refinaria do Lobito a empresa detém a totalidade do capital ‘mas temos estado a negociar com algumas sociedades interessadas em partilhar a participação’, revelou Francisco de Lemos. Já na refinaria do Soyo a Sonangol detém actualmente 21% , e não tem a intenção de reforçar esta posição mas aposta fortemente,  no que respeita à construção do parque de combustíveis  ’em negociar com o maior investidor do Soyo’ no sentido de assumir a comercialização dos produtos da refinaria.

Aliás, a Sonangol coloca a possibilidade de contrair junto da China créditos associados à construção das duas refinarias. ‘A Sonangol não contraiu (nestes últimos meses) empréstimos na China mas tem uma boa relação com a banca chinesa, desde 2006, e este ano vamos contratar crédito na China’, revelou o presidente da petrolífera.

Quanto à Zona Económica Especial, a Sonangol encontra-se, infirmou o seu administrador Mateus Neto, ‘num processo de transição de entrega das empresas situadas na ZEE ao Governo’.

Francisco de Lemos assegurou que a Sonangol E.P. não reduzirá as participação que possui no banco Millennium e na Galp, as quais classificou como ‘investimentos estratégicos’. ‘Não extinguimos nenhuma sociedade nem vendemos nenhuma participação’, sublinhou. Lembrou, entretanto, que o investimento efectuado no Iraque já ‘foi dado o ano passado como perdido’ e confirmou que a a participação de 41% que empresa detém na Sonangalp é para ‘desinvestir’, atendendo não fazer sentido participar numa empresa que concorre directamente com a Sonangol distribuição.

No que toca ao Banco Económico, Francisco de Lemos recordou que ‘quando se apresentaram as soluções para o Banco Económico a Sonangol foi chamada a participar. Enquanto empresa pública tomou a decisão de investir no Banco Económico’, sublinhando que se trata de ‘um investimento de risco’. A Sonangol acedeu a conceder empréstimos a duas sociedades que o solicitaram’. Tratava-se de ‘assegurar a estabilidade do sistema financeiro’, daí a intervenção da Sonangol. E o presidente da empresa nota que ‘foi possível recapitalizar um banco e passar da fase de estabilização para a fase de investimento’.

A Sonangol vai reduzir custos, referindo o seu presidente que ‘é nosso objectivo, até final de 2015, efectuar reduções nos custos fixos de até USD 1.000 milhões’, adiantando que ‘pelas negociações e pelos acordos podemos dizer que estamos no bom caminho’. No entanto, Francisco de Lemos, garante que a empresa não irá reduzir pessoal. ‘A empresas, desde 2012, tem vindo a registar uma redução de entre 200 a 300 trabalhadores por aposentação, não reduziremos custos com pessoal’, assevera.

Respondendo a uma pergunta de OPAÍS respeitante à recente venda de petróleo da China à Rússia em moeda chinesa (yuan), Francisco de Lemos reconheceu que ‘a Rússia na sua relação com a China tem algumas vantagens e o acordo de trocas das moedas dos dois países cria outro tipo de incentivo às relações comerciais. Mas o mundo é mesmo assim’. Considerou que ‘há que encontrar factores de competitividade na nossa relação com a China’ não descartando, se forem cumpridos um conjunto de ‘ses’, um dos quais é a autorização do Governo angolano, a hipótese de venda de petróleo à China em moeda chinesa…

A conferência de imprensa da administração da Sonangol foi convocada  ontem, domingo, ao final da tarde, e teve como principal propósito desmentir informações tecnicamente incorrectas que vêm sendo propaladas num jornal português a pretexto de um documento da Sonangol que aponta para um reajustamento do modelo de gestão da petrolífera e a que O País concedeu largo espaço. (opais.ao).

 

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