Siderúrgicas tentam amenizar crise com exportações

A Usiminas decidiu desligar temporariamente altos fornos nº 1 da usina de Cubatão e de Ipatinga, reduzindo sua produção de ferro gusa em cerca de 120 mil toneladas ao mês (Foto: Arquivo/DL)
A Usiminas decidiu desligar temporariamente altos fornos nº 1 da usina de Cubatão e de Ipatinga, reduzindo sua produção de ferro gusa em cerca de 120 mil toneladas ao mês (Foto: Arquivo/DL)
A Usiminas decidiu desligar temporariamente altos fornos nº 1 da usina de Cubatão e de Ipatinga, reduzindo sua produção de ferro gusa em cerca de 120 mil toneladas ao mês (Foto: Arquivo/DL)

Diante de um contexto de excesso de capacidade mundial do aço e de fraca atividade da indústria no Brasil, as usinas siderúrgicas brasileiras estão projetando que os próximos anos seguirão difíceis e no curtíssimo prazo estão buscando algum alento no mercado externo. O enfraquecimento da demanda dos principais setores consumidores do aço por aqui, como o automotivo e construção civil, fez com que o setor acendesse o sinal de alerta, na esteira de um cenário de aumento de demissões e com usinas optando em suspender a produção.

Diante desse ambiente, o Instituto Aço Brasil (IABr) revisou a sua estimativa de produção de aço bruto em 2015 para uma queda de 3,4% em relação ao ano passado, a um volume de 32,8 milhões de toneladas. A expectativa anterior apontava para um crescimento de 6,4% nos volumes produzidos. “Estamos vivendo a maior crise de nossa história”, disse o presidente executivo da entidade, Marco Polo de Mello Lopes.

O presidente da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), Benjamin Steinbruch, disse que a urgência de medidas do Brasil são para ontem, diante da situação vivida pelo País. O executivo citou, por exemplo, que o desemprego bate às portas e que o mercado interno não é neste momento alternativa para a indústria. “No Brasil temos uma tremenda urgência. Estamos muito atrasados na implementação (de medidas)”, disse Steinbruch.

De forma a buscar apoio no mercado externo, Steinbruch defendeu que o governo trabalhe no sentido de promover ligeira desvalorização da moeda brasileira, no intuito de que essa medida ajude de forma mais imediata o setor produtivo. Além disso, o executivo lembra que uma moeda mais desvalorizada também funcionaria no sentido de inibir a entrada de produtos importados no País, em função da grande agressividade que a China tem demonstrado para a colocação de seus produtos globalmente. Na sua visão, uma taxa de câmbio entre R$ 3,30 e R$ 3,40 poderia beneficiar os exportadores sem que exista um efeito nocivo para a inflação.

“Precisaremos de um tempo para reorganizar o mercado interno e a saída imediata seria a exportação. E não só para o setor o siderúrgico, mas para todos os setores”, disse. Segundo Steinbruch, estimular as exportações seria a medida mais “fácil e rápida” a ser implementada. “Precisamos de um esforço conjunto para que consigamos exportar mais”, destacou. Os dados do IABr do primeiro semestre deste ano já mostram que as siderúrgicas já viraram a chave em relação a destino de parte de sua produção. De janeiro a junho, as exportações do setor cresceram quase 50% e relação ao observado um ano antes.

Segundo o presidente do conselho diretor do Instituto Aço Brasil (IABr) e presidente da ArcelorMittal Brasil, Benjamin Mario Baptista, as margens de rentabilidade da exportação são mais baixas do que as vendas internas, mas essa é a saída para não se fechar plantas. No caso da Arcelor, o executivo disse que a companhia está mantendo a utilização plena de sua capacidade e que isso tem ajudado, juntamente com a taxa de câmbio e menor preço das matérias-primas, para que a companhia consiga colocar metade de sua produção de aços planos, de 7 milhões de toneladas no mercado externo.

A situação neste momento é exatamente a oposta da observada em anos anteriores, momento em que as usinas passaram a destinar uma fatia cada vez maior de suas vendas ao mercado doméstico, já que essa estratégia ajudava a conseguir melhores margens, visto que a demanda ainda vinha em ritmo de expansão, cenário que se inverteu nesse momento.

Até aqui, o IABr calcula que em doze meses 11.188 funcionários do setor já foram demitidos e outros 1.397 tiveram seus contratos suspensos (Lay off). Essa desmobilização de mão de obra, fruto da fraca atividade, está relacionada à desativação ou paralisação de 20 unidades , sendo dois alto-fornos, quatro aciarias e laminadores. Ainda de acordo com a entidade, caso o quadro atual se mantenha, a estimativa é de que outras 3.955 pessoas sejam demitidas ainda neste ano.

A Usiminas, por exemplo, decidiu desligar temporariamente altos fornos nº 1 da usina de Cubatão e de Ipatinga, reduzindo sua produção de ferro gusa em cerca de 120 mil toneladas ao mês. Os empregados administrativos do escritório da Usiminas e Usiminas Mecânica estão trabalhando com a jornada reduzida em um dia útil por semana, com redução proporcional do salário, o que, segundo a empresa, “visa a preservar ao máximo as equipes de trabalho, diante da atual crise econômica da cadeia do aço”. A Gerdau, por sua vez, já anunciou lay off em uma unidade no Rio Grande do Sul.

China

Entidades representantes da indústria siderúrgica em diversas regiões do mundo estão na briga para que governos adotem medidas antidumping contra a China. A percepção é de que o gigante asiático, por ter grande parte de suas usinas companhias estatais, vende aço no mercado externo com preços subsidiados, prejudicando, dessa forma, a indústria siderúrgica em todo o mundo.

Estima-se que o excesso de capacidade de aço no mundo chega hoje a 719 milhões de toneladas, vindo, em especial, da China. Por conta disso, o IABr vem trabalhando para que medidas de defesa comercial contra a China sejam adotadas. O presidente do conselho diretor do IABr destacou que as entidades da América Latina estão unidas, “apelando” para que os governos da região atuem em prol da competição leal. (diariodolitoral.com.br)

SEM COMENTÁRIO

DEIXE UMA RESPOSTA