Sentença do caso “Mingão” será proferida esta terça-feira

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Constam dos autos que o casal João Machado Paz Cunha, vulgo Di Mária de 21 anos, e Ivânia Danila dos Santos de Castro também de 21 anos, raptaram o cidadão José António, 21 anos, à saída de uma agência do Banco de Fomento Angola (BFA) e o assassinaram no Benfica, com o intuito de surripiarem a viatura em que seguia, no pretérito dia 23 de Maio.

Ivânia de Castro contou que os dois planearam o assalto com o objectivo de conseguirem dinheiro para arrendarem um imóvel onde iriam juntos.

“Estávamos sentados no passeio da pensão, situada ao lado da casa dos pais do João, quando me indicou que fosse pedir boleia ao jovem que saía do banco. Recusei primeiro, mas acabei por aceitar para não o deixar furioso”, disse.

A vítima encontrava-se no interior da sua viatura quando a jovem mestiça, de um metro e 60, um rosto bonito e cabelo cumprido solicitou que baixasse o vidro para terem uma prosa. Pediu boleia. Ao receber um sim como resposta, informou ao motorista que estava a andar com um primo e este não se fez de rogado ao aceitar dar uma boleia aos dois.

“Fomos até à Praia do Bispo e entramos numa churrasqueira, deixando o António à nossa espera no carro, a pedido dela. Ali, ela voltou a questionar-me porquê que não fiz o assalto e respondi que não estava a ver forma de o fazer”, disse João Cunha a O PAÍS.

Acrescentou de seguida que “ela me orientou a anunciar o assalto assim que subíssemos novamente no carro. O António ficou pasmado ao ser confrontado com a arma e pediu para não lhe fazermos mal”.

Sem mostrar qualquer sinal de resistência, obedeceu à ordem que recebeu de mudar-se para o banco de trás e sob a mira da pistola permitiu que Ivânia de Castro lhe amarrasse os braços, as pernas e lhe tapasse boca. A jovem retirou-lhe a mascote e o fio de ouro que trazia e guardou- os.

Depois de se certificar de que a vítima estava completamente imobilizada, João Cunha conduziu a viatura até aos arredores do Hotel Baía. Ali, pediu a sua companheira que se encarregasse de os levar até a um local onde pudessem sentir-se seguros para realizar os seus intentos.

“Andamos à deriva e fomos parar num bairro que não conheço, onde havia algumas casas em construção. Ele suplicou para não o matarmos e se predispôs a fazer tudo o que poderíamos mandar e o João questionou sobre o código do cartão multicaixa, onde vive, com quem vive, onde trabalha e respondeu prontamente”, recordou Danila.

Segundo ela, a vítima disse que residia em Cacuaco com a esposa e os filhos e que o automóvel pertencia a sua empresa. Esclareceu que não sabia se o carro tinha GPS e que embora não saber se era possível ele passar o veículo para o nome de João Cunha, mas mesmo assim se prontificou a fazer.

Depois de o ter desamarrado para o efeito, o suposto assassino mudou de ideias ao ser informado pelo amigo Mingão, via telefone, que não devia proceder desta maneira porque seria facilmente apanhado pelas autoridades policiais, já que a vítima lhes tinha visto os rostos.

Danila disse que o seu companheiro desferiu algumas bofetadas no rosto da vítima por achar que estava a se mexer muito. Voltou a amarra-lo, lhe meteu um saco na cabeça e orientou a sua companheira que levantasse ao máximo o volume do rádio, enquanto seguiam em direcção a auto-estrada.

Já na zona do Benfica, o casal entrou pela rua 11, por ser uma área com fraca movimentação de pessoas. Postos lá, “o João Cunha efectuou um tiro no peito dele, dentro do carro”. Ao tentar fazer o segundo, a sua companheira pediu que não o fizesse.

Ela disse que, ao chegarem a praia, o seu companheiro ordenou que parasse o carro próximo a água. De seguida, o jogou ainda com vida no mar e ficou à espera que se afogasse, enquanto a sua companheira limpava o sangue que se encontrava no banco de trás.

Ao saírem do local com João Cunha ao volante, pararam nas bombas dos Mirantes, em Talatona, para abastecerem o carro, comprar um maço de cigarros para ele e uma embalagem de toalhitas para limparem o sangue das mãos.

Antes de ter sido assassinado, José António disse que tinha 80 mil Kwanzas na sua conta bancaria e se prontificou a pedir a alguém que os fosse entregar, desde que não pusessem fim a sua vida, contou Danila.

O casal foi buscar a criança em casa dos avós e procurou por Mingão para devolver a arma e o pôr a par do sucedido. Este, por sua vez, disponibilizou um recipiente de água para limparem o sangue do veículo e um par de chinelas ao João.

Depois de abandonarem o carro na Ilha de Luanda. Ela usou o cartão electrónico da vítima para retirar 40 mil num multicaixa e foram hospedar-se numa pensão que está situada no bairro Azul. Depois, como o suposto assassino começou a passar mal, deslocaram-se a uma farmácia para comprar medicamentos.

No dia seguinte discutiram e cada um voltou à casa dos seus pais. João Cunha recebeu a chave do carro e a informou que andaria com o mesmo. Conscientes que desta maneira seriam facilmente apanhados pelas autoridades policiais, ela e Mingão tentaram convencé-lo a não proceder desta maneira mas não tiveram êxito.
“O Mingão sugeriu que vendêssemos o carro”, disse.

Um dos processos mais mediáticos do momento está a ser julgado na 14ª sessão dos crimes comuns em Cacuaco, e hoje será lida a sentença final. (tpa.ao)

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