Rússia e Angola superam sauditas como fornecedores de petróleo à China

(Foto: D.R.)
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Uma reviravolta inesperada deu-se em Maio no mercado petrolífero, com a Rússia a destronar a Arábia Saudita como principal fornecedor da China e Angola a retomar a segunda posição nas importações de crude efectuadas pela potência asiática. A Arábia Saudita, fervorosa defensora da estratégia de competir pelo preço, foi relegada para a terceira posição. E outra grande novidade: o petróleo russo foi comprado não em dólares mas em yuans

Rússia e Angola su­plantaram, em Maio, a Arábia Saudita, tornando-se os prin­cipais fornecedores de petróleo à China.

Em Maio, a China importou um volume recorde de 3,92 milhões de toneladas métricas de petróleo bru­to da Rússia, o equivalente a 927 mil barris de petróleo diariamente, de acordo com dados da Administra­ção Geral das Alfândegas chinesa, citados pelo diário China Daily.

O jornal acrescenta que a Arábia Saudita caiu para o terceiro lugar entre os maiores fornecedores da matéria-prima à China, a seguir à Rússia, que passou a ser o primeiro fornecedor da economia asiática, e a Angola, que mantém a segunda posição.

As exportações sauditas de crude para a China registaram, no mês em questão, uma quebra de 42% relati­vamente ao mês anterior, passando para 3,05 milhões de toneladas mé­tricas, o equivalente a 722 mil barris diários, de acordo com os dados al­fandegários.

A China vem aumentando as suas importações de petróleo da Rússia, que registaram, em 2014, um acrés­cimo de 36% comparativamente a 2013.

Gao Jian, analista de petróleo na Sublime China Information, uma empresa local de consultoria em matérias-primas, citado pelo China Daily, revelou que a Rússia concordou em fazer todas as suas vendas de petróleo bruto à China em renminbis – ou yuans – (moeda da República Popular da China) no início deste mês, o que impulsio­nou as exportações de petróleo para o país. ‘A utilização do renminbi no comércio mundial de petróleo vai tornar-se uma tendência com o aumento da oferta global de pe­tróleo e a China converte-se num importante comprador, reforçando o seu peso no mercado’, acrescen­tou Gao.

De acordo com o relatório anual de energia divulgado pela petrolí­fera britânica BP, os Estados Uni­dos são agora o maior produtor de petróleo e gás natural do mundo, tendo o crescimento do consumo destas matérias-primas por parte da China registado um abranda­mento em resultado do controlo que a potência asiática vem exer­cendo sobre as suas indústrias de energia intensiva.

Mercado de compradores

A conjugação destes factores fez com que o comércio global de pe­tróleo bruto deixasse de ser um mercado de vendedores para se tor­nar um mercado de compradores, assinalou Gao.

De acordo com estimativas da Agência Internacional de Energia, sedeada em Paris, e que é normal­mente associada aos interesses dos países consumidores, a China, que é o segundo maior consumidor mundial de petróleo bruto, repre­sentando cerca de 11% da procura global de crude este ano, tornou-se um mercado-alvo chave para os grandes exportadores, incluindo a Rússia, Arábia Saudita e Iraque.

Por seu turno, Li Yan, um ana­lista de petróleo na Shandong Lon­gzhong Information Technology Co Ltd, considera que a Arábia Saudi­ta está a perder quota de mercado porque se vê forçada a competir com outros fornecedores pelo pre­ço.

‘Ajudar a Rússia’

Para Li Yan a actual ‘debilidade da economia russa precisa do apoio da China e o comércio de crude entre os dois países tornou-se uma fer­ramenta eficaz para a cooperação estratégica e política entre eles’.

De assinalar que a Rússia se tor­na, pela primeira vez, desde Outu­bro de 2005, o primeiro fornecedor de petróleo bruto da China, o que tem a ver com o facto de Moscovo ter sido forçado a encontrar novos mercados para o seu petróleo face às sanções ocidentais decorrentes da sua posição no conflito ucrania­no.

A cooperação entre a Rússia e a China não se cinge ao crude. No passado mês de Novembro, os dois países assinaram um contrato de fornecimento de gás com a duração de 30 anos, tornando-se a China o maior consumidor de gás russo.

O fornecimento de gás será efec­tuado através da fronteira ocidental chinesa e complementa um ou­tro acordo entre os dois países nos termos do qual a Rússia fornecerá anualmente, a partir de 2018, 38 mil milhões de metros cúbicos de gás por ano à China através de uma rota Oriental.

Embora produza petróleo bruto as necessidades da economia chi­nesa mais que duplicam a sua capa­cidade de produção, importando, produzindo mais de 200 milhões de toneladas de crude mas importan­do mais de 270 milhões de tonela­das, segundo a Agência Internacio­nal de Energia.

Segundo maior consumidor

No último ano a China consumiu, em média, 10,46 milhões de barris diariamente, assumindo-se como o segundo maior consumidor global de petróleo, logo a seguir aos Esta­dos Unidos (19,36 milhões de barris diários). Em 2014 a China aumen­tou o seu consumo de crude em 400 mil barris/dia, em média, registan­do assim uma variação positiva da ordem de 3,94%. O consumo mé­dio global, no último ano, situou-se numa média de 91,32 milhões de barris de petróleo/dia. Todavia, a economia da potência asiática vem desacelerando e estima-se que este ano o seu crescimento fique ligei­ramente abaixo dos 7%, sendo ul­trapassada pela dinâmica de cresci­mento da Índia.

No entanto, o consumo chinês de crude deve manter-se estável no corrente ano. Se a desaceleração da economia e as políticas tendentes à redução do recurso a transpor­tes que utilizam o fuel, constituem factores que podem condicionar a procura, por outro lado, a expan­são do sector petroquímico e a im­plementação de projectos de novas refinarias estimulam o aumento das importações de crude. Acresce que, em 2015, a produção chinesa de petróleo bruto deverá aumentar marginalmente face ao ano ante­rior – 4,31 milhões de barris diários contra 4,28 milhões de barris diá­rios em 2014.

Aliás, segundo dados da Opep, as importações chinesas de petróleo em Abril aumentaram substancial­mente, registando uma variação positiva face ao mês anterior e atin­gindo uma média de 7,39 milhões de barris diários. Mês em que os principais fornecedores da potência asiática foram a Arábia Saudita, a Rússia e o Irão, com quotas de 17%, 10% e 10% respectivamente. Em Maio, o panorama mudou. A Rússia passou a ser o principal fornecedor e Angola retomou a sua posição de segundo fornecedor da economia chinesa, relegando a Arábia Saudita para a terceira posição. (opais.ao)

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