Reservas internacionais atingem 25,5 milhões

(Foto: Vigas da Purificação)
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Segundo o relatório trimestral do BNA a redução do preço do barril do petróleo no mercado mundial contribuiu sobremaneira nos resultados das principais contas da balança de pagamentos nacional.

O stock das Reservas Internacionais Líquidas (RIL) atingiu no I trimestre do ano em curso um valor de 25,5 milhões de dólares (cerca de 3,1 mil milhões de kwanzas), segundo o relatório trimestral da inflação publicado pelo Banco Nacional de Angola. Segundo o BNA, a evolu- ção desfavorável das reservas está relacionada com a baixa significativa das receitas de exportação de petróleo, como consequência da queda do preço médio por barril do crude.

Assim, o rácio de cobertura das importações atingiu os 7,30 meses de importações de bens e serviços no passado mês de Março, contra o rácio de 6,51 meses de importações registado em Dezembro de 2014, representando em termos homólogos uma subida de 0,46 meses. Neste caso, o rácio de cobertura das importações ainda se mantém acima da meta da SADC, definido em seis meses de importações.

Termos de troca

As trocas com o exterior resultaram num saldo superavitário de 1,4 milhões de dólares (cerca de 171,2 milhões de kwanzas), o que representa uma redução de 84,31 por cento face ao período homólogo de 2014. O valor das exportações petrolíferas diminuiu 48,01 por cento, reflectindo-se numa redução considerável do total das exporta- ções em 48,91 por cento face ao período homólogo. No final do I trimestre o peso das exportações petrolíferas sobre as exportações totais de bens aumentou face ao período homó- logo em cerca de 3,06 pontos percentuais (p.p), apresentando um peso de 96,84 por cento no total das exportações de bens. As importações, por sua vez, diminuíram 0,83 face ao período homólogo.

O desequilíbrio no mercado cambial bem como o aumento dos preços dos combustíveis que ocorreu no trimestre anterior, em consequência da diminuição dos subsídios aos combustíveis que o Executivo decidiu implementar há poucos meses, poderão explicar a redução das importações.

Segundo o relatório trimestral do BNA a redução do preço do barril do petróleo no mercado mundial contribuiu sobremaneira nos resultados das principais contas da balança de pagamentos nacional

Em termos de origem das importações, a China passou a deter o maior peso nas importações angolanas com 15,22 por cento, seguido de Portugal e Bélgica, com 9,90 e 4,26 por cento, respectivamente. A China foi o único país a aumentar a sua representatividade no total das importações. Portugal foi o parceiro comercial que mais peso perdeu em termos de importações, já que no I trimestre de 2014 apresentava um peso de 16,11 por cento no total das mesmas.

Em relação às reservas brutas, estas apresentaram em finais de Março de 2015 um stock de 25,9 milhões de dólares (cerca de 3,1 mil milhões de kwanzas), representando uma contracção de 20,81 por cento face ao stock de Março de 2014. Mercado cambial No I trimestre de 2015 verificou-se uma depreciação do kwanza em relação ao dólar norte-americano em todos os mercados, destacando-se o mercado informal.

Especificamente, a taxa de câmbio do kwanza face ao dólar no mercado primário registou uma depreciação trimestral de 4,99 por cento (10,63 em termos homólogos), nos bancos comerciais depreciou-se em 5,08 no caso das divisas (10,33 em termos homólogos) e 3,95 das notas (10,92 em termos homólogos). No mercado informal e nas casas de câmbio, as taxas depreciaram-se 25,59 e 15,78 por cento (48,84 e 32,03 em termos homólogos), respectivamente.

No que toca aos diferenciais da taxa de câmbio do kwanza face ao dólar norte-americano, entre o mercado informal e o mercado secundário de notas, observou-se um aumento dos diferenciais em todas as províncias, destacando-se as províncias de Benguela, Luanda, Huambo, em que o diferencial subiu 38,76 pontos percentuais (para os 44,76 por cento), 25,99 p.p. (para os 41,28 por cento) e 36,84 p.p. (para os 43,04 por cento), respectivamente, em termos homólogos.

Relativamente às taxas de câmbio do kwanza face ao euro e ao rand, ambas apresentaram uma apreciação: o kwanza apreciou-se face ao euro em 12,99 por cento e face ao rand em 3,47 por cento. No que respeita às taxas de câmbio reais, verificou-se que a taxa de câmbio real de fim de período no mercado oficial depreciou em termos homólogos 2,46 por cento, ao passar de 73,99 kwanzas em Março de 2014 para 75,81 kwanzas em Março de 2015.

Por sua vez, a taxa de câmbio real de fim de período no mercado informal também se depreciou, mas a níveis superiores aos da taxa de câmbio oficial. Em finais de Março de 2015, a taxa de câmbio real no mercado informal depreciou-se em termos homó- logos 37,85 por cento, fixando-se nos 109,11 kwanzas, quando em Março de 2014 se encontrava nos 79,15 kwanzas. Esta depreciação cambial surge num momento em que a entrada de divisas na economia tem sido inferior desde o II semestre de 2014 até à actualidade, no seguimento da diminuição do preço do crude nos mercados internacionais e, consequentemente, das receitas petrolíferas. Este é um dos factores que poderá ter contribuído para a aceleração da inflação desde então. (jornaldeeconomia.ao)

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