Irão e as grandes potências entram na recta final das negociações nucleares

(Foto de CARLOS BARRIA/POOL/AFP)
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Após meses de intensas negociações, as grandes potências iniciaram neste sábado um fim de semana de negociações cruciais sobre o programa nuclear iraniano, a última etapa antes de um possível acordo histórico, que é esperado para terça-feira, o mais tardar.

Contudo, um avanço decisivo nas negociações ainda era esperado no oitavo dia desta rodada final. Mas os indícios de um acordo vão aparecendo timidamente.

“A prolongação das negociações não é uma opção para ninguém. Nem para nós, nem para os outros. Tentamos terminar o trabalho neste momento. Mas isto ocorrerá? Não posso dizer com certeza”, declarou Abbas Araghchi, um dos principais negociadores iranianos, à TV estatal.

Araghchi, que reiterou que o acordo deve respeitar as “linhas vermelhas” do Irão, explicou que os negociadores tinham preparado “um texto de 20 páginas com cinco anexos, no total 70 e 80 páginas”.

No entanto, algumas “questões importantes”, especialmente “quatro ou cinco pontos relativos às sanções”, ainda não estavam resolvidos, razão pela qual os ministros deviam resolvê-los.

As negociações devem permitir concluir um acordo com o objectivo de assegurar que o programa iraniano não tenha uma dimensão militar, em troca da suspensão das sanções internacionais que afectam o Irão.

Os iranianos reivindicam uma suspensão rápida e global das mesmas, enquanto que o grupo 5+1 (Estados Unidos, Rússia, Reino Unido, França, China e Alemanha) defende um processo progressivo e reversível no caso de violação do acordo.

“Estamos realmente no fim da partida”, disse a jornalistas um alto funcionário do governo americano. “Estamos realizando muitos avanços, não há dúvida disso”, acrescentou.

‘Progressos’ sobre a PMD

O director-geral da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Yukiya Amano, declarou neste sábado que a sua organização poderia concluir ainda este ano a investigação sobre a “possível dimensão militar” (PMD) do programa nuclear do Irão, um dos pontos-chave do processo.

Amano fez estas declarações a jornalistas que o cercaram em Teerão, onde se reuniu com o presidente iraniano, Hassan Rohani.

A PMD é um dos aspectos mais delicados das negociações. A AIEA suspeita que Teerão pode ter conduzido pesquisas, pelo menos até 2003, com o objectivo de adquirir a bomba atómica, e quer acesso aos cientistas envolvidos, bem como aos documentos e instalações que poderiam ter abrigado estas investigações.

O Irão sempre negou qualquer intenção em adquirir arsenal militar nuclear, alegando que os documentos nos quais a AIEA se baseia são falsos.

“Realizamos progressos”, assegurou Amano, cuja agência poderia desempenhar um papel crucial na monitorização de um eventual acordo entre o Irão e as grandes potências.

Retorno dos ministros

Os ministros das Relações Exteriores, que devem concluir as negociações, têm previsto voltar no domingo à capital austríaca para se unir aos colegas americano, John Kerry, e iraniano, Mohamad Javad Zarif.

O acordo poderia ser fechado ou não antes da próxima terça-feira.

Segundo uma nova lei, se o Congresso americano receber o texto do acordo antes de 9 de Julho, terá 30 dias para se pronunciar, mas além desta data, disporá de 60 dias para examiná-lo.

A perspectiva de um acordo levou Israel a alertar para uma eventual suspensão das sanções ao Irão.

“A partir da suspensão das sanções, dezenas, talvez centenas de bilhões de dólares, vão entrar na economia iraniana, algo que não poderá ser revertido”, informou, em um comunicado, o gabinete do primeiro ministro, Benjamin Netanyahu, para quem milhares “o Irão é o país mais perigoso do mundo e, de fato, muito mais perigoso que o [grupo jihadista] Estado Islâmico”.

Estados Unidos e Irão expressaram mensagens conciliatórias na sexta-feira e o secretário de Estado americano, John Kerry, indicou que todas as partes estão fazendo um “esforço real” para atingir o objectivo.

Seu colega iraniano, Mohammad Javad Zarif, evocou, por sua vez, os “desafios comuns”, em especial a luta contra o extremismo.

“Apesar de algumas diferenças, estamos mais perto do que nunca de um acordo. Mas nada está garantido”, declarou Zarif quatro dias antes da data-limite para alcançar um acordo final. (afp.com)

 

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